Coluna Clio

Extensão do Jornal Delfos-CE: http://jornaldelfos.blogspot.com.br/
Clio é a musa da História na Mitologia grega.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

CACOPÉIA: METAFONIA, SÍSTOLE E DIÁSTOLE

CACOPÉIA: METAFONIA, SÍSTOLE E DIÁSTOLE


Pra começar, sempre estranhei essa coisa de chamar Viking de "Víkim", Thanátos de "Tânatos", Artémis de "Ártemis", Posseidon de "Possêidon" ciclope de "cínclope" ou "cíclope", gratuito de "gratuíto", clitóris de "clíntoris" ou "clítoris", etc.

Também achei curioso a palavra idiota vir de id+ota, significando o id=eu; e o ota= voltado para si mesmo; ou seja; idiota significa originalmente pessoa voltada apenas para si mesma sem se importar com ninguém.

Lendo Alpheu Tersariol aprendi que além de cacofonia ainda existe cacopéia e que hiperbibasmo, metaplasto por sístole ou diástole, não é o mesmo que metafonia. Então, descobri que os erros que citei no primeiro parágrafo consistem em cacopéia e não em metafonia. Veja as explicações dele a seguir:

1- "Hiperbibasmo:

É o metaplasmo que consiste na transposição do acento tônico de uma palavra para a sílaba anterior ou posterior. Se a transposição for para a sílaba anterior chama-se sístole; se para a sílaba posterior, chama-se diástole.

(Alpheu Tersariol. "Biblioteca da Língua Portuguesa- vol. 1: Origem da Língua Portuguesa." Ed. LISA- São Paulo-Brasil, 1980. Pág. 57).

2- "Idiotismo:

(Idiomantismo): é a expressão própria de uma determinada língua" 
(Idem. Pág. 58)

3-"Metaplasmo:

São modificações, alterações que a palavra sofre na sua estrutura interna, acrescentando ou alterando as letras que se compõe, sem modificar-lhe o sentido. Não confundir com afixos."
(Idem. Pág. 59)

4- "Cacopéia:

"É o estudo que trata da má pronúncia das palavras.

Exemplos:

púdico (deve ser; pudico)
rúbrica (deve ser; rubrica)
íbero (deve ser, ibero)"

(Idem. Pág. 52)

5- "Metafonia :

É a mudança do timbre de uma vogal por influência de um fonema vizinho e final.

Exemplos:

cobrir- eu cubro
fogo- fogos
gostoso- gostosa
(Idem. Pág. 58-59)

Ateu Poeta
06/11/2014

terça-feira, 14 de outubro de 2014

DRÁCULA: GUERRA, SANGUE E MASSACRE

DRÁCULA: GUERRA, SANGUE E MASSACRE

Heitor morto por Aquiles, um semi-deus. Governo Brasileiro contra Canudos, Inconfidência Mineira, Confederação do Equador, Revolta da Armada, com tropas inglesas e portuguesas sempre para abafar, exceto a revolta farroupilha. Estados Unidos soltam bombas em Hiroshima e Nagasaki enquanto Hitler mata judeus.

Hotel Ruanda, terroristas do Ísis, homens-bomba, camicazes. Spartacus, Máximos, Guerra do Peloponeso. Santa Inquisição, eliminação dos cátaros e templários, cristãos comendo cristãos assados na Terra Santa durante as cruzadas.

Espanhóis partindo pessoas ao meio, exterminando povos inteiros. Astecas e Maias dominando inimigos e os sacrificando aos seus deuses. Celtas enterrando crianças vivas, Roma destruindo povos, línguas e culturas com falsas vitórias e.falsa bravura que virou História.

O que é mais incisivo que o sangue? Quem diria que Aníbal aniquilaria 50 mil homens com apenas 5 mil, ou Crasso perderia quase toda a tropa para as flechas dos parcos, que saxânidas venceriam 3 vezes Roma e ainda empalhariam o imperador Valeriano?

O que move mais o homem que o ódio? Seja estórias de Caim matando Abel com ciúmes, o deus Zeus matando o deus sol Abel por inveja, Osíris fazendo Baklimet transformar-se em leoa e devorar quase toda a humanidade por vingança.

Seja Deus destruir Sodoma e Gomorra, afogar toda a humanidade, expulsar Adão, mandar matar o cordeiro em vão e depois matar todos os primogênitos do deus Hórus, que já tivera seu olho arrancado pelo deus Seth e agora tudo vê.

Seja a Grande Ragnarok os com cruéis filhos de Loki ou o terrível Leviatã do Armagedom. 

Mais de 6 mil homens crucificados em um único dia em Roma. Os assírios empalavam os inimigos e Vladimir foi um dos empaladores mais cruéis, hoje conhecido como Conde Drácula da Transilvânia. 

Nem o ebola é capaz de unir toda a gente porque o homem, talvez o mais insano dos animais, é seu próprio algoz, coveiro e capataz.

Que falar de assassinos como Al Capone, Lanterna Vermelha, Genjis khan, Mao Tsé-Tung, São Paulo, Muhammad, Rei Davi, Júlio César, Getúlio Vargas, Napoleão, São Constantino, Nero e tantos outros nomes emblemáticos que viraram heróis clássicos, polêmicos e grandes vilões?

O sangue é o fator comum em derramamento mesmo antes da primeira escravização e se perpetuará através do tráfico de pessoas que ocorre na atualidade, principalmente para Itália e Espanha.

Só do Brasil sequestraram por volta de 100 mil mulheres feitas escravas sexuais, sendo 1 milhão de todo o mundo, a maioria de países pobres, dentro dos dados captados e contabilizados oficialmente.

Fora homens e crianças assassinados para tráfico de órgãos no mercado-negro europeu cujos números podem ser iguais ou maiores ainda.

Massacre não ocorre somente nos campos de batalha mas até mesmo ideologicamente. Tudo que é estrangeiro é  visto com mais afeto que as coisas nacionais, exceto coisas do Paraguai. 

Aprendemos a ser cada vez mais alienados, adestrados, domesticados para servirmos sempre de boi de piranha em rios turvos.

O difícil é tirar esse cabresto de sangue.

Ateu Poeta 
14/10/2014

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

SONETO: O ESTUDO SOBRE AS SUAS RAÍZES HISTÓRICAS

O ESTUDO SOBRE AS SUAS RAÍZES HISTÓRICAS

INTRODUÇÃO:

Inicialmente descobri que o cara que diziam ter criado o soneto, um italiano chamado Petrus na verdade era um francês chamado Pierre e que ele simplesmente teria levado o soneto da França para a Itália e que o soneto viria da palavra "soniére" e que nascera cantado e sem um nome certo por ser uma das trovas inicialmente feitas de quadras que mais tarde foram acrescentado os tercetos, então, resolvi pesquisar novamente quando  meu foi mostrado por um amigo professor de literatura o livro "Tratado de Versificação", de Olavo Bilac, então, resolvi concluir a ideia que tive ano passado de escrever sobre a origem do soneto; eis, então, este artigo, estudando esse livro de Bilac e a dissertação de mestrado de , Marisa Helena Simões Gontijo, intitulada  "Francisco Braga: uma análise poética e musical de sua canção Virgens Mortas, sobre o soneto homônimo de Olavo Bilac.", de 2006 pela Universidade Federal de Minas Gerais.

Disponíveis ambos os materiais na internet e pesquisar mais um pouco para contrapor e tentar chegar a alguma conclusão a respeito das raízes históricas do soneto.

CAP 1: A ORIGEM DO SONETO:

"(...) Encontramos nos tratados de literatura que o soneto teve sua origem na Sicília (...) na corte do Imperador de Roma Frederico II (1194-1250), onde era cantado da mesma forma que as baladas provençais tradicionais. Ali, na primeira metade do século XIII, Giácomo da Lentino criou o soneto como uma espécie de letra para música cantada ou espécie de canção.

Possuía um princípio par, o das quadras, seguido pelo por um princípio ímpar, o dos tercetos, que se adequavam à mudança da melodia na segunda parte. O número de linhas e a disposição das rimas, entretanto, permaneceram variáveis até que Guittone d’Arezzo, no final do século XIII, sistematizou sua forma, experimentada por Dante e Guido Cavalcanti e tendo Petrarca como seu maior difusor, com mais de 300 sonetos admiráveis. 

Mas, segundo Olavo Bilac (1905, p.71) o que parece estar averiguado como positivo é que a forma poética foi criada pelo troubadour francês, de Limoges, Girard de Bournenil (s.d. -1278) no século XIII. O soneto então passou à Itália e voltou à França no século XVI.

O soneto desenvolveu-se durante a Idade Média, na Europa, numa época de transformações sociais profundas, perturbadas pelas invasões bárbaras, mas que soube resguardar sua cultura e suas raízes históricas. Enquanto o Império Romano desintegrava-se em sua organização, a reconstrução em reparação à desordem na Europa preparava a Idade Moderna. Surgiram as línguas européias 
pela corrupção do latim (sic), pelo novo modo de poetar dos trovadores e pela constituição das nacionalidades. 

A forma soneto, levada à perfeição por Camões (1525-1580), Shakespeare (1564-1616; soneto inglês, com três quartetos e um dístico final, em decassílabos) e Petrarca (1304-1374), esteve presente no Renascimento e no período Barroco, resistiu ao desprezo dos iluministas e foi cultivada por românticos, parnasianos e simbolistas. A elaboração poética do soneto é fundamentada em 14 versos geralmente rimados, e dispostos em quatro estrofes: as duas primeiras de quatro versos e as duas seguintes de três versos e segue normas rigorosas retóricas quanto ao conteúdo e desenvolvimento do tema. Usualmente, o soneto contém reflexões sobre temas ligados à vida e é a forma fixa mais encontrada entre os poemas, considerada por Olavo Bilac 'a mais difícil e a mais bela das formas da poesia lírica'. 

No século XX, frente à revolução do verso livre modernista manteve-se na obra de modernistas radicais como Fernando Pessoa (1888-1935), chegando ao fim desse século intacto, tal como era praticado por Dante (1265-1321), Petrarca, Shakespeare e Camões. 
Alguns dos principais sonetistas brasileiros foram: Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711), Cláudio Manuel da Costa (1729-1789), Alphonsus de Guimarães (1870-1921), Cruz e Sousa (1861-1898), Vicente de Carvalho (1866-1924), Francisca Júlia (1874-1920), Manuel Bandeira (1886-1968), Carlos Drummond de Andrade (1902- 1987) e Vinícius de Morais (1913-1980)." (Gontijo, Marisa Helena Simões. Francisco Braga: uma análise poética e musical de sua canção Virgens Mortas, sobre o soneto homônimo de Olavo Bilac.- 2006 Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Música. Orientador: Prof. Dr. Maurício Veloso Queiroz Pinto pág. 57 a 59)

CAP 2: O VERSO ALEXANDRINO:

"(...) todos os versos (...) formados pelo mesmo número de sílabas, 12 sílabas métricas ou poéticas,[são] chamados versos alexandrinos. Esses versos longos, muito usados pelos parnasianos e clássicos, possuem um acento e uma cesura (divisão) na sexta sílaba, formando dois segmentos. Uma criação francesa, os alexandrinos foram empregados na composição do Roman d’Alexandre le Grand, poema começado por Lambert Licors, no século XII e continuado por Alexandre d’Bernay, trovador normando, no mesmo século. Seu nome é uma dupla alusão ao nome do conquistador e trovador (BILAC; PASSOS, 1905, p. 24). 

A feitura dos versos alexandrinos fundamenta-se em dois princípios básicos: quando o primeiro seguimento termina por uma palavra grave (paraxítona) (sic), o outro seguimento deve começar por vogal ou consoante muda, para que aconteça a elisão; a última palavra do primeiro seguimento nunca pode ser esdrúxula (proparoxítona). A cada uma das metades do verso dá-se o nome de hemistício que, ao se elidirem, geram um impulso ou pulso que movem o verso evidenciando nele a inflexão em thesis e arsis. A contagem das sílabas do verso faz-se enumerando da primeira sílaba do verso até a última sílaba tônica do mesmo (...)" (Idem pág. 61 a 62)



CAP 3: ELISÃO





"A elisão 


É a fusão de duas ou mais vogais em uma só, no final de uma palavra e no início de outra, formando ditongos ou tritongos e transformando assim duas sílabas distintas em uma só, ou seja, a vogal que termina uma palavra absorve-se na outra que começa a palavra seguinte. Segundo Silva (1999, p.73) os ditongos são tratados como uma seqüência de seguimentos, sendo um dos seguimentos interpretado como vogal e o outro interpretado como semivogal ou glide e este se refere às vogais sem proeminência acentual nos ditongos. No poema podemos citar como exemplo: palpitae resplandece. O A é a vogal e o E é o glide. Mas ao pronunciarmos o soneto devemos considerar que nem sempre elidir ou absorver é omitir. Omite-se a vogal, a exemplo, em Quando uma virgem, o O de quando, ficando a pronúncia da seguinte maneira: Quand’uma virgem. As elisões conferem impulso e movimento circular ao poema que induzem a leitura ou a escuta ao fim do verso." (idem, pág. 63)



CAP4: O SONETO DA CONCEPÇÃO DE OLAVO BILAC:


"SONETO

É, apezar da guerra que lhe tem sido movida, e apezar do abuso que d'elle têm feito os poetas mediocres, a mais difficil e a mais bella das fórmas da poesia lyrica, na metrica brasileira contemporanea. 

O soneto é uma composição poetica, constituida por 14 versos, distribuidos em 2 quartetos e 2 tercetos. A tradição quer que o ultimo verso do soneto seja sempre uma «chave de ouro», encerrando a essencia do pensamento geral da composição: «si le venin du scorpion est dans sa queue, le mérite du sonnet est dans son dernier vers» — escreveu Théophile Gautier. 

Em muitos tratados de «Litteratura» e de «Versificação», se lê que o soneto é de invenção italiana. Mas o que parece estar hoje positivamente averiguado é que essa fórma poetica foi creada na Europa por Girard de Bournenil, trovador (troubadour) francez (de Limoges) do seculo XIII, morto em 1278. O soneto passou á Italia, e d'ahi voltou á França no seculo XVI. 

Todas as litteraturas da Europa têm cultivado o soneto. Na França, elle foi especialmente praticado por J. du Bellay, Desportes, Voiture, Benserade, Malleville, Desbarreaux, Scarron, Théophile Gautier, Sainte-Beuve, Sully-Pruddhome, Soulary, Banville, Heredia, etc.; na, Italia, por Petrarcha (mais de trezentos sonetos admiraveis), e por todos os poetas que lhe succederam; na Hespanha e em Portugal, por Garcilaso de La Vega, Quevedo, Santa Thereza de Jesus, Cervantes, Sá de Miranda, Camões (mais de quinhentos sonetos encantadores), Rodrigues Lobo, etc. 

No Brasil, o soneto sempre encontrou poetas que o estimassem e servissem. Desde o seu inicio até hoje, a nossa litteratura poetica usou e abusou d'essa fórma. Ultimamente, o «parnasianismo» brasileiro tem dado sonetos de uma perfeição admiravel, — honrando e restaurando o lindo poemeto, que inspirou a Boileau o famoso verso: Un sonnet sans défaut vaut seul un long poëme...» 
(Art Poétique, II, 94.)" 



(...)  Já dissemos que o soneto se compõe de quatorze versos, repartidos em dois quartetos e dois tercetos.



O soneto classico (petrarcheano e camoneano) é o soneto em versos decasyllabos ou heroicos. Mas nunca houve regras fixas para a collocação das rimas dos quartetos e dos tercetos, se bem que a collocação mais geralmente seguida tenha sido, entre os classicos, a que se observa no soneto acima transcripto, de Gregorio de Mattos:  o primeiro verso com o quarto, o quinto e o oitavo; o segundo com o terceiro, o sexto e o setimo; o nono com o undecimo e com o penultimo; o decimo com o duodecimo e com o ultimo.



Ha, porém, muitas variantes, geralmente admittidas. Eis algumas: Variantes nos quartetos: a)  o primeiro com o terceiro, o quinto e o setimo; o segundo com o quarto, o sexto e o oitavo; b)  o primeiro com o terceiro, o sexto e o oitavo; o segundo com o quarto, o quinto e o setimo; c)  o primeiro com o quarto, o sexto e o setimo; o segundo com o terceiro, o quinto e o oitavo. (...)

Variantes nos tercetos. 1ª  O nono verso do soneto com o decimo, o duodecimo com o penultimo, e o undecimo com o ultimo (...)

2ª O nono verso do soneto com o duodecirno, o decimo com o penultimo, e o undecimo com o ultimo (...)

3ª O nono verso do soneto com o undecimo, o duodecimo com o ultimo, e o decimo com o penultimo (...)

4ª  O nono verso do soneto com o undecimo, o de-cimo com o duodecimo, e o penultimo com o ultimo (...)

 No soneto classico, todos os versos são graves. Mas os poetas brasileiros costumam, ás vezes, ora entremeiar nos quartetos e nos tercetos rimas graves com agudas, symetricamente,  ora conservar nos quartetos todas as rimas graves, e terminar os dois tercetos com uma rima aguda. A segunda fórma é a mais frequente (...)

Ha, na poesia nacional moderna, sonetos compostos em versos alexandrinos, em redondilhas e em outros metros (...)

Alguns poetas têm invertido a collocação das quatro estrophes ou estancias, de que se compõe o soneto, antepondo os tercetos aos quartetos(...)

O soneto é uma composição lyrica por excellencia. Mas, não raro, tem sido empregado corno (sic) molde de outros generos poeticos. Assim, além dos sonetos lyricos, (...) ha sonetos (...) méramente descriptivos, (...) épicos,(...) satyricos, (...) humoristicos, (...)

Todos esses exemplos servem para demonstrar que o soneto não é hoje, como antigamente, uma composição poetica sujeita a regras immutaveis e severas, — «um pensamento de ouro num carcere de aço.» O soneto tem hoje uma liberdade folgada, — e é talvez por isso que os poetas o cultivam com tanta frequencia.

(BILAC, Olavo. PASSOS, Guimaraens. Tratado de Versificação. Rio de Janeiro:1905. Editoração Eletrônica: Ana Luiza Nunes/ Paula Mendes Abelaira)

CAP 5:A ETIMOLOGIA DA PALAVRA SONETO


Se o soneto tiver realmente sido criado na França, então ele vem da palavra francesa, então soneto na verdade não vem  do Italiano "sonnet" mas deo Francês "sonnet", pronunciado "sôné".

Mas, na internet achamos somente a origem italiana:

"A palavra soneto tem origem no italiano sonetto, termo surgido nos finais do século XIII para designar «[uma ]composição lírica formada de quatorze hendecassílabos, rimados variadamente, cujos oito primeiros formam duas quadras, e os outros formam dois tercetos» (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, versão brasileira). Por sua vez, a palavra italiana é adaptação do um termo do provençal, sonet, que significava «espécie de canção, de poema» e provinha do francês antigo sonet, «cançoneta», diminutivo de son, «som», que, ao que parece, por extensão semântica, assumia também a acepção de «ária de música que acompanhava um verso»." 
(https://www.google.com.br/search?newwindow=1&site=&source=hp&q=ETIMOLOGIA+DA+PALAVRA+SONETO&oq=ETIMOLOGIA+DA+PALAVRA+SONETO&gs_l=hp.3..0i22i30l2.1568.6263.0.6805.29.17.0.6.6.0.406.2005.2-5j1j1.7.0....0...1c.1.54.hp..17.12.1776.0.kQbFbgzao0A)



"Soneto (do italiano sonetto, pequena canção ou, literalmente, pequeno som) é um poema de forma fixa, composto por catorze versos, de origem atribuída a poetas da Sicília ou da Provença.


Estrutura:

Pode ser apresentado em três formas de distribuição dos versos:
Soneto italiano ou petrarquiano: apresenta duas estrofes de quatro versos (quartetos) e duas de três versos (tercetos); Soneto inglês ou Shakespeariano: três quartetos e um dístico; Soneto monostrófico (sic): Apresenta uma única estrofe de 14 versos:

Para além destas formas, pode haver o acrescentamento (geralmente de três versos) feito aos 14 versos de um soneto. Este acrescentamento é chamado de estrambote1 e o poema passa a chamar-se soneto estrambótico. O termo deriva do italiano strambotto ("extravagante, irregular"). Uma vez que o soneto é caracterizado exactamente (sic) como um poema de 14 versos — tradicionalmente dois quartetos e dois tercetos —, o acréscimo de um ou mais versos no final do poema (de acordo com a conveniência do escritor), faz da obra um soneto irregular — estrambótico, como usado por exemplo por Miguel de Cervantes 2 .

História:

Petrarca, um dos grandes sonetistas da literatura italiana medieval.

O soneto teria sido criado no começo do século XII, possivelmente na Sicília, onde era cantado na corte de Frederico II Hohenstaufen da mesma forma que as tradicionais baladas provençais. A invenção do soneto é atribuída a Jacopo da Lentini 3 - conhecido como Jacopo Notaro, após receber o título «Jacobus de Lentino domini imperatoris notarius» - poeta siciliano e imperial de Frederico II, e surgiu ali como uma espécie de canção ou de letra escrita para música, possuindo uma oitava e dois tercetos, com melodias diferentes. Outras fontes poderão atribuir tal invenção a outros poetas, majoritariamente provençais, embora sua difusão tenha se dado indubitavelmente através dos italianos.

O número de linhas e a disposição das rimas permaneceu variável até que o poeta toscano Guittone d'Arezzo(ou Fra Guittone), tornou-se o primeiro a adotar e aderir definitivamente àquilo que seria reconhecido como amelhor forma de expressão de uma emoção isolada, pensamento ou idéia: o soneto. Durante o século XIII criou o soneto guitoniano, padronizado, cujo estilo foi empregado por Petrarca e Dante, com pequenas variações.

Coube ao fiorentino Francesco Petrarca aperfeiçoar a estrutura poética iniciada na Sicília, difundindo-a por toda a Europa em suas viagens. Sua obra engloba 317 sonetos contidos no Il Canzoniere, a coletânea de poesiaque exerceu influência sobre toda a literatura ocidental. Os melhores poemas desse livro são dedicados a Laura de Novaes, por quem possuía um amor platônico. Destacam-se os recursos metafóricos e o lirismo erótico dos sonetos.

Dante Alighieri, o autor de A Divina Comédia, e também um seguidor de Guittone, em sua infância já compunha sonetos amorosos. Seu amor impossível por Beatriz (provavelmente Beatrice Portinari) foi imortalizado em vários sonetos em Vita Nuova, seu primeiro trabalho literário de grande importância.

Graças a uma viagem que fez para a Itália entre 1521 e 1526, o poeta português Sá de Miranda regressou com uma nova estéticapoética para Portugal, introduzindo pela primeira vez o soneto, a canção, a sextina, as composições em tercetos e em oitavas, e osversos de dez sílabas, conhecidos como decassílabos. Luís Vaz de Camões adotou esta estética, compondo diversos sonetos com oamor como tema principal e imortalizando o soneto em língua portuguesa.

William Shakespeare, além de teatrólogo, desenvolveu o soneto inglês, composto por três quartetos e um dístico, diferente da composição original de Petrarca. Desde o século XVI, o soneto adquiriu importância ao redor do mundo, tornando-se a melhor representação da poesia lírica.

Alguns casos notáveis são: o poeta russo Aleksandr Pushkin compôs Eugene Onegin, um poema repleto de sonetos adotado por Tchaikovsky para compor uma de suas óperas; o francês Charles Baudelaire ajudou a divulgar os versos alexandrinos em Les Fleurs du Mal. Vivaldi também usou-se de sonetos.

E por falar em versos alexandrinos, utilizados por muitos sonetistas, eles remontam - segundo alguns dicionários da língua portuguesa - a uma obra francesa do século XII chamada Le Roman d'Alexandre, versos de doze sílabas poéticas (dodecassílabos).

Porém, os dicionários da língua espanhola - apesar de apontarem para a mesma origem - insistem em afirmar que os versos alexandrinos são aqueles que contêm quatorze sílabas gramaticais.

Isso se deve ao fato de que na versificação espanhola (diferentemente do que ocorre nas versificações francesa e portuguesa) conta-se uma (e apenas uma) sílaba poética após a última sílaba tônica. Assim: "amor", em português possui duas sílabas poéticas (a / mor-) e em espanhol, três (a / mor / x); "amada", em português possui duas (a / ma-), e em espanhol, três (a / ma / da); e, por fim, "amássemos", em português possui duas (a / má-) e em espanhol, três (a / má / sse-). Dessa forma, o seguinte verso "é noite e a angústia toma o que há de bom em mim", que é alexandrino, terá, conforme a contagem portuguesa, dois hemistíquios de seis versos (é / noi / te e a an / gús / tia / to- // o / que há / de / bom / em / mim-), enquanto que na contagem espanhola terá dois hemistíquios de sete versos (é / noi / te a an / gús / tia / to / ma // o / que há / de / bom / em / mim / x).

Finalmente, após aderir ao humanismo e ao estilo barroco, o poema dos catorze versos acabou sendo desprezado pelos iluministas. No século XIX, ele voltou a ser cultivado, com mais fervor, por românticos, parnasianos e simbolistas, sobrevivendo ao verso livre domodernismo - que viria em seguida - até os dias atuais." (http://pt.wikipedia.org/wiki/Soneto)

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Temos algumas proposições contrárias:

1-Giácomo da Lentino ou Jacopo da Lentini criaram o soneto na Sicília. Mais são a mesma pessoa.

2-Bilac nos diz que o criador do soneto é o francês Girard de Bournenil, um trovador do seculo XIII, morto em 1278. O soneto passou para a Italia, e depois voltou à França no seculo XVI."

3-A origem do soneto é atribuída a poetas da Sicília ou da Provença.

4-Guittonne d'Arezzo, um dos predecessores de Dante na poesia toscana também é citado como autor do poema de 14 versos.

5- Já foi atribuído a um trovador francês com nome falseado de Pierre para Petrus.

6-Cruz Filho nos diz que com certeza veio da Itália e mais precisamente da Sicília e que o fato de ter vindo de Girard de Bourneil é um dos erros que se comete ao estudar a origem do soneto.

7- Ainda existe a palavra "sonê", que se aplica a diversos tipos de canto, assim como a palavra "trouvère" que também significava qualquer tipo de cantoria e daí o nome trovador. 

8-Pierre das Vignes ou de la Vigne (1197-1249), conselheiro de Frederico II, é citado também como criador do soneto pela "Enciclopédia Universal Ilustrada Europeu-Americana"

9-Petrarca é sitado como quem conseguiu unir melhor filigranas da poesia árabe, de onde também dizem vir o soneto

10-Augusto Dorchain e Guimarães Passos também acreditam assim como Olavo Bilac ter o soneto vindo da França. Talvez baseados no"Dictionnaire des Écrivains et des Littératures", de Frederico Lolié que também pensa ser o soneto francês.

11-Dorchain,em seu tratado "L'Art des Vers", dá apoio à hipótese de Colletet, dizendo que , teria o soneto passado à Itália, onde florescera com Dante e Petrarca, e de onde Mellin de Saint-Gellais e Clemente Marot o trouxeram para a França. Tento sido inventado no século XIII pelos trovadores provençais.


12- Jorge Pellissier, um crítico frâncer diz que o poema provençal não se originou da palavra "son" ou "sonnet", que para ele seria muito antiga na língua dos trovadores e aplica-se a qualquer espécie de canto e designa, sobretudo, as composições líricas que eram cantadas ao som de instrumentos musicais. 

A forma moderna do soneto seria invenção italiana e teria sido trazida à França, não por Du Bellay, mas por Saint-Gellais e Marot. 

Após muitos discípulos terem composto sonetos depreciado durante o domínio literário de Malherbe, teria reencontrado o soneto a sua antiga voga com Voiture, Benserade e outros. Tendo caído novamente em olvido, no decurso da última metade do século XVII e durante todo o século XVIII, e teria sido retomado pela escola moderna, cabendo a Sainte-Beuve "a iniciativa da restauração da antiga honra do poema"

Além dessas 12 (doze) teorias existem muitas outras, tornando o estudo sobre o soneto cada vez mais confuso e cansativo,mas em outra oportunidade voltaremos a aprimorar nossos estudos com o fim central de identificar definitivamente se foi Itália ou França que criou o soneto e se há de fato um só ou muitos criadores.


Portanto, é difícil dizer se foram franceses ou italianos. A conclusão possível é que ao que tudo indica era realmente um poema musicado, ou na França ou na Itália; talvez na Sicília, Provença ou Ligmoez, não sabemos, talvez de "sonetto" ou "sonnet", criador talvez por Jacopo da Lentini, Giácomo da Lentini, Girard de Bourneneil ou outro trovador francês ou outro poeta italiano o soneto foi criado e adaptado muitas vezes.


Parece-nos que realmente começa 4-4-3-3 depois vai para 8-3-3, para 8-3-3-3 ou 4-4-3-3-3 (estrambótico) e por fim 4-4-4-2 (Shakespeare), depois veio o alexandrino voltando para 4-4-3-3, mas com decassílabos e outras regras e foram-se aplicando novas regras e variantes, mas que a de Shakespeare o 4-4-4-2 seria o tido como "perfeito", porém, não podemos afirmar que ou se Shakespeare existiu, fica aí mais outro impasse.


Ainda não foi possível a este historiador uma conclusão definitiva até o presente momento. 

Ateu Poeta, O Historiador de Pacoti
03/10/2014
Fontes:



Gontijo, Marisa Helena Simões 

 Francisco Braga: uma análise poética e musical de 

 sua canção Virgens Mortas, sobre o soneto homônimo 

 de Olavo Bilac.- 2006  

Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de 

Minas Gerais, Escola de Música. 
Orientador: Prof. Dr. Maurício Veloso Queiroz Pinto

BILAC, Olavo. PASSOS, Guimaraens. Tratado de Versificação
Rio de Janeiro:1905
Editoração Eletrônica: 
Ana Luiza Nunes 
Paula Mendes Abelaira



http://www.sociedadehelenica.org.br/paginas_pt/netnews.cgi?cmd=mostrar&cod=5&max=9999&tpl=modelo2

https://www.google.com.br/search?newwindow=1&site=&source=hp&q=ETIMOLOGIA+DA+PALAVRA+SONETO&oq=ETIMOLOGIA+DA+PALAVRA+SONETO&gs_l=hp.3..0i22i30l2.1568.6263.0.6805.29.17.0.6.6.0.406.2005.2-5j1j1.7.0....0...1c.1.54.hp..17.12.1776.0.kQbFbgzao0A

http://pt.wikipedia.org/wiki/Soneto

http://www.sermelhor.com.br/espaco/como-aprender-a-ler-sonetos.html

http://books.google.com.br/books?id=LMYDAAAAQAAJ&pg=PA361&lpg=PA361&dq=soneto+vem+de+soniere&source=bl&ots=KheyMOn3ap&sig=_8ar4WeUz6vsL25HI1yrob5FUlY&hl=pt-BR&sa=X&ei=VRkvVKzzDeHGsQTB9YDwCg&ved=0CCYQ6AEwAQ#v=onepage&q=soneto%20vem%20de%20soniere&f=false


Cruz Filho, História e "Teoria do Soneto" anotado por Glauco Mattoso
http://www.elsonfroes.com.br/pag01.htm

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

CHATURANGA: A HISTÓRIA DO XADREZ

INTRODUÇÃO:

Chaturanga, pode ter sido esse o primeiro nome do jogo que conhecemos hoje por xadrez; teve outros nomes, como: axadrez e enxadrez em português (séc. XVI); ajedrez em espanhol (1250); shatranj em árabe; chatrang em persa e chaturanga no Hindustão.

O ensaio Chaturanga é a continuação de uma ideia de jogar novamente o xadrez para dentro da escola, assim como Che Guevara fez em Cuba. Acreditamos que esse esporte em si já vale a pena o bastante para ser uma disciplina a parte, todavia, enquanto isso não ocorre no Brasil, encaixemo-lo noutras matérias, como Matemática, História, Educação Física e Arte.

Na História especificamente pode ser analisado dentro das permanências históricas que passam do Oriente para o ocidente milenarmente. Não podemos esquecer jamais que o xadrez foi produzido para táticas bélicas. Como diria Renato Russo : “Uma guerra sempre avança a tecnologia/Mesmo sendo guerra santa/Quente, morna ou fria”.

Uma missão impossível aqui seria dizer quantos imperadores, césares, reis e papas jogaram as derivações desse jogo. Deve ser ensinado em educação Física e Arte e comparado na História com as reais táticas de guerra da Idade Média, principalmente a romana.

Uma pesquisa possível seria comparar as táticas de guerra antes e depois da Revolução Industrial, uma grande diferença foram os aviões, os destróieres e os submarinos, além dos próprios tanques. Diferente das antigas do tempo de Dario e Alexandre, que usavam bigas, elefantes, principalmente Átila, infantaria, que ganhava as guerras quase sozinha em Roma, e cavalaria, com a qual muitos povos ditos bárbaros serviam Roma em troca de outro.

HISTÓRICO:

Não se sabe ao certo onde nascera o jogo. Já atribuíram a gregos, romanos, babilônios, citas, egípcios, persas, chineses, árabes, castelhanos, irlandeses, galeses (País de Gales), e indianos (Hisdustão). É mais aceita a hipótese de ser esse último povo o criador.

No jogo chaturanga, a terminologia ANGA pode ser alusão as 4 armas de um exército indiano, que seriam: elefantes (torres), cavalos, bigas (bispos) e infantaria (peões). Eram 4 adversários que jogavam um por vez com um dado a indicar qual a peça a ser mexida.

Mais tarde, realizou-se com duas duplas, com peças lado a lado, sem dados, e posteriormente passou a ser 1 versus 1 com 16 peças para cada jogador. Da Índia o jogo migrou para a China, Coréia, Japão, Rússia, Escandinávia e Escócia.

Por volta de 531-579 penetrou na Pérsia com o nome modificado para Chaturang pelos persas e depois para Shatanj pelos árabes que difundiram o jogo na Europa por volta do séc IX a X. Primeiro na Espanha. Os bizantinos levaram para a Itália, de lá passou para a França. Desta foi transmitido para a Escandinávia e Inglaterra. No séc. XVIII é realizado no Brasil o primeiro torneio de xadrez.

COMO JOGAR XADREZ:

O xadrez possui 64 casas e 32 peças.
Cada jogador tem 16 peças, claras ou escuras.
O lado das claras inicia a partida.
Cada jogador só realiza uma jogada por vez.

Tipos de peças:

Há 6 tipos de peças: 2 torres, 2 cavalos, 2 bispos, 1 rainha, 1 rei e 8 peões para cada jogador.

Como arrumar:

Com o tabuleiro tendo por primeira coluna da esquerda a casa inicial de cor escura. Nessa seqüência deve ser arrumado. Na primeira linha. De fora para dentro: torres, cavalos e bispos.

Duas casas sobram e a rainha tem a preferência, sendo posta na casa de sua mesma cor, e o rei na outra.

Os peões ficam todos na linha seguinte.

Movimentação:

Torre:

Movimenta-se na posição oriental e vertical, podendo andar até a ponta do tabuleiro formando uma linha reta sempre. Para facilitar a visualização, imagine-a no centro de uma grande cruz que percorre o tabuleiro até suas extremidades, então no formato dessa cruz estão contidas as possíveis casas (ou quadrados) para onde ela poderá ir, na jogada em questão. São no máximo, 14 possibilidades em jogo aberto.

Cavalo:

Costuma-se dizer que ele anda em L, mas, para melhor visualização, prefiro dizer que ele anda em V., ou melhor, imagine um ângulo reto (90 graus) que se faz com 3 casas em qualquer direção.

Se preferir, imagine uma marreta com o cabo formado com 2 casas, a que ele se encontra sendo a primeira ou base. A terceira casa com uma em cada extremidade.

Bispo:

Cada jogador terá 2 bispos, 1 em casa branca e 1 em casa preta. Para quem joga dama é mais fácil imaginar essa peça como uma dama naquele jogo, só que uma em cada cor de casa.

Movimenta-se na diagonal até as extremidades do tabuleiro em campo livre. Tem-se o máximo de 13 possíveis deslocamentos. Imagine-o no centro de um grande X. Essa peça jamais troca a cor da casa de início.

Rainha:

Essa é a maioral máquina de matar do jogo. Imagine um bispo e uma torre fundidos num só, eis a rainha. Imagine-a no centro de um X e de uma cruz ao mesmo tempo. Ou melhor, imagine-a no centro de uma estrela de 8 pontas se preferir.
Ela é a mais livre, pois movimenta-se em todas as direções que formarem linha reta; indo até as extremidades. No máximo são 27 os seus possíveis deslocamentos no centro do tabuleiro, em campo livre.

Rei:

O mais lerdo de todos os personagens, pois só anda 1 casa por vez. Anda em qualquer direção. Sendo 8 as suas máximas possibilidades de escolhas para o deslocar.

Peão:

Anda sempre para frente, a única peça impedida de voltar e que captura diferentemente da forma que anda. Anda como torre e captura como bispo; ou seja, se desloca em horizontal e somente captura em diagonal. Anda 2 casas no máximo somente no primeiro deslocamento de cada um dos seus 8 peões, sendo opcional a saída com 1 ou 2 casas.

REGRAS E JOGADAS:

Captura de peças:

Diferente de outros jogos, como dama e jogo da onça, no xadrez a captura de peça é realizada sem pular casa, pelo contrário, fica-se na casa da peça capturada, exceção na am passant, descrita a diante.

Objetivo do jogo:

O principal objetivo do jogo consiste no encurralamento do rei adversário, dando o xeque-mate, que significa que o rei morreu. Daí, o jogo é vencido por aquele que der o xeque-mate.

Xeque-mate:

É deixar o rei adversário ameaçado de todos os modos que não tenha jogada possível para o adversário se livrar. Logo, o jogo termina.

Xeque:

Xeque é quando o rei se vê ameaçado, ou seja; o rei fica na linha de tiro de alguma possível peça, por exemplo: ficando em ângulo reto com a rainha. É obrigatório então, encobri-lo, pondo uma peça a sua frente ou tirando-o do local.

Os reis nunca encostam um no outro, pois seria xeque dos dois ao mesmo tempo; o que não existe.

Rock:

É uma jogada feita em que o rei anda duas casas para o lado e a torre pula uma casa sobre ele. Só pode ser feito em condições especiais: se o rei não estiver em xeque nem ficar em xeque ao passar a casa para a realização da jogada. Se a torre em questão não tiver sido movimentada nem o rei saído do canto, e nem estiver a torre ameaçada. (Rock é o nome da torre em Inglês).

En passant:

Quando o peão anda 2 casas na saída para não ser capturado pelo adversário, que o faria se ele andasse 1 só, então o adversário captura como se o peão estivesse andado 1 só casa.

Cavalo: O cavalo é a única peça que pula sobre as outras, exceto na jogada rock em que a torre pula sobre o rei. Essa peça só captura na última casa do V.

Peão transformado: O peão, quando chega na primeira fileira do adversário, ou última sua; transforma-se em qualquer peça, exceto rei.

Defeito: O defeito do xadrez está justamente em não se poder marcar esses peões, impossibilitando um jogo com 10 cavalos, bispos e torres ou 9 rainhas.

Conserto e novo defeito:

No computador é possível, mas, em alguns jogos de xadrez virtual só é possível fazer rainhas. Se quiser fazer um cavalo, por exemplo, não é possível. Isso é um grande defeito.

Valor de peça:

Cada peça tem um valor agregado que varia em cada região ou campeonato. Vão aí as aproximações.

Rainha: 10 ou 9
Torre: 4 ou 5
Cavalo: 3
Bispo: 3
Peão: 1
Rei: jogo todo

Relógio:

É comum usar relógio em campeonato com o mesmo tempo para cada jogador, que se ultrapassar perde.

Ateu Poeta
O Historiador de Pacoti

OBRAS DE ARTE: A ARTE NO BANCO DOS RÉUS


OBRAS DE ARTE:
A ARTE NO BRANCO DOS RÉUS

INTRODUÇÃO:

Dependendo da sua visão sobre o que é arte, este título pode parecer estranho, tenho certeza de que vai ser assim para muita gente. Todavia, não há nada de estranho realmente, pois a arte em si não é aquilo que muitos pensam, inclusive do modo que nós mesmos pensávamos há alguns anos atrás.

O texto a seguir, pode ser uma quebra de paradigma para muitos, não é possível, portanto, exigir que os estudantes concordem com esse artigo assim como não podemos exigir mesmo que os professores e intelectuais concordem conosco.

Entretanto, nosso pensamento nele se coaduna em sua maior parte com a visão do Dr. Nigel e com a de Marilena Chauí. As fontes foram exclusiva e respectivamente a série "Como a arte moldou o mundo" e o texto "universo das artes". Por isso, para que ele seja trabalhado devidamente é preciso o contato direto com essas duas fontes para que depois haja debate seguido de produção textual.

OBRAS DE ARTE

Para se falar em arte primeiro temos que perguntar o que é arte. Responder a esta pergunta não é fácil. Lembramos que não há nenhuma definição satisfatória a respeito. Para uma análise profunda, primeiro vamos quebrar o conceito de belas-artes e artes mecânicas.

Imagine a arte como fruto natural daquilo que é vivo, por exemplo: o pensamento, que nos permite prever perigos ocultos e criar um aprimoramento dos recursos naturais para podermos viver mais e melhor.

Arte é o próprio movimento da vida, e artista não é o humano que se esconde na estética vazia ou apenas o conteudista sem técnica, por assim dizer. A arte não carece de intenção cognitiva e sim vida. A arte é a história oculta de tudo o que é vivo.

As divisões de Platão em judicativas e dispositivas, de Aristóteles em Práxis e Poesis, de Plotino em artes naturais, de fabricação e humanas e de Varrão em artes liberais e servis, são ilegítimas. Por que uma arte seria mais importante que outra, se elas se completam?

Por que as artes mecânicas seriam piores ou melhores que as belas-artes quando suprem carências distintas? Por que a arte erudita seria sublime e a popular não? E por que o artista de belas-artes seria um ser diferente dos demais, se todos os seres vivos são os reais artistas?

O artista não tem poder algum, porque poder não existe. Não é divino, pois não existe divindade. A inspiração dos deuses é uma grande farsa, pois o misticismo é uma arapuca mental de controle social, desde o início das civilizações.

As religiões não criaram a arte, mas as artes criaram as religiões, ciências, o senso comum, e tudo o mais em que os seres vivos mexeram virou arte.

Voltando-se para nós humanos, a arte sempre foi uma incógnita, há inúmeras divisões sobre os tipos de arte, por exemplo: Platão divide as artes em judicativas, voltadas para o conhecimento e dispositivas, atividade sobre determinadas regras.

Para Platão, poetas, pintores e escultores desrespeitam os deuses por pregarem a paixão humana. Já a música e a dança formariam melhor o caráter das crianças e adolescentes. Via a gramática, estratégia, aritmética, geometria e astronomia como fundamentais na formação de guerreiros e também filósofos, que deveriam aprender uma arte a mais, a dialética.

Aristóteles faz a distinção entre práxis, ou artes possíveis: política, ética, ciências e filosofia. E poesis, ou arte-técnica: todos os outros tipos de arte que envolvam alguma técnica, como as belas-artes. Também supervaloriza a música, que purificaria a alma, para ele.

Plotino conceitua as artes naturais: medicina e agricultura. Artes de fabricação: artesanato. E artes humanas: música e retórica.

A visão de Varrão no século II, que se estende até o século XV, é de artes liberais: gramática, retórica, lógica, aritmética, geometria, astronomia e música. E de artes servis: medicina, arquitetura, agricultura, pintura, escultura, olaria e tecelagem.

No século XX se dá a reparação entre arte erudita tecnológica e popular artesanal. Sendo a arte entendida como expressão da verdade e não da beleza. Tem-se outros pontos de vista sobre a arte: como de cunho social, expressiva e como trabalho ou filosófica ( quando volta-se para a natureza, o homem e a função da própria arte).

Para Nietzsche, a arte era um jogo de exaltação da vida, que a estimulava em êxtase. Já Kant e Hegel defendem a ideia da arte como pedagogia, assim como Aristóteles e Platão.

Muitos defendem a arte como libertação: no teatro, Brechet e Augusto Boal; na poesia, Maikóviski, Pablo Neruda, Ferreira Gullar e José Paes; no romance, Sartre e Graciliano Ramos; no cinema, Einsestein, Chaplin e no cinema novo brasileiro; na pintura, Picasso e Portinari; na música, a música de protesto e a MPB dos anos 60 e 70, com Edu Lobo, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Milton Nascimento, dentre outros.

As belas-artes serviam à religião, tendo relação íntima com o "sagrado". O artista era um mago. O médico e o astrólogo eram artesãos. Arquitetos, pintores e escultores eram iniciados num ofício sagrado. Todos esses conheciam mistérios sobre gestos, cores, instrumentos e ervas e é como se recebessem "dons" dos deuses e para os deuses.

Hoje, com a era dos meios de comunicação, as artes se banalizam em prol do entretenimento sem conteúdo. Entretanto, a arte em si não é algo bom ou mau. As belas-artes servem ao poder desde longa data, mas também servem ao povo, quando informam, por exemplo: através de uma crônica jornalística, uma visão apurada da realidade política ou por meio de uma poesia que escancara as falcatruas sociais escondidas.

Essa espécie de aura sobre os "artistas" perdura, mas temos que encará-los como pessoas comuns. Todos nós somos capazes de produzir poesia, música, cinema, pintura, escultura, fotografia, entre outras coisas, de modos diferentes. Não há nenhum "dom" por trás da arte, uma vez que dom não existe, e sim, trabalho árduo. Pelo menos os artistas que produzem obras "eternas" trabalham duro.

Ateu Poeta
Historiador