sexta-feira, 23 de agosto de 2019

HOMEM-ARANHA E DUENDES MUITO ALÉM DO VERDE

HOMEM-ARANHA E DUENDES: MUITO ALÉM DO VERDE



Por: Ateu Poeta (Aroldo Historiador)

Introdução:



O Duende Verde é um dos super-vilões mais conhecidos pelos fãs do Spider-Man, e é bem lembrando que há pelo menos 2 deles e um outro mais esquecido chamado Duende Macabro. Contudo, Ainda falta muito mais, existe até duende de cor cinza e um intitulado Duende Dourado. Quem aí ouviu falar?

O que traduziram para nós brasileiros como "Duende Macabro" na verdade seria Hobgoblin e hoje faze o caminho inverso com o Carnificina, que preferem por na forma original "Carnage".

DUENDES VERDES E ALÉM:

Proto-Duende-Nels Van Adder: "(...) Antes de Norman se tornar o primeiro Duende Verde, ele fez o experimento da versão incompleta do soro em um empregado da Oscorp, Nels Van Adder. Van Adder começou a ficar com a pele vermelha até ficar com uma aparência demoníaca, passando a ser chamado de Proto-Duende. A sua aparência acabou dirigindo-o à insanidade, fazendo-o se tornar um homicida. Ele é mais tarde preso. (...)".

Há pelo menos 5 Duendes Verdes

Duende Verde Clássico-Norman Osborne: (Amazing Spider-Man, The (1963) n° 14): Voava em uma vassoura, descobriu a identidade secreta do Homem-Aranha e o pôs para lutar contra o Hulk. No final ele ainda mata a Gwen Stacy
Como se não bastasse, ele ainda tem dois filhos com a Gwen Stacy, que mais tarde voltam na forma de duendes cinza para matar o Spider, em vingança pela morte de Gwen, que fora assassinada pelo 1º Duende Verde e não pelo Spider.

Duende Verde Mutante: "(...) Antes de tentar manipular a mente de Peter, Norman criou um ser humano geneticamente modificado para ocupar a função de Duende.(...)".

Duende Verde Harry Osborne: (Amazing Spider-Man, The (1963)n° 136): Filho do 1º Duende Verde que vira Duende Verde para vingar o pai.
Duende Verde Barton Hamilton:"(...) Era o psiquiatra de Harry Osborn, o segundo Duende Verde. Após a morte de Harry em um envenenamento, Bart Hamilton, usou as roupas de Duende Verde para poder se tornar o próximo. Bart Hamilton, andou aterrorizando e assaltando bancos de Nova Iorque. O Homem-Aranha lutou com ele em uma das aventuras do Amazing Spider Man, ele apareceu pela primeira vez na década de 1980. Durante seus dias de Duende, Bart também descobriu a fórmula que deixava as pessoas cruéis e musculosas, usando-a como Norman e Harry, ele voltou a atacar mais violentamente. Até que Bart Hamilton foi morto (...)


Duende Verde Phil Urich: (...) foi atingido pela fórmula enquanto seu tio investigava a história dos Osborns. Diferente dos outros Duendes, Phil se tornou um herói e mesmo pensou em integrar a equipe dos Novos Guerreiros. Durante a saga Massacre Marvel seu equipamento foi destruído e, sem o conhecimento técnico para consertá-lo, Phil abandonou a identidade de Duende Verde, atualmente é o novo duende macabro.(...)"

Duende Macabro (The Amazing Spider-Man #238): existiram 8 Duendes Macabros: 


"(...) O Duende Macabro é o apelido de vários vilões fictícios que aparecem nas histórias em quadrinhos publicados pela Marvel Comics. O primeiro Duende Macabro, Roderick Kingsley, apareceu pela primeira vez em The Amazing Spider-Man #238, e foi criado por Roger Stern e John Romita, Jr. [1] Durante o final dos anos 80 e a maior parte dos anos 90, a identidade de Duende Macabro foi usada exclusivamente por Jason Macendale. Em 2009, o Duende Macabro foi classificado pela IGN como o 57ª maior vilão dos quadrinhos (...)

Duende Macabro (Roderick Kingsley) ele era um estilista que adquiriu conhecimentos sobre a roupa do Duende Verde. Atualmente foi morto por Phil Urich (o duende verde heroico) e agora Urich é o novo duende macabro.

Duende Macabro (Arnold Donovan) assassino contratado por Kingsley para matar o Homem-Aranha, porém, durante a batalha, foi ferido e, em seguida, morreu tentando dizer o nome de seu chefe.

Duende Macabro (Flash Thompson) uma vez vestiu o uniforme do vilão, mas foi descoberto pelo Homem-Aranha.

Duende Macabro (Ned Leeds) foi desmemoriado e feito ajudante de Roderick e se tornou o 3º Duende Macabro. Sua viúva Betty conseguiu reabilitar o nome do marido ao descobrir que ele não era o verdadeiro Duende Macabro.

Duende Macabro (Jason Macendale) um mercenário que tomou o lugar de Duende Macabro, mas usava seus próprios equipamentos. Atendendo a vontade de Harry Osbourn, Kingsley, já irritado por Macendale virar o Duende Macabro, ele o transformou em o Duende Demoníaco.

Duende Macabro (Shifter) antigo membro da alienígena Guarda Imperial Shi'ar.

Duende Macabro (Phillip Urich) antes era o duende verde do bem, agora virou um vilão como o novo duende macabro.

Duende Macabro (Wade Wilson, ou Deadpool) foi contratado pelo gênio do crime conhecido como Mago, mas errou o endereço dele e acabou pegando um trabalho para personificar o Duende Macabro.(...)" 


Duende cinza-Gabriel Stacy:  "(...) Gabriel é irmão gêmeo de Sarah Stacy e filho de Norman Osborn e de Gwen Stacy. Foi confirmado isso a partir de uma coleta de DNA de Gwen. 
 
Uma observação é que quando Gwen estava na Europa, ela estava com os tios na Inglaterra. Esse erro da Marvel gerou uma certa irritação mediante os fãs de Gwen. Com o pacto de Peter com Mephisto, os gêmeos passaram a nunca existir e a traição de Gwen nunca ocorrer.

Ele, assim como a sua irmã, cresceu rapidamente sem alteração do fluxo temporal e se tornou adulto muito rápido. Após descoberto, foi pego por seu pai e levado a Ponte do Brooklyn, onde seu pai mentiu sobre a história deles e sobre sua mãe e fez com que odiassem o Homem-Aranha.
Gabriel modificou uma roupa de Duende Verde para ele usar e se tornou o Duende Cinza. Agora ele quer vingança e não vai deixar o Aranha em paz.(...)".
 

Duende Ciza-Sarah Stacy (Terra-616): "(...) 


Meu irmão, por favor pare com essa loucura! O Homem-Aranha não fez mal a nós e nem você. Eu imploro a você, Gabriel, não mais! Não mais dessa loucura !!! - Sarah Stacy

Sarah nasceu a filha de Norman Osborn e Gwen Stacy e a irmã de Gabriel Stacy

Antes de Gwen morrer ela foi seduzida e engravidada por Norman e deu a luz a gêmeos prematuros, embora totalmente crescidos, enquanto viviam na Europa

Depois de sua morte, Norman encontrou e criou os gêmeos, convencendo-os de que Peter Parker era seu pai e que ele havia matado sua mãe como Homem-Aranha. 

Sua educação fez os gêmeos quererem vingança. Tendo nascido com poderes semelhantes aos Poderes dos Duendes de Osborn, ambos os gêmeos envelheceram a um ritmo acelerado.

Sarah rapidamente teve uma notável semelhança com a mãe, o que causou confusão quando Sarah foi desmascarada por Peter enquanto tentava matá-lo.
 
Descobrindo mais informações sobre os gêmeos a partir de uma combinação de pistas em uma carta que eles usaram para desenhá-lo e memórias que Mary Jane tinha de Gwen e Norman discutindo enquanto Harry estava no hospital, Peter tentou tentar convencer os gêmeos que Norman estava mentindo para eles. 
Embora Gabriel se recusasse a aceitar isso, Sarah, lembrando-se de que Peter havia cavado o túmulo de Gwen para adquirir uma amostra de DNA, percebeu que ele nunca se dera ao trabalho de executar seu próprio DNA contra os deles, concluindo que ele sabia que ela e Gabriel não são seus filhos. 

Infelizmente, a polícia interveio e abriu fogo contra todos eles antes que o Homem-Aranha pudesse convencê-los. Sarah recebeu uma bala enquanto seu irmão caiu no rio.
Peter levou Sarah para o hospital, mas seu corpo recusou todas as transfusões de sangue até que Peter ofereceu a sua, especulando que suas próprias amostras de sangue incomuns ajudariam a estabilizar o soro Goblin que Sarah herdou de Osborn. 

Sarah recuperou a consciência assim que seu irmão caiu pela janela do hospital, tomando um novo soro Goblin, e arrastou Peter para matá-lo.
Em seu estado enfraquecido, o Homem-Aranha parecia não ser páreo para o irmão de Sarah, que antes parecia apenas um pouco instável, mas agora se tornara insano devido a uma segunda inoculação do Soro dos Duendes. 

Sarah conseguiu salvar o Homem-Aranha atirando no planador de seu irmão e fazendo-o cair e contrair amnésia.

Na confusão, Sarah secretamente levou seu irmão de volta para Paris, onde ela cuidou dele na propriedade de Osborn até que a pressão dos traficantes locais para pagar uma dívida que seu irmão havia incorrido se tornou demais para ela e ela tentou o suicídio.
Peter foi chamado ao hospital como seu contato de emergência e foi à Paris para ajudar. Enquanto ele estava com ela, MJ foi procurá-lo na propriedade e, inadvertidamente, causou a fuga de Gabriel em um estado enlouquecido.

Depois de fechar um acordo com a Interpol para pegar os traficantes, Sarah se juntou à organização para tentar encontrar seu irmão.

Poderes

Sarah Stacy mostrou super força, reflexos, cura e resistência, bem como envelhecimento acelerado, tudo devido aos poderes herdados de Norman Osborn.

Força Sobre-Humana: A Fórmula Goblin nos genes de Norman foi passada em alguma quantidade para Sarah, fortalecendo sua musculatura, tecido conjuntivo e estrutura óssea, e concedendo-lhe força sobre-humana em algum grau. 

É improvável que ela possua força suficiente para levantar mais de 800 libras [ mais ou menos 362 quilos, sendo que 1 kg = 2,20462 libras- nota minha. Tradução pelo Google Translate diretamente do Inglês na parte sobre os Duendes Cinza com algumas mínimas modificações para conserto de linguagem], como seu irmão era capaz de fazer com uma "segunda dose" de Goblin Serum.

Vigor Sobre-Humano: Os genes de seu pai aumentaram a eficiência geral de sua musculatura. Como resultado, seus músculos produziam menos toxinas de fadiga durante a atividade física do que os músculos de humanos normais.

Durabilidade Sobre-Humana: Os genes de seu pai fortaleceram todos os tecidos corporais de Sarah, tornando-os muito mais resistentes a lesões do que os humanos normais.

Reflexos Sobre-Humanos: Os reflexos de Sarah foram igualmente aprimorados pelos genes de seu pai e são superiores aos do melhor atleta humano.

Fator de Cura Regenerativo: Os genes de Sarah aumentaram seu metabolismo, permitindo-lhe curar o tecido danificado muito mais rápido e mais extensivamente do que um humano normal é capaz.

Inteligência superdotada: Sarah aparentemente recebeu capacidades mentais aprimoradas e talentos criativos, dos genes de seu pai, concedendo-lhe uma inteligência talentosa. Deve-se notar que ela foi considerada "a inteligente" dos gêmeos por Norman.

Habilidades

Habilidades de Combate: Sarah teve algum treinamento em combate corpo-a-corpo antes de tentar matar Peter Parker, e presumivelmente teve mais depois de entrar para a Interpol.

Fraquezas

Fator de Envelhecimento Rápido: Antes de receber uma transfusão de sangue de Peter Parker, Sarah envelheceu a uma taxa muito mais rápida do que os humanos (envelhecendo fisicamente cerca de 2 a 3 anos em um ano cronológico).

Tipo sanguíneo incomum: Seu corpo é incapaz de aceitar transfusões de sangue de humanos normais.


Notas

No esclarecimento do Brand New Day, não se sabe se Sarah continua a existir. Ela não foi especificamente mencionada. 

Seu irmão Gabriel misteriosamente retornou para derrubar Harry Osborn como legítimo herdeiro do legado de Osborn, mas Sarah nunca foi mencionada.

Trivialidades

O sobrenome de Sarah nunca foi oficialmente revelado. É possível que seja de sua mãe, de seu pai biológico ou de seu suposto pai, mas supõe-se que seja de sua mãe."

A HISTÓRIA DO HOMEM-ARANHA NOS QUADRINHOS

Encontrei um texto contando toda a história da criação do Homem-Aranha de 2011 e o porei abaixo. Lembrando que nenhuma fonte deve ser considerada completa sozinha sobre assunto algum, no caso deste texto, duas coisas que podemos notar de cara é que falta a parte inicial real onde Peter não existia, quando o Homem-Aranha era de fato uma aranha que virava humana por causa da radiação, foi assim que o herói nasceu. Peter só foi colocado na estória depois, a fim de conquistar mais fãs e foi uma grande sacada. Do mesmo modo as Tartarugas Ninja não tinham um humano chamado Hamato Yoshi como aparece na versão adolescente do desenho: "Teenage Mutant Ninja Turtles": (...) Mestre Splinter ou simplesmente Splinter, é um personagem fictício da banda desenhada Teenage Mutant Ninja Turtles e de toda a media relacionada. Criado por Kevin Eastman e Peter Laird, apareceu pela primeira vez em Teenage Mutant Ninja Turtles #1 (Maio de 1984).

Splinter é o rato mutante sensei e pai adotivo das Tartarugas Ninja, treinado no Japão na arte do Ninjutsu pelo seu dono e mestre, Hamato Yoshi

Splinter tem três histórias de origem, dependendo da media onde é usada. Na versão original, era animal de estimação de Yoshi, noutras versões é ele mesmo Yoshi, mas em todas acabou por sofrer a mutação para um rato de tamanho humano. Noutra versão é um rato mutante sem qualquer ligação a Yoshi.(...)"
Outra coisa interessante é que no desenho "O espetacular Homem-Aranha", que passava na TV nos anos 90, o Peter de 8 braços em vez de 8 tem 6 braços e isso é chamado de "a maldição aranha", e Peter chega a se transformar em uma aranha e é perseguido pela sua tia até cair na pia e ir parar no esgoto, onde vira uma aranha gigantesca que é perseguida pelo exército. A maldição aranha é transferida para o Escorpião, e o Homem-Aranha ainda fica com os poderes do Escorpião agregados aos seus, super-força e super velocidade; hoje em dia esta parte é esquecida.

Outra coisa que vale a pena lembrar é que Gwen morre porque Stan Lee queria mesmo era que a namorada do Spider fosse a ruiva Mary Jane e não a loira.

Uma outra diferença é que no desenho animado da TV por maior fã o Spider-Man tem uma garota de uns 9 anos em vez de um garoto de 11 com câncer e existe a figura clássica da Madade Teia também.


Vamos ao texto: 

"A História do Homem-Aranha nos quadrinhos (Parte 01) Publicado: 01/10/2011 por Márcio Alexsandro Pacheco em Artigos, Quadrinhos (Comics)

Você fã do Homem-Aranha ou que simplesmente simpatiza com o aracnídeo ou gosta de quadrinhos, aqui está uma super matéria recheada de informações, curiosidades e os bastidores da vida do herói nos quadrinhos, desde a sua criação até os dias de hoje (essa é a primeira parte). Como o quarto filme da franquia está chegando e ela mostrará justamente essa fase do início de carreira do Aranha, esse texto vai ser como uma boa fonte de informações para comparação ao filme (estamos todos aguardando ansiosos pela Gwen Stacy!). O texto foi feito pelo Irapuan Peixoto, do blog HqRock (há outras matérias de quadrinhos bem interessantes no blog).


O Homem-Aranha está sempre em evidência: suas histórias estão sempre entre as de maior sucesso; sua trilogia no cinema está inteira no Top 10 das maiores bilheterias de filmes de super-heróis, ocupando a segunda, terceira e quarta posições; e uma nova série de filmes irá começar, estreando em 2012. Nos quadrinhos, sua casa original, o “amigão da vizinhança” também sempre foi sucesso e evidência e sua trajetória nesta mídia serve de parâmetro para toda a indústria dos comics. O HQRock traz uma série de posts que irão contar essa história, do ponto de vista editorial e cronológico.

Criação Polêmica

Em meio às dezenas de novos personagens, heróis e vilões saídos da mente de Stan Lee e ocupando as revistas Fantastic Four, Hulk, Thor, Tales of Suspense, Tales to Astonish, Strange Tales, Amazing Adult Fantasy e várias outras publicadas pela Marvel Comics em 1962, o Homem-Aranha foi um grande destaque.


A ideia original para a criação partiu de Lee. Ele concebeu um novo personagem que fosse diferente dos demais: mais humanizado, uma pessoa normal, com problemas comuns como falta de dinheiro, problemas familiares, só que em meio a tudo isso, tivesse superpoderes e combatesse o crime. E também não fosse um cara popular, mas perseguido no colégio, sem sorte com as mulheres, não fosse extremamente bonito nem musculoso. Por fim, o fato de ser um adolescente também era um novidade, afinal, os heróis eram sem exceção pessoas adultas. Os adolescentes eram apenas sidekicks ou “parceiros mirins“, como aqueles da concorrente DC Comics (Robin, Kid Flash, Moça-Maravilha etc.). Pronto, o maior filão do personagem estava estabelecido. Depois, decidiu que o personagem deviase chamarSpider-Man e tivesse os poderes relativos a uma aranha: escalava paredes, poderia levantar dezenas de vezes o próprio peso e teria grande agilidade.

Mas desde o início, o personagem enfrentou problemas para ser lançado. O dono da Marvel, Martin Goldman, não gostou da nova ideia, pois as aranhas são animais terríveis que as pessoas detestam e isso iria influenciar o gosto delas pela personagem. Porém, Lee conseguiu uma chance (afinal tinha emplacado várias revistas de boa vendagem): poderia lançar essa nova criação em uma revista que estava com a data de cancelamento marcada: Amazing Fantasy, que publicava histórias de fantasia e estava com baixas vendas.

Para desenhar e desenvolver o seu novo personagem, Lee contatou o companheiro Jack Kriby, seu parceiro na criação de Quarteto Fantástico, Thor e Hulk, e Kirby começou a desenhar a história, um conto previsto para ter apenas oito páginas.


Existe muita controvérsia sobre quem fez o que no momento da criação. O certo é que ao examinar as primeiras páginas desenhadas por Kirby, Lee não gostou do que viu: o Homem-Aranha estava musculoso demais e a história escrita pelo desenhista fugia do propósito original. Alguns dizem que tratava-se de uma ficção científica nos moldes do Lanterna Verde da DC. Por sua vez, Kirby se baseou em outros dois personagens que havia criado anos antes, chamados The Silver Spider e The Fly, de onde retirou características como os poderes relacionados a insetos e até a história de um órfão criado por um casal de tios idosos.

Lee queria modificar o material, todavia, naquela altura, Kirby não podia mais voltar atrás, afinal, já desenhava outros títulos e não tinha mais tempo para desenhar a história antes da última edição de Amazing Fantasy. Então, Lee repassou o trabalho para outro desenhista: Steve Ditko.


Os fãs disputam quem criou o uniforme do Homem-Aranha, se Ditko ou Kirby. O primeiro afirmou que o uniforme criado por Kirby era uma malha tradicional de super-herói, inclusive com botas de bucaneiro (uma de suas marcas) e capa, além de usar uma pistola. Ditko disse que criou o uniforme expressivo do personagem, mas a dúvida permanece, já que a capa da primeira revista com a aparição do Homem-Aranha foi feita por Kirby, com o herói segurando um bandido nos braços enquanto se balança em sua teia. Além disso, nas poucas vezes em que desenhou o aracnídeo, Kirby fazia o uniforme com algumas distinções: no traço original de Ditko as teias desenhadas no peito deixavam um quadrado em aberto dentro do qual se localizava o símbolo da aranha negra, enquanto na versão de Kirby a aranha está por cima das teias como se desenha até hoje; os olhos da máscara do herói também eram ligeiramente diferentes.

De qualquer forma, o Homem-Aranha teve a sua primeira história publicada na revista Amazing Fantasy 15, de agosto de 1962, a última edição dessa revista. Ironicamente, essa foi a revista da Marvel que mais vendeu naquele ano. E a criação do personagem é creditada tradicionalmente a Lee e Ditko apenas.

Um herói diferente

Lee e Ditko criaram Peter Parker como um nerd que sofre bullying na escola. Flash Thompson e Liz Allen à esquerda. A morena é Sally.

Naquela primeira história, o jovem estudante colegial Peter Parker é picado por uma aranha que, acidentalmente, foi bombardeada por radioatividade, durante uma exposição de ciências. Com o passar do tempo, o jovem passa a desenvolver as habilidades de uma aranha verdadeira: possui superforça, dá enormes saltos e pode escalar as paredes, além de ter um sexto sentido que lhe alerta dos perigos.

Empolgado com as novas habilidades, cria a identidade de Homem-Aranha e passa a se apresentar em programas de TV como uma sensação. O sucesso é imediato. Num dia, porém, ele deixa escapar da emissora um ladrão que a assaltou, por dizer que o problema não era dele.

Pouco depois, seu tio Ben Parker, que o criou como se fosse um filho (Peter é órfão), é assassinado pelo mesmo ladrão que ele havia deixado fugir. Daí, ele se lembra da máxima do tio: “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Então, passa a se dedicar ao combate ao crime, enquanto cuida de manter sua identidade secreta, para poupar a sua Tia May, viúva de Ben, que é toda a família que lhe resta. Além disso, ela é doente do coração e qualquer choque lhe pode ser fatal. A história curta de oito páginas em que isso ocorre tornou-se um grande sucesso.

Amazing Fantasy tem data de capa de agosto de 1962, então, demorou alguns meses para Stan Lee perceber o sucesso que ela havia sido. Quando chegaram os relatórios de vendas, ficou evidente que era necessário criar mais histórias do jovem aracnídeo. E Lee decidiu fazer isso em grande estilo: criando uma revista própria para ele. Mas a Marvel era uma editora pequena e não tinha uma distribuidora própria, tendo, portanto, um limite de alguns títulos mensais. Por isso, a revista The Incredible Hulk foi cancelada em seu sexto número para dar lugar à casa do escalador de paredes. Com isso, The Amazing Spider-Man 01, chegava às bancas com data de capa de março de 1963, sete meses após sua estreia.

Para não ter uma surpresa desagradável, Lee não arriscou e, na capa da nova revista, colocou o Quarteto Fantásticofazendo uma participação especial, para que os leitores deles se interessassem também pela nova e as vendas aumentassem.

Ditko criou o visual de quase todos os vilões clássicos do Homem-Aranha.

A Fase de Lee e Ditko

A primeira fase do Homem-Aranha foi dedicada a criar seu universo ficcional e um dos períodos mais profícuos do personagem, cheio de momentos clássicos. A influência desse trabalho em outros artistas (contemporâneos e futuros) também foi enorme. A dupla Stan Lee e Steve Ditko escreveu as primeiras 38 edições da revista Amazing Spider-Man, publicadas entre março de 1963 e maio de 1966, mais duas edições anuais (em 1965 e 1966, respectivamente).

Boa parte dessas histórias apresentou as primeiras aparições dos grandes vilões do Homem-Aranha: Camaleão, Consertador, Abutre, Dr. Octopus, Lagarto, Electro (numa aventura que traz de brinde um confronto entre o Aranha e o Tocha Humana), Mysterio, Duende Verde, Kraven e Homem-Areia, sem contar os confrontos com vilões da Marvel que já existiam, como Dr. Destino (o arquiinimigo do Quarteto Fantástico, que fez outra participação especial), Cabeça de Ovo e o Circo do Crime (este em uma aventura conjunta com o recém-criado Demolidor). Tudo isso somente nas 18 primeiras edições de Amazing. Depois, outros vilões clássicos continuariam a surgir, como Escorpião, Magma, Smithy e os Esmaga-Aranha etc.

O Abutre era outro vilão bastante recorrente.

Outros personagens incluídos nessa época foram: o eterno antagonista J. Jonah Jameson, editor-chefe do Clarim Diário, que destila veneno contra o balançador de teias em seus editoriais; Betty Brant, a primeira namorada de Peter Parker, mais velha, era a secretária de J.J.J.; Flash Thompson, o galã do colégio Middletown onde Peter estuda e é o cara que inferniza a sua vida, ao mesmo tempo em que é o maior fã do herói aracnídeo; e Lizz Allen, a musa do colegial, namorada de Thompson e que depois se interessaria por Parker.

Vale lembrar que Peter passa a fotografar a si mesmo (ou seja, o Aranha) para ganhar dinheiro e ajudar sua Tia May e sempre acaba vendendo as fotos para Jameson, no Clarim. É no Clarim onde ele também encontra seu rival pelo amor de Betty: o repórter especial enviado à Europa Ned Leeds.

Entre 1964 e 1966, o Duende Verde se notabiliza como o principal inimigo do Aranha, sendo o “campeão” absoluto de aparições: cinco confrontos nos 40 primeiros números – sendo que vários deles se estenderam por duas edições seguidas. Parte do apelo do personagem era que, ao contrário de todos os outros vilões, que tinham suas histórias detalhadas, ninguém sabia nada sobre o Duende Verde: sua identidade era secreta. Lee e Ditko viviam provocando os leitores com cenas em que o criminoso tirava a máscara nas sombras e não se podia ver seu rosto. Além disso, o constante envolvimento do Duende com o crime organizado – seu objetivo era controlar as quadrilhas de Nova York – alimentavam o gosto por histórias policiais e de mistério de Ditko, possibilitando que as aparições do vilão, não raro, eram algumas daquelas que tinham as melhores tramas.

O Sexteto Sinistro surge em “Amazing Spider-Man Annual 01”, de 1964.

Curiosamente, apesar de sua popularidade, o Duende Verde não fez parte do Sexteto Sinistro, grupo que reuniu os “principais vilões” do Aranha: Dr. Octopus, Homem-Areia, Abutre, Mysterio, Kraven e Electro; reunidos pelo primeiro para derrotar o Aranha de uma vez por todas. Na história publicada em Amazing Spider-Man Annual #01, em 1965, o aracnídeo luta com cada um separadamente e vence todos.

O Dr. Octopus era o “segundo” pior vilão e é protagonista daquela que é considerada uma das mais clássicas histórias do Homem-Aranha. Em Amazing 33, o vilão rouba um isótopo radioativo que é a única cura para uma rara doença que acomete a Tia May; obrigando o Homem-Aranha a persegui-lo loucamente. No fim das contas, o herói termina soterrado sob toneladas de metal e água, mas reúne todas as suas forças para erguê-las e tentar salvar sua tia. A dramacidade dos diálogos de Lee e dos desenhos de Ditko criaram um grande momento. Conta a lenda que, quando Lee viu os desenhos de Ditko pela primeira vez, teria lhe dito: “você acaba de criar a mais famosa sequência de quadrinhos da história”.


A capa de “Amazing Spider-Man 33” e a primeira parte da sequência…

… que muitos consideram o melhor momento de Ditko na revista.


Harry Osborn e Gwen Stacy unem-se a Flash Thompson: mudanças no elenco por Steve Ditko e Stan Lee.

Não muito depois disso, essa primeira fase se encerrou por dois fatos marcantes: um cronológico e outro editorial. No campo cronológico, Peter Parker encerra o colegial e adentra na (fictícia) Universidade Empire State, juntamente com seu “rival” Flash Thompson, deixando personagens como Liz Allen de lado em favor dos novos colegas Harry Osborn e Gwen Stacy.

Além disso, Lee apresenta um Parker ligeiramente mais maduro, mais autoconfiante, o que se reflete na sua relação com as mulheres. Primeiramente, houve uma cômica rivalidade entre Betty Brant (a mulher mais velha, responsável, independente) e Liz Allen (a musa do colegial). Embora Peter Parker estivesse namorando firme Betty, sempre sofria “investidas” da segunda, o que lhe colocava em apuros no seu namoro.

Depois, a situação ainda ficaria mais complicada. Com o fim do colegial e a entrada na faculdade, Lizz Allen sumiu do mapa, mas Parker se viu envolvido com outras garotas. Mas aí já é outra fase…

O Duende Verde combate o Mestre do Crime na arte de Steve Ditko: disputas pela identidade do vilão.

O motivo editorial que encerra essa primeira fase é o confronto “final” entre o Homem-Aranha e o Duende Verde.

Ao iniciar o ano de 1966, as discordâncias entre Lee e Ditko começaram a aumentar. Além disso, a editora Charlton fez a Ditko uma oferta irrecusável, de criar seus próprios personagens e desenvolvê-los. Ele aceitou a proposta e ainda naquele ano estreou as novas versões do Besouro Azul e do Capitão Átomo (heróis criados nos anos 1940) e um herói novo: o Questão. Apesar do sucesso inicial, depois houve uma queda nas vendas. A Charlton, por sua vez, seria comprada pela DC Comics nos anos 1970 e seus personagens (Besouro Azul, Capitão Átomo, Starman, Questão etc.) incorporados ao seu universo. O Besouro Azul, por exemplo, entre as décadas de 1980 e 90 ficaria mais ou menos conhecido por atuar na Liga da Justiça, durante várias fases seguidas. Além disso, os personagens da Charlton inspiraram a obra Watchmen de Alan Moore, de modo que o Coruja é o Besouro Azul, Dr. Manhattan é o Capitão Átomo e Rorschach é o Questão.

Voltando aos anos 1960, Lee e Ditko há tempos discutiam quem seria o Duende Verde. Isso mesmo: os próprios autores não tinham definido a identidade do vilão, jogando para o leitor inúmeros suspeitos, o principal deles era Fred Foswel, que já havia agido como o Chefão do Crime ou Maioral (de acordo com a tradução do original The Big One) e que, supostamente, havia se regenerado e trabalhava como repórter policial no Clarim Diário. Outro suspeito, pelo menos na cabeça da dupla produtora, era o também repórter do Clarim Ned Leeds, “rival” de Peter pela mão de Betty Brant. A identidade do Duende Verde é apontada pelos historiadores como o principal ponto da ruptura entre Lee e Ditko. Alguns afirmam que o desenhista preferia Leeds, enquanto outros dizem que o artista defendia que o vilão fosse uma pessoa desconhecida, pois assim era o “mundo real”. (De qualquer modo, essa estratégia foi usada anteriormente com o Mestre do Crime, um mascarado rival do Duende Verde, que ao ter sua máscara retirada é um total desconhecido do público e dos outros personagens).

Norman Osborn e seu filho Harry por Steve Ditko.

Como Ditko nunca teceu comentários precisos sobre o tema, já que tem uma vida totalmente reclusa, e Lee em suas abundantes entrevistas só trata do tema de forma evasiva, não se sabe ao certo o que ocorreu.

O fato é que Amazing Spider-Man 38, de 1966, é a última edição assinada pela dupla. Nela, enquanto o Homem-Aranha confronta um novo vilão, o Destruidor, vemos o empresário Norman Osborn, pai de Harry Osborn, colega de Peter na universidade, contratando um grupo de criminosos para “pegar” o Homem-Aranha.

Embora, Harry já tivesse aparecido vários meses antes, Norman surgira na edição anterior, a de n.º 37, quando o Aranha tem que salvá-lo das mãos do Dr. Mendell Stromm, o Mestre dos Robôs, um ex-sócio de Osborn. Este havia “passado a perna” em Stromm para ficar com a empresa para si, levando-o à prisão por sonegação fiscal. Agora, Stroll estava livre e disposto a se vingar. Mas, no fim da história, enquanto o escalador de paredes confronta Stromm, misteriosamente, alguém dispara uma arma e mata o vilão. Na edição seguinte, a 38, fica subtendido que Osborn fez isso.

Ditko, então, encerra sua passagem no Homem-Aranha, embora Stan Lee ainda tenha continuado a escrever as histórias por muitos anos. Ditko, além da rápida (mas marcante) passagem na Charlton, iria para a DC Comics, em 1968, onde criaria novos heróis, como o Rastejante e a dupla Rapina e Columba e só regressaria à Marvel no fim dos anos 1970.

Enquanto isso, o destino reservava ainda mais glória ao personagem de Norman Osborn.

A chegada de John Romita

A icônica primeira capa de John Romita: o Duende Verde descobre a identidade do Homem-Aranha em “Amazing Spider-Man 39”, de 1966.

A edição Amazing Spider-Man 39 chegou às bancas em agosto de 1966 e trouxe um grande estardalhaço por dois motivos: em primeiro lugar, uma icônica capa em que o Duende Verde aparece em seu jato carregando um Peter Parker amarrado, com as roupas civis rasgadas revelando seu uniforme; em segundo, pela mudança do desenhista da revista e o crédito ocupado por John Romita, uma futura lenda, mas no momento, um mero desconhecido.

A trama da revista era tão bombástica como a capa: o Duende Verde contrata uma série de bandidos para emboscar o Homem-Aranha, jogando uma bomba nele; o explosivo gera fumaça e nenhum efeito; bandidos presos, o herói sai e vai a um beco trocar de roupas; o leitor fica sabendo que o composto neutralizou o famoso “sentido de aranha” que alerta Peter Parker quando há um perigo eminente, e por isso, do alto de seu jato, o bandido acompanha o herói tirar a máscara e entrar no prédio do Clarim Diário; por meio de microfones de alta precisão, descobre que o nome do garoto é Peter Parker; pronto, temos o primeiro entre todos os vilões a descobrir a identidade secreta do Homem-Aranha.

Peter Parker e Norman Osborn frente a frente pela primeira vez. Arte de John Romita.

E não termina aí. O Duende o segue até sua casa e, chegando lá, se revela e o derrota facilmente. Levando-o a um esconderijo e prestes a matá-lo o Duende é contaminado por um sentimento de autoconfiança exagerada e termina revelando a sua própria identidade: Norman Osborn. O problema é que Parker o conhece: ele é o pai de seu colega de faculdade, Harry Osborn. Uma tragédia se anuncia e a edição termina.

No número seguinte, conhecemos a origem de Osborn, como ele descobriu uma fórmula de Stromm e, ao tentar produzi-la, explodiu em seu rosto, tornando-o mais inteligente, mais forte e mais louco. Um selvagen confronto entre os dois se estabelece e Osborn termina eletricultado, de maneira que sofre de amnésia e esquece que foi o Duende Verde.

As duas edições compõem não somente a estreia da nova dupla, Stan Lee e John Romita, como é um dos marcos mais importantes da cronologia do Homem-Aranha. Mas nem tudo eram flores.

Os leitores da Marvel reagiram furiosamente à saída de Ditko e demorou algum tempo para Romita ser aceito, embora seu traço clássico, charmoso e bonito já destacasse desde o início.

Descendente de italianos, John Romita tinha 36 anos quando assumiu a revista do Homem-Aranha. Apesar de jovem, já era um experiente desenhista no mercado de quadrinhos. Iniciou a carreira nos anos 1950, fazendo cartuns de publicidade e a estreia nas HQ se deu em 1953, quando desenhou o retorno mal-sucedido do Capitão América, numa série de histórias escritas por Stan Lee. Romita, no entanto, continuou trabalhando para várias editoras, particularmente em romances adolescentes. (Veja um velho post do HQRock sobre a carreira do artista). Em fins de 1964, voltou aos super-heróis, tornando-se o desenhista da revista do Demolidor. O trabalho gráfico de Romita agradava imensamente Stan Lee, o que lhe colocou como escolha única para substituir Ditko, quando este se desligou da Marvel. Porém, o traço de Romita era totalmente diferente do de Ditko, o que lhe causou problemas, no início, com os fãs da revista. Entretanto, a arte dinâmica e precisa, junto com o carisma que impregnava aos personagens logo o tornaria o maior de todos os desenhistas pelos quais o Homem-Aranha foi desenhado.

A longa fase em que Romita desenhou o Aranha coincidiu com o período em que a revista Amazing Spider-Man se tornou o maior sucesso de vendas da Marvel, destronando a – até então imbatível – Fantastic Four.

Ampliando o universo do Aranha

A sequência em que Peter Parker…

… encontra Mary Jane Watson pela primeira vez. A arte de Romita valoriza os traços femininos.

Nesta fase, Parker estava na faculdade e, inicialmente, ficava dividido entre três mulheres (um exagero para época!): a antiga namorada Betty Brant, a colega de faculdade Gwen Stacy e (a sobrinha da amiga de sua tia) Mary Jane Watson. Esta personagem já havia sido “sugerida” diversas vezes ao longo do tempo, quando a Tia May e sua vizinha,Anna Watson, tentavam arranjar um encontro entre os dois sobrinhos. Mas apesar da “presença física”, nunca se mostrava o rosto da garota, como maneira de manter o mistério. Parker, por algum motivo, pensava que ela era muito feia. Mas em um momento histórico, em Amazing Spider-Man 41, John Romita finalmente revelou sua aparência, como uma belíssima garota ruiva, a “mulher mais bela” que Peter já havia visto na época.

Romita também deu outro tipo de beleza a Gwen Stacy, que se tornou a nova namorada de Peter Parker.

Com essa introdução, a dinâmica interna das histórias do Homem-Aranha mudaram bastante. As desventuras de Peter Parker se tornaram tão interessantes quanto as do Homem-Aranha. Ajudado pelo belo traço de Romita, a convivência do rapaz com duas jovens meninas, Gwen Stacy e Mary Jane Watson, e a maneira como elas se provocavam e disputavam a atenção do rapaz eram hilariantes e mais próxima dos “novos tempos” dos anos 1960. Sob o traço de Romita, os personagens interagiam muito mais com a sua época: a política, os movimentos estudantis, o novo comportamento da juventude e até as drogas passaram pelas páginas da revista.

Para simbolizar a recém-adquirida independência da juventude em âmbito global, Peter Parker finalmente deixava de morar sob o teto de sua Tia May, em Forrest Hills, no subúrbio de Queens, para ir dividir um apartamento com Harry Osborn em Manhattan, mais próximo da principal área de atuação do Homem-Aranha. Outro elemento desse mesmo aspecto estava quanto ao comportamento das personagens femininas. Mary Jane era o protótipo na “nova garota”: liberal e extrovertida. Foi com ela que Parker inicialmente se envolveu, mas os seus “sumiços” terminaram por impossibilitar um romance. Com o tempo, Peter se ligaria à doce Gwen Stacy, enquanto Mary Jane ficaria com Harry, numa legítima “troca de casais”! Já Gwen, apesar de mais meiga e contida do que Mary Jane, também mostrava possuir atitude, lutando pelo coração de Peter até conseguir namorá-lo.

O “trio maravilha”, MJ, Peter e Gwen: anos 1960 na pauta.

Falaremos das drogas mais tarde, mas a política também se tornou uma constante nas histórias, particularmente, nas cenas envolvendo o campus universitário. Os direitos civis também invadiram este universo, e Lee e Romita criaram um “núcleo afrodescedente” pela primeira vez em uma revista de primeira linha. Incluíram o personagem Joe “Robie” Robertson como Editor de Cidades do Clarim Diário, como uma voz bondosa e íntegra para contrabalançear a figura irrascível (e cômica) de J. Jonah Jameson. O filho dele, Randy Robertson, também aparece, como um colega de universidade de Peter, Gwen, Harry e MJ. E Flash Thompson, personagem que acompanha a revista desde o início, torna-se um soldado que vai lutar no Vietnã.

O Rei do Crime surge como o novo opositor do Aranha. Capa (sem cores) de “Amazing Spider-Man 69”.

Enquanto isso, isso o Aranha continuava se envolvendo com os seus velhos inimigos e muitos outros novos surgiam. O principal deles foi o Rei do Crime (surgido em Amazing Spider-Man 50), que tornaria-se o maior gangster de Nova York. A dupla Lee e Romita escreveu várias histórias tendo o novo vilão como principal opositor do Aranha que são ótimos contos policiais, mostrando como Wilson Fisk ampliava sua rede de poder, colecionava inimigos e, por fim, se tornava o chefe-supremo do crime organizado. Escreveram uma espécie de trilogia sobre o maior de todos os gangsters, mostrando sua ascensão e queda.

No primeiro capítulo, a ascensão do criminoso; no segundo, mostraram uma saga na qual o Rei do Crime e o Cabelo de Prata (um envelhecido chefe criminoso) disputam uma tabula ancestral que teria uma fórmula da juventude inscrita, numa série de histórias nas quais John Buscema e Jim Mooney ajudaram Lee e Romita nos desenhos e textos. Na terceira parte, mostraram a ascensão de um chefe criminoso chamado Planejador que tinha como missão destruir o reinado de Wilson Fisk. No final da trama, o Rei acaba descobrindo que o tal chefe é na verdade o seu próprio filho, Richard Fisk, que – estudando na Europa – descobriu que o pai era um criminoso e decidiu acabar com ele. A descoberta leva o Rei a um estado catatônico e ao seu desaparecimento por muitos anos.

Outro exemplo da arte icônica de John Romita: capa de “Amazing Spider-Man 75”, com a volta do Lagarto.

Lee e Romita processaram uma das melhores fases do Homem-Aranha, emendando histórias cheias de ação com tramas envolventes. Além do Rei do Crime, outros vilões apareceram: Rino, Shocker, Cabelo de Prata, Gatuno, o segundo Abutre e o Canguru. Os inimigos do passado também retornavam, havendo confrontos com o Dr. Octopus, Lagarto, Duende Verde e Electro. Merece destaque a trama em que a Tia May conhece o Dr. Octopus e pensa que ele é um sujeito descente, chegando quase a ter uma relação amorosa.

Em 1968, Stan Lee tentou dar ao Homem-Aranha uma segunda revista, chamada The Spectacular Spider-Man, com um direcionamento mais adulto, com mais páginas, capas pintadas a óleo e o miolo em preto e branco, no formato magazine. O próprio Romita as desenhou, mas a empreitada não surtiu os efeitos de venda esperados. Para a edição n.º 02, então, Lee mandou colorir a história, mas as vendas não foram o esperado. Este número dois, inclusive, trazia um dos melhores confrontos entre o Homem-Aranha e o Duende Verde: Norman Osborn fica sabendo por seu filho que Peter é bom em ciências e lhe oferece um emprego, mas termina relembrando que é o Duende Verde e a tensão entre eles aumenta em um jantar no qual estão Harry, Gwen e Mary Jane. A história foi tão boa que ganhou, depois, uma republicação dentro de ASM para que um maior número de leitores a conhecesse.

Capa pintada de “Spectacular Spider-Man 02”: história excelente, vendas nem tanto. Mesmo assim, talvez o melhor confronto entre o Aranha e o Duende.

Tramas mais adultas

Aproximava-se o fim dos anos 1960 e a “inocência” dos tempos idos se esvaía. Com isso, as tramas de Lee e Romita começavam a se tornar mais “duras” e os fãs iriam enfrentar uma fase de grandes choques narrativos.

Primeiramente, em Amazing Spider-Man 90, em 1970, veio a morte do capitão de polícia George Stacy, pai de Gwen. Durante uma luta do Aranha contra o Dr. Octopus, o capitão Stacy salva uma criança do desabamento de um prédio, mas é soterrado. A imprensa e a opinião pública (Gwen, inclusa) passam a culpar o aracnídeo pelo ocorrido, a polícia – que já não gostava dele – tem mais um motivo para persegui-lo, mas não chega a ser aberto um processo, embora ele seja oficialmente intimado a depor.

Luta com o Dr. Octopus na estreia de Gil Kane como desenhista do herói.

Na sequência de histórias da morte de Stacy, John Romita cedeu, temporariamente, os desenhos para Gil Kane. Este era um artista veterano que fizera sucesso na DC ao ser um dos criadores da nova versão do Lanterna Verde (junto ao escritor John Broome). Kane ilustrou a revista Green Lantern de 1957 a 1969, quando se mudou para a Marvel, onde trabalhou com Hulk, Capitão Marvel e Homem-Aranha. Na verdade, John Romita estava organizando sua saída do título aracnídeo e Stan Lee decidiu alternar os desenhos dos dois criadores para criar uma substituição menos traumática do que a de Ditko.

Harry Osborn sofre em uma viagem de drogas em um painel “viajante” de Gil Kane. Abalando os quadrinhos.

Enquanto isso, nas tramas, a morte de George Stacy provocou um abalo forte no romance com Gwen, que passa a cobrar mais a presença de Peter, ao mesmo tempo em que vai desenvolvendo um ódio mortal pelo Aranha. Por fim, ela acaba abandonando Peter e indo morar com seus tios em Londres. Mary Jane passa a se aproveitar da ausência dela para, descaradamente, “dar em cima” de Peter, o que perturba seu namorado Harry, que termina se envolvendo com drogas.

Capa de “Amazing Spider-Man 98”, sem o Código de Conduta dos Quadrinhos.

A Amazing Spider-Man 97, de 1971, foi um dos momentos mais marcantes na história dos quadrinhos norteamericanos, porque rompeu com o Código de Ética que regulamentava o mercado e só autorizava a publicação de edições que continham sua aprovação, o Comics Code Authority (CCA). Como a revista trazia personagens se drogando (inclusive, um dos protagonistas – Harry Osborn), não recebeu o selo de aprovação, não importando que a história trouxesse uma mensagens contra as drogas. Apoiado pelo diretor Martin Goldman, Stan Lee levou a idéia à frente e essa foi a primeira edição de super-heróis americanos a ser publicada sem a aprovação do selo desde que este fora criado, nos anos 1950.

Na trama em três partes, Norman Osborn se lembra que é o Duende Verde e ataca o Homem-Aranha, que devolve Osborn à sua condição “normal” mostrando o estado doente em que Harry se encontra. Enquanto o primeiro capítulo foi desenhado por John Romita, os dois últimos foram as primeiras edições em que Gil Kane atuou como o novo desenhista oficial do Homem-Aranha. Embora seus personagens fossem menos “carismáticos” do que os de seu predecessor, Kane tinha uma grande habilidade de trazer novos ângulos para seus enquadramentos, o que era um prato cheio para mostrar o escalador de paredes em ação. O olhar dos personagens de Kane também são muito expressivos e ele sabia explorar isso. Mas Stan Lee notou que alguns fãs estranharam o traço um pouco mais “exótico” de Kane, de modo que, alguns meses depois, Romita passaria a fazer a arte-final das histórias, por vezes mudando algumas coisas para criar um ambiente mais familiar ao leitor.

Peter Parker sofre por Gwen tê-lo deixado. Os fãs estranharam a arte exuberante de Gil Kane.

O motivo da saída de Romita do título era que ele passara a ocupar o cargo de Diretor de Arte da Marvel, enquanto Stan Lee continuava como Editor-Chefe. No entanto, nessa altura do campeonato, em 1971, a Marvel já não era mais uma editora pequena, e sim, a líder absoluta do mercado de quadrinhos nos EUA. Assim, a dupla Lee e Romita estava cada vez mais ocupada e sem tempo para produzir as histórias do “amigão da vizinhança”, pois o primeiro cuidava de toda a parte criativa da casa, sendo o editor-Chefe, enquanto Romita tinha que supervisar arte de todos os desenhistas, além de ele próprio desenhar as capas de várias revistas e produzir a arte interna de outras, como do Hulk, do Capitão América e dos Vingadores, ocasionalmente.

Lee, por sinal, já havia abandonado praticamente todas as revistas em que estava envolvido. Seu desligamento começou em 1965, quando deixou as revistas Avengers e X-Men a cargo de seu sucessor, Roy Thomas. Gradativamente, foi deixando as histórias do Homem-de-Ferro, Demolidor, Hulk, Capitão América. Em 1970, Lee deixou o Quarteto Fantástico e, em 1971, o Homem-Aranha era a única revista que ainda escrevia. Mas a Marvel estava decidida a transformá-lo em Publisher da editora (o mais alto cargo) e Lee teve que preparar sua saída. Sem um plano bem definido, ele trouxe seu “sucessor oficial”, Roy Thomas para um curta temporada à frente de Amazing Spider-Man.

A capa de “Amazing Spider-Man 101”: Morbius e o Aranha de seis braços.

Thomas era fã de histórias de terror e criou um arco de histórias bizarro (mas de boa qualidade), publicado entre Amazing Spider-Man 101 a 105, na qual Peter Parker pensa em se casar com Gwen Stacy e decide criar uma fórmula que elimine os seus poderes. Numa “referência” ao caso do Lagarto, o experimento termina dotando Peter de mais quatro braços, ficando como um aracnídeo com oito patas. Em seguida, ele encontra um vampiro-humano chamado Morbius e vai atrás do Dr. Curt Connors para curá-lo, mas este se transforma de novo no Lagarto. Enfim curado, Peter embarca para a Terra Selvagem e tem um confronto com Kraven em meio a dinossauros e a Kazar. No fim da história, uma homenagem a King Kong (que há época era apenas o livro ou o filme de 1933), quando um monstro enorme se apaixona pela “mocinha” e termina morrendo.

Uma curiosidade: a saga que se inicia em Amazing Spider-Man 100 (edição comemorativa, marca a saída de Stan Lee e entrada de Roy Thomas) é outro desafio ao Código, porque este proibia o uso de criatura místicas como os Vampiros, porque se pensava que os quadrinhos de horror eram prejudiciais às crianças e jovens. Assim, Thomas e Kane introduzem Morbius, que é um vampiro, mas não no sentido literal da palavra: seus poderes provem da combinação de uma doença rara com um experimento científico malsucedido, ou seja, não há nada de místico e por isso poderia ser publicado. Outro drible no CCA.

Nesse meio tempo, Stan Lee é realmente promovido a Publisher e o cargo de Editor-Chefe vai ser ocupado por Roy Thomas. Este escrevia várias revista e precisa diminuir seu volume de trabalho para se dedicar à nova atividade, de modo que, enquanto treina um substituto, Stan Lee volta a escrever o Homem-Aranha por mais algumas edições. Enquanto Kane vai desenhar o Capitão América, Romita volta ao posto de desenhista, de modo que a dupla Lee e Romita tem o seu último (e fantástico) momento, marcado por histórias interessantes e a arte fantástica do artista em seu auge.

Capa de “Amazing Spider-Man 108”: Stan Lee e John Romita de volta, contando histórias sobre a Guerra do Vietnã.

Entre as últimas histórias da dupla Lee e Romita estava o arco da volta de Flash Thompson do Vietnã, perseguido por uma seita a qual teria ofendido sem querer durante a guerra e marcando a estréia da personagem vietnamita Sha Shan, que seria sua namorada a partir de então. Publicado em Amazing Spider-Man 108 e 109, esse empolgante drama sempre foi apontado por Romita como a sua história favorita dentre todas que trabalhou.

A partir de Amazing Spider-Man 111, os roteiros passaram às mãos de Gerry Conway, um jovem de 19 anos, fã de quadrinhos, que tornou-se o escritor de algumas das revistas de maior sucesso dos Estados Unidos. Este era o assistente a quem Stan Lee vinha treinando já há um ano para substituí-lo e o faria não apenas no Homem-Aranha, mas em outras revistas, como no Quarteto Fantástico.

Encerrava-se, assim, em 1972, a Era Stan Lee, na qual o escritor comandou diretamente não apenas o Homem-Aranha, mas todo o Universo Marvel. Na verdade, embora Lee como Publisher tenha continuado muito envolvido nas aventuras do “cabeça de teia”, o comando criativo caiu nas mãos de uma nova geração, liderada pelo novo Editor-Chefe Roy Thomas e seu colega escritor Gerry Conway."


"A História do Homem-Aranha nos Quadrinhos (Parte 02) Publicado: 01/10/2011 por Márcio Alexsandro Pacheco em Artigos, Quadrinhos (Comics)



O Duende Verde numa pintura moderna de Alex Ross.



Esta é a segunda parte da trajetória do Homem-Aranha nos quadrinhos. Se você não leu a primeira parte, leia aqui.



Esta Parte 02 traz a fase clímax nos anos 1970, a crise na virada para os 1980, uma nova fase de sucesso e os graves problemas editoriais do fim daquela década.



Novos tempos, novo escritor, nova revista


Estamos em 1972. Stan Lee, o principal criador do Universo Marvel, escreveu as histórias do “cabeça de teia” por dez anos quase ininterruptos, mas agora, foi promovido a Publisher da Marvel Comics, o cargo mais alto da editora. Seu posto de Editor-Chefe é ocupado, então, por Roy Thomas, que vinha assumindo várias revistas no lugar do The Man. Com isso, Lee e Thomas treinam um substituto para assumir a revista The Amazing Spider-Man. O sortudo é um rapaz de apenas 19 anos: Gerry Conway. Na mesma época, ele escreveria, também, a outra revista de maior sucesso da editora: Fantastic Four, a casa do Quarteto Fantástico.



Mas antes de falarmos das histórias de Conway, é preciso saber que – enquanto Stan Lee comandava sua última temporada à frente de Amazing Spider-Man (junto ao desenhista John Romita) – a Marvel decidiu ampliar o universo do “amigão da vizinhança”. Stan Lee providenciava para que o Homem-Aranha se tornasse o primeiro personagem da Marvel a possuir duas revistas mensais. Tal prática era comum na concorrente DC Comics, em que personagens como Batman e Superman tinham várias revistas mensais com focos distintos. Lee tentou transpor um pouco disso para a Marvel.



A inspiração direta foi a revista The Brave and the Bold, que mensalmente trazia uma aventura de Batman junto com algum convidado especial. Lee transferiu o mesmo conceito para o Aranha. Então, em março de 1972, chegava às bancas a revista Marvel Team-Up (algo como Equipe Marvel), que, apesar do título, trazia sempre o Homem-Aranha em parceria a convidados diversos do universo da editora, como Hulk, Quarteto Fantástico, X-Men, Vingadores etc. As equipes de criadores também eram sazonais, sendo cada arco de histórias (geralmente duas ou três edições) entregues a artistas diferentes, primeiramente “consagrados”, mas depois, passou a servir, também, como laboratório para novos artistas trabalharem com o aracnídeo ou com outros personagens.




As histórias, geralmente, se passavam à margem da cronologia do personagem, e traziam tanto personagens famosos quanto outros de pouca expressão. A estréia se deu em um encontro do Homem-Aranha com o Tocha Humana (que se tornaria um habitual frequentador), escrito por Archie Goodwin (roteirista que ganhava espaço na editora) e desenhada por Ross Andru, artista vindo da DC (das histórias da Mulher-Maravilha e do Superman) que teria longa passagem pelos títulos do Aranha num futuro breve.



Enquanto isso, em Amazing Spider-Man 111, de 1972, se dava a estreia de Gerry Conway, com orientação direta de John Romita (inclusive nos roteiros), escrevendo verdadeiros clássicos, ao mostrar o Dr. Octopus e o (novo vilão)Cabeça de Martelo travando uma guerra de gangues. Depois de seis edições, Romita passou a fazer somente a arte-final para Gil Kane, que voltava ao título. O trio Conway, Kane e Romita produziu um dos melhores embates do Homem-Aranha contra o Hulk e em seguida, a mais bombástica história que o personagem tivera até ali.




A Morte de Gwen Stacy



Conway, Kane e Romita criaram uma história em duas partes, publicadas em Amazing Spider-Man 121 e 122, em 1973, que abalou as estruturas cronológicas do personagem, mudou o mercado de quadrinhos, enfureceu e entristeceu os fãs, tudo na mesma medida.




Na história, Peter descobre que Harry Osborn está muito doente, devido a uma overdose de LSD. Seu pai, Norman Osborn, passa a culpar Parker pelo estado do filho, achando que é ele quem fornece as substâncias a Harry. O estresse dos negócios e a situação de Harry levam Norman a se lembrar que é o Duende Verde, saindo atrás de Peter e seqüestrando a namorada dele, Gwen Stacy.




No confronto em que tenta reaver a namorada, o Homem-Aranha vê o Duende simplesmente lançá-la de cima da Ponte do Brooklyn. O herói ainda alcança Gwen com sua teia, mas ela quebra o pescoço com a parada brusca. O aracnídeo (e os leitores) ficam em choque! Foi uma morte surpresa, sem anúncios prévios, como é comum. Por isso, o título só aparece na última página: A noite em que Gwen Stacy morreu. Na edição seguinte, o Homem-Aranha sai enfurecido atrás do Duende Verde, encontra um dos esconderijos do vilão e os dois têm uma batalha feroz. Mas no fim, o Norman Osborn termina morrendo vítima de sua própria armadilha: empalado por seu jato contra a parede.




O leitor já percebeu que essa cena foi adaptada de maneira até fiel no primeiro filme Homem-Aranha de Sam Raimi, embora sem a morte da garota (e com a troca por Mary Jane).



Segundo alguns historiadores, a ideia original da morte de Gwen Stacy foi de John Romita, que a sugeriu em uma reunião de pauta com Conway e Stan Lee para o planejamento da revista do Aranha para o ano de 1973. A princípio, Lee não gostou por uma questão de logística: já haviam matado o pai dela há pouco tempo. Porém, o Publisher foi convencido ao perceber que a morte de Gwen abriria o caminho para desenvolver um romance entre Peter e Mary Jane Watson, já que esta era uma personagem mais forte e interessante. Além disso, a relação entre Peter e Gwen estava estacionada e só tinha duas saídas: o término ou o casamento. Ninguém queria casar o Homem-Aranha e terminar o namoro já tinha sido feito antes.




Nunca a namorada de um protagonista havia morrido em uma história em quadrinhos, muito menos de forma tão brutal. Não foram poucos os que pediram que a editora a trouxesse de volta. O impacto da história foi tão forte que esta edição é a mais citada como a passagem definitiva da Era de Prata dos quadrinhos para a Era Bronze. Na primeira, surgiram a nova geração dos heróis da DC (novas versões de Flash e Lanterna Verde, além das reformulações de Superman, Batman e Mulher-Maravilha) e apareceram, também, os heróis da Marvel. A Era de Bronze é marcada por uma seriedade maior das histórias, com conteúdo mais adulto. Duraria até mais ou menos os meados dos anos 1980.




Infelizmente, a edição seguinte, Amazing Spider-Man 123 foi a última que trouxe a dupla imbatível John Romita e Gil Kane nos desenhos, num embate do Homem-Aranha com Luke Cage, novo personagem da Marvel feito na onda do Blaxploitation , ou seja, da emergência da cultura negra nos Estados Unidos, a partir de filmes como Schaft, séries de TV e da música. Era uma forma de apresentar o novo herói para um público maior, técnica que se tornaria constante nas histórias do aracnídeo. Luke Cage fora criado pouco antes por Archie Goodwin e John Romita e foi o primeiro afrodescendente a ter uma revista própria nos quadrinhos.




A partir de então, John Romita se despedia das histórias do aracnídeo para se dedicar “somente” ao cargo de Diretor de Arte da Marvel, que ocupou até se aposentar no final dos anos 1980. Com isso, teve um papel de enorme importância no desenvolvimento da Marvel e na criação de inúmeros personagens e sagas. Um único exemplo: em 1974, o escritor Len Wein queria um novo opositor para o Hulk; Romita desenhou um baixinho de uniforme amarelo, que deveria ser o primeiro super-herói canadense (país em que as revistas Marvel faziam enorme sucesso), enquanto Wein o batizou de um nome impactante – Wolverine.




Romita deixou de desenhar as histórias, entretanto, continuaria a fazer a maioria das capas de Amazing até o início dos anos 1980. Com a saída de Romita, Conway procurou um artista que mantivesse mais ou menos o mesmo padrão de traço dele e de Gil Kane e encontrou a figura em Ross Andru, que já havia sido testado em Marvel Team-Up e também desenhara os Defensores e o Quarteto Fantástico.



A parceria de Conway com Andru estreou em Amazing Spider-Man 125, numa trama onde o filho de J.J. Jameson, o astronauta John Jameson, transforma-se no Homem-Lobo. A dupla também amarrou as conseqüências da morte de Gwen e Norman: Peter e Mary Jane iam se aproximando lentamente; Harry se tornou amargurado e distante e deixou de falar com Peter. Logo, traria muitos problemas.



Enquanto isso, surgia o antiherói Justiceiro em Amazing Spider-Man 129, de fevereiro de 1974, juntamente com o vilão Chacal, que seria o mais importante dessa fase do Aranha. Era um homem misterioso, vestido em uma fantasia imitando o animal que lhe dava nome e tramando uma vingança contra o cabeça de teia por motivos ignorados. O Justiceiro, por sua vez, tivera seu visual criado por John Romita e voltaria a aparecer muitas vezes na revista, até ganhar suas próprias aventuras nos anos 1980. (E três filmes para o cinema, depois disso).




As histórias de Conway e Andru continuariam mantendo a qualidade de suas predecessoras, com o quase casamentoentre o Dr. Octopus e a Tia May e alguns tons de comédia, como o arco sobre o aranhamóvel, um carro maluco para o Homem-Aranha produzido com a ajuda do Tocha Humana. No quesito drama, surgiram novos vilões como o Tarântula em Amazing Spider-Man 135.



Contudo, a mais impactante história dessa fase foi àquela em que Harry Osborn se tornou o segundo Duende Verde. Fica revelado que foi Harry quem tirou o uniforme do corpo do pai para que a polícia não visse e, portanto, sabia que Peter era o Aranha. O trauma da morte do pai, juntamente com as drogas que estava tomando, fizeram com que enlouquecesse e assumisse a identidade criminosa do pai.



Harry investiu pesado contra Peter, explodindo o apartamento em que moravam e quase o matando junto a Mary Jane. Em seguida ao primeiro confronto dos dois ex-amigos, o novo Duende seqüestrou Mary Jane, Flash Thompson e May Parker, ameaçando matá-los com uma bomba. Porém, Harry não possuía os superpoderes do pai e nem a sua habilidade e astúcia, sendo facilmente derrotado pelo ex-amigo. No final da batalha, Harry é preso e acusa Peter publicamente de ser o Homem-Aranha. No entanto, nada acontece por conta do estado mental de Harry, que passa a ser tratado em uma clínica psiquiátrica.



A Primeira Saga do Clone




Na passagem de 1974 para 1975, Gerry Conway estava atolado em cartas de leitores que pediam a volta de Gwen Stacy. Mas ela estava morta e não ia mudar isso. (Ressuscitar dos mortos ainda não era uma prática comum nos quadrinhos, como é hoje). No entanto, o escritor teve uma ideia para satisfazer os leitores, pelo menos temporariamente: fazer um clone dela.



Inicia-se, assim, a primeira Saga do Clone. Na trama mostrada em Amazing Spider-Man 147 a 149, Peter encontra Gwen viva em seu apartamento, enquanto todos (Tia May, Anna Watson…) ficam atordoados com o fato. Isso no exato momento em que Peter e Mary Jane resolvem assumir seu romance. (A história dizia que fazia dois anos que a moça tinha morrido). Em seguida, o repórter Ned Leeds (namorado de Betty Brant) descobre que trata-se de um clone da Gwen original e o Homem-Aranha descobre que o Chacal é o responsável. E o pior, que sabe de sua identidade secreta!



No confronto final, o Chacal se revela o professor Miles Warren (personagem de Lee e Ditko que aparecia na revista desde que Peter entrou na faculdade) e que também fez um clone de Peter Parker. O professor havia clonado Gwen Stacy porque era apaixonado por ela. Peter e Gwen tinham dado amostras de sangue numa das aulas de Warren e o cientista as usou. Totalmente paranóico após a morte da moça, Warren passou a culpar Peter pelo caso e a persegui-lo, terminando por descobrir que o rapaz era o Homem-Aranha.




O vilão, então, coloca dois homens-aranha para brigar na arena de um estádio: um é o verdadeiro e o outro um clone. Mas ambos tem as mesmas memórias e não sabem quem é quem. Enquanto isso, o Chacal prendeu Ned Leeds em uma bomba. Mesmo sem um acordo, os dois Homem-Aranha tentam salvá-lo, mas na última hora, Miles Warren retoma a consciência, se arrepende e tenta salvar Leeds. A explosão ocorre: Leeds é salvo, mas a explosão vitima tanto o Chacal quanto um dos Peter Parker. O clone de Gwen Stacy vai embora sem dizer para onde, o Homem-Aranha joga seu igual falecido em uma chaminé industrial, Peter tenta construir seu relacionamento com Mary Jane e fica com um dilema: ele é o verdadeiro e o clone morreu? Ou ele é o clone e o original morreu? Esta história termina a primeira temporada de Gerry Conway com o Homem-Aranha.



A história que soluciona a questão é a comemorativa Amazing Spider-Man 150, de novembro de 1975, especialmente escrita por Archie Goodwin e desenhada por Gil Kane. Na trama, o Homem-Aranha pede para o Dr. Curt Connors (o Lagarto) fazer exames que comprovem a verdade, mas quando Connors revela que um clone envelhece mais rápido e não tem as emoções bem desenvolvidas, mesmo sem ler o resultado, Peter pensa que um clone não poderia sentir o amor que sentia por Mary Jane e chega a conclusão: ele é o verdadeiro Homem-Aranha.



Homem-Aranha versus Superman




Len Wein foi um dos mais importantes escritores da história dos quadrinhos. Chamou a atenção primeiramente na DC Comics, trabalhando em histórias da Supergirl, Zatanna e, depois, com Superman, Liga da Justiça e criou o Monstro do Pântano em 1971. Terminou por ir para a Marvel, onde contribuiu com Hulk, criou Wolverine e os Novos X-Men (mais Tempestade, Colossus, Noturno e outros) e terminou por suceder Roy Thomas como Editor-Chefe da Marvel, em 1974. Ficou apenas um ano no cargo e o motivo de sua saída foi o mesmo de Thomas: o desgosto pelos aspectos burocráticos e a vontade de voltar a escrever, passando a função para Marv Wolfman.



Assim, em 1975, Len Wein assumiria as histórias do Homem-Aranha. Mas antes, o grande feito de sua época como Editor-Chefe foi o palenjamento do primeiro encontro entre os personagens das editoras Marvel e DC em uma mesma história, articulada durante anos de negociações pelos Publishers de ambas editoras e pelos editores-chefe, Wein e Carmine Infantino. Tudo acertado, ficou decidido que o primeiro encontro se daria entre o Homem-Aranha e o Superman, os dois mais populares de cada casa. A equipe criativa escolhida foi Gerry Conway e Ross Andru por um motivo simples: os dois artistas tinham trabalhado com cada um dos personagens em suas revistas principais. Ainda assim, dizem os historiadores, que Neal Adams deu pequenos retoques nas artes do Superman, enquanto John Romita o fez no Homem-Aranha. A interferência editorial fez a história demorar a ser lançada, só o fazendo em 1976. Mas ainda assim, a edição especial Superman vs. Spider-Man, fez grande sucesso e é um marco na história dos quadrinhos, numa trama que, além dos dois heróis, traz Mary Jane, Lois Lane, J.J. Jameson, Morgan Edge e os vilões Dr. Octopus e Lex Luthor. No futuro, outros encontros entre Marvel e DC ocorreriam.



Temática Social e Minorias em pauta




Em Amazing Spider-Man 151, de 1975, iniciava-se a temporada de Len Wein à frente do Homem-Aranha, enquanto Ross Andru permanecia nos desenhos. Embora tenha se esforçado para manter o pique das excelentes histórias de Gerry Conway, Wein não acertou a mão. Afinal, depois do apogeu (a fase final de Stan Lee e as histórias de Conway), o único caminho restante é a queda, não é mesmo? Embora o sucesso de vendas permanecesse, de fato, há bem poucos elementos marcantes – inclusive em termos de cronologia – da fase de Wein na revista.




Entre estes, a lenta volta de Harry Osborn como personagem coadjuvante (ele estava em tratamento psiquiátrico em uma clínica e não se lembrava de seu passado criminoso), o envolvimento dele com Lizz Allen (velha personagem de Lee e Ditko que havia sido esquecida), que culminaria em um casamento mais tarde; e o casamento de Betty Brant e Ned Leeds. Confrontos com o Rei do Crime e Dr. Octopus, participações especiais dos X-Men (Wolverine e Noturno, ambos criados pelo próprio Wein) e do Justiceiro também não foram “grandes momentos”. Alguns novos vilões surgiram, entre eles, Retalho, numa história com o Justiceiro, que se tornaria o principal inimigo deste no futuro e o oponente do filme Justiceiro – Zona de Guerra, de 2007.




Enquanto isso, a Marvel – agora comandada por Marv Wolfman como Editor-Chefe – decidiu aproveitar a expansão de seu próprio mercado e dar uma terceira revista mensal para o amigão da vizinhança. O nome da revista era Peter Parker: The Spectacular Spider-Man, lançada em dezembro de 1976, e trazendo histórias que tinham pouco peso cronológico e eram escritas pela dupla Gerry Conway (de volta) e Sal Buscema, desenhista que vinha de inúmeros trabalhos na Marvel, como os Vingadores. Assim, ao contrário de Marvel Team-Up, a nova revista se ligava diretamente a Amazing, embora as aventuras de uma nunca atravessassem para a outra – mas faziam referência entre si. Note-se, ainda, que a revista mantinha o mesmo título da tentativa frustrada de 1968, somente com o acréscimo do alterego.



Além disso, é curioso que Sal Buscema não possuía um estilo na linha de Romita, Kane ou Andru, pois seu traço estilizado de linhas quadradas era único, o que confere uma alternativa ao visual do Aranha. Em Spectacular, Conway e Buscema concentraram foco na vida estudantil de Peter e a convivência com minorias étnicas, com negros, latinos e asiáticos, dando espaço para personagens como o Tigre Branco (Hector Ayala, um latino criado por Roy Thomas e George Pérez nas revistas de kung fu da Marvel), Sha Shan (a namorada vietnamita de Flash Thompson), Glory Grant (a bela vizinha afrodescendente de Peter) e inimigos como Tarântula e Morbius.




Com isso, apesar de Spectacular não ser a principal revista do Homem-Aranha, era um marco importante por seu conteúdo social. Além de expor a vida difícil das minorias sociais e o preconceito que sofriam, as tramas abordavam a vida estudantil e temas importantes como as verbas para a universidade e a política de cotas para as minorias. (Lembrem-se, foi a política de cotas que permitiu que o atual presidente Barack Obama estudasse em um universidade).



Depois das primeiras histórias, Sal Buscema continuou nos desenhos, mas os roteiros se alternaram com Archie Goodwin e Bill Mantlo nos números 8-9 e 10, respectivamente, enquanto a dupla Chris Claremont e Jim Mooney cuidou da edição 11. Bill Mantlo era um dos criadores mais populares da Marvel dos anos 1970 e 80, trabalhando com Hulk, Rom e muitos outros, além do próprio Homem-Aranha. Chris Claremont vinha de histórias menores como Miss Marvel e Punho de Ferro, mas na época já fazia fama nas histórias dos Novos X-Men. Por fim, Jim Mooney era velho conhecido: “discípulo” de John Romita (vide similaridade do traço de ambos) tinha trabalhado durante anos como assistente do mestre e como arte-finalista.




Uma personagem com alguma relevância que apareceu nessa período foi a capitã Jean DeWolff, do Departamento de Polícia de Nova York e que vem aliviar um pouco a relação tensa que o escalador de paredes tem com a polícia. Entre a oficial e o Homem-Aranha nasce uma amizade que teria efeitos benéficos para o vigilante. Ela surgira nas mãos de Bill Mantlo e Sal Buscema em Marvel Team-Up 48, de 1976, mas foi mais frequente entre 1977 e 1978, principalmente naquela revista, embora também tenha aparecido em Amazing e Spectacular.



Enquanto isso, em Amazing Spider-Man, o maior destaque da passagem de Lein Wein pela revista foi o arco dasedições 176 a 180, de 1978, onde há a única aparição do terceiro Duende Verde, o psiquiatra Bart Hamilton, que tratou de Harry Osborn, descobriu todos os segredos e resolveu usá-los em seu benefício, morrendo em combate.


Declínio

Apesar do sucesso, o final dos anos 1970 não foi muito generoso para o Homem-Aranha. Embora tenha continuado a vender bem, o escalador de paredes perdeu destaque dentro da própria Marvel para outras revistas, dentre as quais, os X-Men de Chris Claremont e John Byrne – que não coincidentemente, também produziram uma série de histórias para Marvel Team-Up.


O clima de insatisfação deve ter contribuído para a saída de Len Wein da revista Amazing Spider-Man, em 1978, que resultou, também, em sua saída da própria Marvel. Wein voltou à DC, onde foi escrever o Batman e terminaria tendo destaque como editor. O então ex-Editor-Chefe da Marvel, Marv Wolfman, assumiu os roteiros de Amazing a partir da edição 182, em julho de 1978. Ross Andru continuava como desenhista. O primeiro destaque do novo escritor foi a edição 185, que mostrava Peter Parker finalmente se formando na faculdade. Num caso típico do personagem, o rapaz falta à própria graduação por causa das ações do Homem-Aranha.



Wolfman é outro dos grandes roteiristas das histórias em quadrinhos, mas assim como Wein, não conseguiu acertar a mão no Homem-Aranha. Começara a carreira na Marvel, inclusive criando o personagem Blade, o caçador de vampiros (que décadas depois se transformaria em uma série de cinema de sucesso), contudo, seu grande desempenho se daria mesmo na DC nos anos 1980, fazendo um sucesso estrondoso com os Novos Titãs, escrevendo a Crise nas Infinitas Terras e histórias do Batman.


Em 1979, Ross Andru encerrava sua longa temporada em Amazing, onde contabilizou mais de 60 edições. Foi substituído por Keith Pollard. Refltindo as mudanças de desenhistas, Wolfman criava um “novo universo” para Peter Parker, fotografando para o Globo Diário e entrando na Pós-Graduação da Universidade Empire State, onde conheceu e, depois, namoraria a inócua Debby Whitman. Wolfman tentava dar novos “ares” ao cabeça de teia: o envolveu com novos amigos; pediu Mary Jane em casamento (Amazing Spider-Man 182) e ela recusou. Também criou um tipo de “triângulo amoroso” entre Peter, MJ e Betty Brant, que vale lembrar, era casada com Ned Leeds.


Somente alguns destaques ocorreram na época, o primeiro deles, a criação da Gata-Negra. Tratava-se de uma imitação da Mulher-Gato do Batman e mesmo a relação amor-ódio entre o homem-morcego e sua inimiga felina foi “traduzido”. Não foi à toa que, quando publicadas pela primeira vez no Brasil, a personagem Black-Cat foi traduzida por “Mulher-Gato”, o que só foi corrigido anos depois. Porém, de qualquer forma, seria uma personagem muito importante na década seguinte.

Wolfman a criara para a revista da Mulher-Aranha (versão feminina do aracnídeo que estreara em 1977), com o visual por Dave Crockum (famoso cocriador dos Novos X-Men), mas como não a usou naquele título, fez sua primeira aparição foi em Amazing Spider-Man 194, de 1979. A Gata-Negra era Felícia Hardy, filha do criminoso chamado O Gato. Imitando o pai, torna-se uma ladra também, o que a leva a um confronto com o Homem-Aranha. Mas aos poucos os dois vão se apaixonando. Mas a “casa” da personagem seria a revista Spectacular Spider-Man num futuro próximo, pelas mãos do escritor Bill Mantlo.

Outro destaque da fase de Wolfman foi a edição 196 em que Peter é comunicado da morte de sua Tia May e fica desolado, até descobrir tratar-se de uma farsa armada por Mysterio que queria obter um tesouro que estava escondido na casa dos Parkers, o que também serviu para explicar os motivos do assassinato do Tio Ben, na história comemorativa de Amazing Spider-Man 200, de janeiro de 1980. O Homem-Aranha reencontra, pela primeira vez, o homem que matou seu tio e o bandido morre de um ataque do coração.


Durante duas edições, os desenhos de Spectacular foram entregues ao novato Frank Miller, os números 28 e 29, de maio e junho de 1979. Escritos por Bill Mantlo, traziam o traço ágil de Miller e uma luta ao lado do Demolidor e confronta pela primeira vez o vilão Carniça. Em seguida, os editores da Marvel transportaram o novato para a revista Deredevil (Demolidor) (sic) [na verdade o nome é Daredevil= que significa Demônio Destemido https://pt.wikipedia.org/wiki/Demolidor] , onde o garoto revolucionaria as histórias em quadrinhos. Com a fama, Miller voltaria a desenhar edições especiais do Homem-Aranha, como a Amazing Spider-Man Annual # 14 e 15, de 1980 e 81, respectivamente, e a comemorativa Marvel Team-Up 100, também de 1980.


Mas pouca coisa acontecia de interessante. Os velhos grandes vilões ainda apareciam, mas sem grande impacto. Entre os novos, Mosca e Enxame não orgulhariam nenhum leitor. A morte do Tarântula também não foi nenhum grande evento. Sem dúvida, as histórias de Spectacular eram ainda melhores do que as de Amazing.



Um mérito das histórias na época era que desenhistas como Keith Pollard procuravam estilos menos convencionais para retratar os personagens, muitas vezes saindo dos padrões de Romita, com traços mais escuros e cheios de rabiscos, procurando imitar ligeiramente o que Frank Miller fazia no Demolidor. Eram modos diferentes que foram abandonados em pouco tempo, pois não agradaram à posterioridade.




Em 1980, Wolfman deixou a Marvel para ir para a DC e seu cargo no Homem-Aranha foi ocupado pelo lendário Dennis O’Neil. O escritor fez fama no fim dos anos 1960 quando ajudou a trazer maior seriedade aos personagens daquela editora, o que o levou a temporadas muito apreciadas nas revistas de Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Liga da Justiça e Lanterna Verde. Nesta última, em histórias cheias de conteúdo social. Desgastado com a DC, O’Neil se mudou para a Marvel, onde assumiu a editoria de personagens como o Demolidor (foi ele quem contratou Frank Miller para o título) e, em seguida, escreveu as histórias do Homem-Aranha entre 1980 e 1981.



Entretanto, assim como Wein e Wolfman, O’Neil não conseguiu fazer sua escrita funcionar no Homem-Aranha. Das três citadas, sua temporada em Amazing Spider-Man, entre as edições 207 e 221, foi a menos expressiva e não deixou nenhuma marca. Aliás, deixou uma: o início do trabalho do desenhista John Romita Junior, o “filho do mestre”. Jr. tinha iniciado sua carreira na Marvel há pouco tempo e feito sucesso na revista do Homem de Ferro, onde ilustrou a mais famosa das histórias do “vingador dourado”, aquela em que Tony Stark sucumbe ao alcoolismo, escrita porDavid Michelinie e Bob Layton.



Paralela à temporada de O’Neil, a revista Spectacular Spider-Man mudou de comando, saindo Bill Mantlo (após três anos) e entrando Roger Stern. Este já tinha assumido a revista do Hulk (onde aproveitou o sucesso da série de TV) e estava no comando do Capitão América (ao lado de John Byrne) e dos Vingadores (com John Buscema), onde produziria uma das mais célebres fases da equipe.



Stern seria um dos principais escritores dos quadrinhos dos anos 1980 e 90 e estava em seu auge. Assim, de maneira estranha e inédita, sua temporada em Spectacular Spider-Man, entre os números 44 e 61, de 1980 a 1982, chamou mais a atenção dos críticos do que as “principais” de O’Neil em Amazing. Logo, nada mais justo que o novo Editor-Chefe da Marvel, Jim Shooter (que sucedera Marv Wolfman em 1978), propor que Stern assumisse Amazing. O’Neil continuou na editoria do Demolidor e se transferiu para os roteiros da revista do Homem de Ferro, onde produziu uma ótima fase, entre 1982 e 1986.



Uma nova fase áurea




A partir de Amazing Spider-Man 224, Roger Stern e John Romita Jr. começaram uma prolífica fase em que as vendas não somente aumentaram, como a qualidade das histórias deu saltos, após anos de “moral baixa”. Um dos grandes méritos da dupla foi investir no “novo universo” do aracnídeo que vinha se formando nos últimos anos, deixando um pouco de lado velhos coadjuvantes (Harry Osborn, MJ, Flash Thompson) e desenvolvendo os mais recentes ou inserindo novos, como a capitã Jean DeWolff, o repórter Jacob Conover, o fotógrafo Lance Bannon e sua polêmica namorada Amy Powers (que mantinham um relacionamento “aberto” e ela se encantava com Peter Parker), o sargento Lou Snider e pequenos personagens meiocriminosos, como o fashion designer Roderick Kingsley e o executivo George Vandergill.



Peter Parker voltava a fotografar para o Clarim Diário e sua relação com Robbie Robertson era restaurada aos tempos de Stan Lee, quando ficava subtendido que o Editor de Cidades desconfiava que ele era o Homem-Aranha, ou mesmo sabia de tudo. Quem terminou retornando às histórias foi Mary Jane Watson que, depois de flagrar Peter aos beijos com Amy Powers, vai se reintroduzindo lentamente em sua vida, apenas como amiga.



A fase de Roger Stern é muito lembrada por antigos leitores como um dos pontos mais altos das histórias do Homem-Aranha e ficou marcada a importância de edições como o arco de histórias contra o Fanático (o superpoderoso inimigo dos X-Men) e a singela história secundária em que o escalador de paredes encontra seu maior fã: um menino de 11 anos doente de câncer.




Entretanto, o fato mais importante do período foi a criação do novo vilão que iria brindar a carreira do Aranha: o Duende Macabro, que aparece em Amazing Spider-Man 238, em maio de 1983. Jim Shooter encomendara a Stern que criasse uma nova história do Duende Verde, achando que isso aumentaria as vendas. Mas como o escritor não queria criar uma quarta versão do vilão, fez um novo: alguém que se apossou dos equipamentos e dos poderes de Norman Osborn e criou uma nova identidade, uma nova ameaça. O resultado deu muito certo e marcou uma geração de leitores, um clássico.


A trama: um bandido comum encontra um velho esconderijo do Duende Verde e contacta o seu chefe (de identidade desconhecida para o leitor). Esse homem misterioso mata seu subordinado e passa a se utilizar dos equipamentos do Duende, só que os modificando, dando-lhes aspecto mais moderno e um novo nome: Hobglobin ou Duende Macabro. Em seguida, o vilão passa a vasculhar todos os esconderijos do velho vilão, em busca de mais armas e acaba entrando em choque com o Homem-Aranha. O criminoso não se dá bem na investida e se pergunta: como o Duende original conseguiu lutar tantas vezes com Aranha? Como resposta, encontra um diário escrito pelo próprio pulso de Norman Osborn, onde ele conta como ganhou seus superpoderes em uma experiência com anotações de Mendell Stromm. Após testar a experiência em uma cobaia, que morre, o Duende Macabro ingere a fórmula. Assim, seus confrontos com o Aranha se tornam mais equilibrados.



Esses eventos correspondem aos dois primeiros arcos do vilão, mas o mais celebrado foi o terceiro, publicado entre Amazing Spider-Man 249 e 251. Através dos diários de Norman Osborn, o Duende Macabro descobre as falcatruas de diversos grandes empresários e os chantageia. Entre os chantageados, estão J. Jonah Jameson (por ter financiado a experiência que resultou na criação do Escorpião), Roderick Kigsley e Harry Osborn.


Este, por seu pai ter sido o Duende Verde. Na época, Harry havia esquecido tudo relacionado ao Duende Verde por causa do tratamento psiquiátrico, então, foi somente aí que descobriu o passado negro de seu pai, e, pior, que ele tinha matado Gwen Stacy. Mas, claro, a tentativa de chantagem foi atrapalhada pelo Homem-Aranha, numa selvagem batalha que culmina na explosão do carro-tanque do Duende Macabro no fundo do rio Hudson.


Paralelamente, a Amazing, a revista Spectacular voltou a ser escrita por Bill Mantlo, que investiu na relação entre o cabeça de teia e a Gata Negra e passaria mais três anos à frente da revista.


Infelizmente para os leitores, a fase áurea de Stern e Romita Jr. teve um fim abrupto, causado por discordâncias editoriais. Na época, o Editor-Chefe Jim Shooter estava escrevendo a saga Guerras Secretas, com desenhos de Mike Zeck. A maxisserie em 12 capítulos publicada entre 1983 e 1984, reunia todos os principais personagens da Marvel em uma grande batalha, reunidos por uma entidade poderosíssima chamada Beyonder.


O problema é que, na história, o Homem-Aranha teve seu uniforme destruído e o substituiu por outro mais especial que o vestia apenas com o comando mental, constituindo, ainda, um modelo diferente, quase todo preto, inspirado no uniforme da 2ª Mulher-Aranha. O uniforme negro, como ficou conhecido, foi tudo o que o Aranha herdou da saga.


O encaixe cronológico de Guerras Secretas com seus títulos seria em Amazing Spider-Man 252, de modo que o escalador de paredes necessitava aparecer com o uniforme negro nesta edição. O problema é que Roger Stern discordava da medida e não tinha sido consultado. O resultado: pediu demissão. John Romita Jr. também saiu, indo desenhar os X-Men. Assim, Shooter encarregou o editor assistente responsável pelas histórias do Homem-Aranha, Tom DeFalco, de arranjar às pressas um substituto.
DeFalco trabalhava na editoria da Marvel há alguns anos, mas também desempenhava funções criativas, tendo produzido a revista de Cristal, popular personagem da época (e que mais tarde entraria nos X-Men), dos Vingadores, além de ser o responsável pelo rentável segmento de franquias, em que a Marvel criava histórias e personagens para companhias de brinquedos, como a Hasbro. Desse modo, havia sido o criador de muito do universo de Transformers e G.I. Joe. Em vista da urgência, o próprio DeFalco terminou por assumir Amazing, enquanto Denny Fingeroth o substituiu temporariamente na editoria do Aranha. Para os desenhos, foi chamado Ron Frenz, um artista que vinha fazendo alguns trabalhos para a Marvel e havia desenhado a famosa história do menino com câncer.

Coincidência ou não, no mesmo período, Bill Mantlo saiu de Spectacular e foi substituído pelo arte-finalista Al Migron, que assumiu os roteiros e os desenhos. Sua temporada investiu no humor escancarado, mas isso desagradou os editores.


A Luta contra o Submundo



A nova dupla criativa de Amazing Spider-Man, Tom DeFalco e Ron Frenz, assumiu a revista no número 252, de 1984, e colocou o Homem-Aranha em uma fase totalmente nova. O herói usava, agora, o uniforme negro; Mary Jane Watson estava sempre por perto; e o cabeça de teia encontrava cada vez mais com inimigos advindos do submundo. Além das histórias empolgantes, cheias de mistério e reviravoltas, a fase da dupla acertou em recolocar o crime organizado de frente para o Homem-Aranha, uma caracterização que combina com o herói, e rendeu uma série de personagens novos, como o chefão conhecido como O Rosa e o mercenário chamado Puma. Isso também permitiu que o Rei do Crime voltasse a frequentar a revista, mesmo que de maneira secundária – já que agora, ele era o principal vilão do Demolidor.

DeFalco e Frenz também deram prosseguimento ao mistério do Duende Macabro, mas dando-lhe novo suporte: entre Amazing Spider-Man 256 e 257, o Rosa decide matar o Homem-Aranha e contrata o Puma. Em meio a várias lutas, que envolveram também a Gata Negra, surge uma situação que obriga Mary Jane a dizer que sabe que Peter é o Homem-Aranha. O rapaz fica em choque. Enquanto isso, o Duende Macabro aparece para o Rosa e propõe uma sociedade que resulte na morte do escalador de paredes e na derrubada do Rei do Crime.


A construção do império do Rosa e do Duende Macabro de um lado; e o aprofundamento psíquico de Mary Jane Watson foram dois dos pontos centrais da fase de DeFalco e Frenz. Pela primeira vez, a ruiva teve seu passado detalhado, inclusive com explicações para seu comportamento fútil nas histórias de Lee e Romita dos anos 1960. Desse modo, nasce uma amizade e uma cumplicidade entre ela e Peter que não existia antes, porque agora, ela sabe de tudo. Mas isso não se converte em uma relação amorosa, já que o herói continua envolvido com Felícia Hardy.


Outros personagens secundários também foram desenvolvidos em situações novas, com destaque para um caso extra-conjugal de Betty Brant (casada com Ned Leeds) e Flash Thompson (que ainda namorava Sha Shan).


Além disso, com o suporte da quadrilha do Rosa, o Duende Macabro sequestra Harry Osborn em busca de mais diários de seu pai. O Homem-Aranha intervém e todos se salvam, inclusive, com o nascimento do bebê de Harry e Liz Allen, que é batizado de Norman Osborn II. E ficamos sabendo que, de algum modo, o vilão mascarado conhece MJ em sua vida civil. Mais mistério.


Em outras tramas, DeFalco e Frenz colocaram o Homem-Aranha contra oponentes bem inusitados, como o Beyonder (no arco Guerras Secretas II), o Senhor do Fogo (um poderosíssimo ex-arauto de Galactus) e até Mefisto, o diabo do Universo Marvel.

Contexto mais violento


A mudança do uniforme do Homem-Aranha de vermelho e azul para preto é apontado pelos historiadores dos quadrinhos como mais um indício do fim da Era de Bronze e o início da Era Sombria, em que as histórias passam a ter tramas ainda mais adultas, sombrias e violentas do que antes. (Outros marcos são a morte da Fênix nos X-Men, em 1981, as histórias de Frank Miller no Demolidor, no mesmo ano; além de obras como Cavaleiro das Trevas, do próprio Miller e Watchmen de Alan Moore, ambas na DC).

Porém, no ambiente dos quadrinhos, o uniforme significava algo mais. Com ajuda do Quarteto Fantástico, o aracnídeo descobre que o uniforme negro era, na verdade, um ser vivo, um simbionte alienígena que viva como parasita, sugando-lhe a energia vital e se livra dele. Ainda assim, o Aranha continuou usando uma cópia em tecido do modelo negro.

Ao mesmo tempo, a revista Marvel Team-Up teve seu último número publicado em fevereiro de 1985, depois de 156 números em 13 anos. Foi substituída por Web of Spider-Man, que saiu em março daquele ano, tendo como mote a possibilidade de vários artistas diferentes poderem “brincar” com o Aranha – como na anterior, só que sem a obrigação de ter um personagem convidado. A nova empreitada, tal como foi concebida, duraria 30 números.


Um dos destaques de Web nesses primeiros tempos foi a história escrita por David Michelinie em que o simbionte alienígena escapa do QG do Quarteto Fantástico e volta a perseguir o Homem-Aranha até ser destruído pelo barulho dos sinos da catedral de Nova York, pois era sensível a ataques sonoros. Essa história seria adaptada em Homem-Aranha 3 de Sam Raimi.

Já em Spectacular, o fim das histórias cômicas de Al Migron deram lugar a outro marco da Era Sombria: o arco de histórias A morte de Jean DeWolff, publicada nos números 107 a 110, escrita por Peter David e desenhada por Rick Buckler. Peter David era um total novato: trabalhava no Departamento de Marketing da Marvel, mas conseguiu convencer o novo editor assistente das revistas do Homem-Aranha, Jim Owsley, de que poderia escrever uma grande aventura do cabeça de teia, teve sua chance e não decepcionou. Além de ser uma das melhores e mais lembradas histórias do escalador de paredes, fez um grande sucesso, o que garantiu a David a vaga de escritor da revista. Logo, se consagraria como um dos melhores autores da casa.

Mas, a trama: DeWolff é encontrada morta em casa, destroçada por uma potente arma de fogo. Depois, outros crimes com as mesmas características começam a ocorrer e se descobre que o assassino é um serial killer que se autoproclama O Devorador de Pecados. Enquanto isso, Peter Parker conhece o advogado Matt Murdock, porém, como o advogado cego também é o Demolidor, logo descobre através de sua superaudição que o jovem é também o Homem-Aranha.


Investigando a morte de Jean DeWolff por conta própria, o Aranha descobre que a capitã era apaixonada por ele. Ensandecido, parte atrás de descobrir a identidade do assassino e se alia ao responsável pela investigação, o tenente Stanley Carter. Matt Murdock, após quase se tornar mais uma das vítimas do assassino serial também se envolve no caso, como Demolidor. O Aranha entra em confronto com o Devorador de Pecados nas ruas de Nova York, mas leva uma surra (ele é superforte) e um transeunte que assistia à luta é baleado e morre. Agindo juntos, o Aranha e o Demolidor descobrem que o Devorador de Pecados, na verdade, é Stanley Carter. Esta aventura marca o momento em que Murdock e Parker revelam suas identidades secretas e se tornam grandes amigos.


Em seguida, as histórias de Spectacular de Peter David e Rick Buckler (temporariamente substituído por Mike Zeck) mostravam a Gata Negra reatando seu relacionamento com o Homem-Aranha e mudando seu uniforme, bem como um confronto com Dentes de Sabre (vilão que seria “promovido” a arquiinimigo de Wolverine) e o surgimento do misterioso mercenário conhecido apenas como O Estrangeiro. Inclusive, a Gata Negra se envolve com este criminoso e deixa o Aranha na mão.


Turbulências Editoriais


Ao iniciar o ano de 1986, as revistas do Homem-Aranha são abaladas por conflitos criativos e editoriais que resultaram em pelo menos uma grave consequência: a não resolução a contento do mistério da identidade do Duende Macabro, o principal fio condutor das aventuras nos últimos dois anos. Tom DeFalco estava disposto a resolver o mistério, mas tinha um problema: Roger Stern, o criador do personagem, tinha elaborado uma solução ao qual DeFalco não concordava. Desse modo, o escritor decidiu criar a sua própria versão e fazê-la em grande estilo. Por isso, criou uma grande trama para lançar pistas falsas e aprofundar o mistério antes de revelá-lo.
Em Amazing Spider-Man 275 inicia-se uma história em que o Duende Macabro – financiado pelo Rosa – adquire novas armas e encontra uma ideia incrível para se livrar da perseguição da polícia e do cabeça de teia: deixar Flash Thompsonnuma cena de crime, desmaiado, vestindo com o seu uniforme. O ex-soldado foi escolhido, simplesmente, porque falou mal do Macabro na TV, já que o vilão havia sequestrado (aparentemente aleatoriamente) Sha Shan em uma luta com o Aranha. Porém, momentos antes, houvera uma briga entre Thompson e Ned Leeds, porque o repórter do Clarim descobriu que o jovem estava de caso com sua esposa. Ao mesmo tempo, é mostrada uma cena do Duende Macabro (sem máscara, nas sombras) conversando com Roderick Kingsley na sede da companhia deste. E do outro lado da cidade, Richard Fisk (lembram dele? O filho do Rei do Crime), aparece para conversar com seu pai. Também fica claro que o capitão de polícia Thomas Keating (que substituiu Jean DeWolff) tem envolvimento na farsa, ajudando a incriminar Thompson.


E para complicar ainda mais as coisas, o vilão Halloween (que já tinha lutado contra o Homem-Aranha algum tempo antes) deseja trabalhar para o Rei do Crime e, como maneira de impressioná-lo, decide libertar Flash Thompson da cadeia. Tudo que o vilão consegue é deixar o verdadeiro Duende Macabro furioso e os dois se tornam inimigos.
DeFalco montou o cenário da revelação, mas sua solução para o mistério não agradou a editoria da Marvel, que decidiu não publicá-la. Em um dos casos mais conturbados da história da editora, não se sabe ao certo “quem fez o quê”, mas o fato é que DeFalco foi removido dos títulos do Homem-Aranha, indo trabalhar em Thor (e levando Frenz consigo). Com isso, mais uma vez, um editor assistente assumiu a principal revista do escalador de paredes enquanto se procurava por um substituto: Jim Owsley. Este decidiu continuar os planos de DeFalco para uma guerra de gangues em Nova York que culminaria com o fim do mistério do Duende Macabro. Sem um desenhista fixo (Frenz fez o primeiro capítulo, Alan Kupperberg assumiu o restante, mas o novato Erik Larsen também desenhou um dos números), o arco Guerra de Gangues foi publicado entre as edições 284 e 288, mas como era uma trama originalmente de Defalco, este recebeu os créditos como corroteirista, junto a Owsley.


Em Guerra de Gangues, Owsley lança outro forte suspeito à identidade do Duende Macabro, o fotógrafo Lance Bannon, mas seja lá o que o escritor estivesse pensando, o Editor-Chefe da Marvel, Jim Shooter, interferiu no material e afastou Owsley da revista logo após o arco.

A trama: o Rei do Crime desaparece, deixando um sucessor na figura do Arranjador. Uma guerra de quadrilhas eclode para tomar seu lugar. O Homem-Aranha e o Demolidor tentam conter a loucura e o Justiceiro também se envolve. O capitão da polícia Thomas Keating, que odeia o Aranha, passa a atrapalhar. Entre os vilões envolvidos, estavam Cabeça de Martelo, Cabelo de Prata e o Rosa (chefes de quadrilhas), além de mercenários como o Duende Macabro e Halloween. Novos criminosos surgem, outros mudam de aliados e no meio da confusão, o acordo entre o Duende Macabro e o Rosa é rompido. Além disso, os leitores descobrem que o Rosa é na verdade Richard Fisk (filho do Rei do Crime). E o Demolidor – querendo ajudar a volta do Rei do Crime à cidade para acabar com a guerra – engana o Homem-Aranha duas vezes, tentando afastá-lo do conflito, o que abala a amizade dos dois por um tempo.

E em meio a tudo isso, é revelado que o capitão Keating obtém informações sobre o mundo do crime com Roderick Kingsley. Os leitores são bombardeados por informações que levam pistas da identidade do Duende Macabro tanto para Ned Leeds quanto para Lance Bannon. Em uma cena importante, Bannon vê Betty Brant abrigando o ainda fugitivo da polícia Flash Thompson em sua casa. Corta e vemos Betty voltando e encontrando o Duende Macabro espancando Flash já desacordado. Ele tira a máscara, Betty o vê e desmaia. Por fim, a guerra de gangues termina com a volta do Rei do Crime à Nova York, em Amazing Spider-Man 288.


A edição que traria a revelação seria a seguinte, Amazing Spider-Man 289, mas com o afastamento de Owsley, o escritor de Spectacular, Peter David, foi convidado para escrever esse número.

Antes, um parêntese importantíssimo: a Marvel lançava revista Spider-Man and Wolverine, de fevereiro de 1987, escrita por Jim Owsley e desenhada por Mark D. Bright (que fazia a revista do Homem de Ferro). Era a primeira aventura focada nesses dois heróis juntos e fazia parte de uma série de especiais comemorando os 25 anos da Marvel. Na trama, terminada a guerra de gangues, Peter Parker e Ned Leeds vão à Alemanha Ocidental investigar um caso de espionagem. Lá, o Homem-Aranha se envolve com agentes duplos, uma conspiração confusa e luta ao lado (e contra) Wolverine. Por fim, de volta ao hotel, Parker encontra Ned Leeds morto, amarrado e amordaçado, provavelmente pelos espiões, terminando a história do repórter que havia sido criado por Lee e Ditko em 1964.

A sequência dessa história seria a bombástica Amazing Spider-Man 289, edição especial com 40 páginas, que trazia a chamada da capa anunciando o fim do mistério do Duende Macabro. Mas, em vez de escrita por Owsley, Peter David assumiu o posto, com desenhos de Alan Kupperberg e Tom Morgan. Na trama, o criminoso Jason Macendale (o Halloween) contrata o misterioso Estrangeiro para assassinar o Duende Macabro. De posse de informações que afirmam que Macabro é na verdade o repórter do Clarim Ned Leeds, os homens do Estrangeiro o matam na Alemanha. Sem saber de nada, Peter Parker tenta consolar a viúva Betty Brant no enterro de Leeds, enquanto a moça passa a agir como se estivesse louca. O cabeça de teia vai ao encontro do Rei do Crime, que lhe revela que Ned Leeds era o Duende Macabro e que o Halloween agora era o novo Duende Macabro.


O fato é que Peter David não tinha nenhuma proximidade com o Duende Macabro e, sem nenhum conhecimento dos planos de Roger Stern e talvez sabendo apenas alguma coisa dos planos de Tom DeFalco, também criou sua própria versão. Para ele, lendo as histórias, a única pessoa que fazia sentido ser o Duende era Ned Leeds, por causa das pistas. Entretanto, apesar de todas as discordâncias, Stern, DeFalco e Owsley concordavam em um único ponto: Ned Leeds NÃO ERA o Duende Macabro e todas as pistas eram falsas, para aumentar o mistério. Foi por isso que Owsley matou o personagem em Spider-Man & Wolverine. O plano de DeFalco era colocar Roderick Kingsley como O Rosa e Richard Fisk como o Duende Macabro. Ninguém sabe ao certo o que Owsley pretendia, mas ele revelou – em Guerra de Gangues – que Fisk era o Rosa, o que tornou inviável a ideia de DeFalco.

A solução de Peter David só trouxe problemas: em primeiro lugar, o Duende Macabro, o principal vilão das histórias do Homem-Aranha nos últimos quatro anos, havia sido revelado como um homem morto, portanto, estava inutilizado. Além disso, havia outra questão: não existia nenhum motivo para Ned Leeds, um personagem criado 23 anos antes, para ter virado um “supervilão” de uma hora para outra. E sem conhecer a fundo as histórias do Duende Macabro, David ainda deixou uma série de furos, como o fato do vilão ser morto de maneira rápida e fácil, o que contradiz seus superpoderes. Enfim, foi a maior decepção que os leitores do Homem-Aranha receberam em décadas.

Para consertar um pouco o estrago, o Editor-Chefe da Marvel, Jim Shooter, deu a Jim Owsley a ingrata missão de criar uma história que ligasse as lacunas faltantes. Owsley publicou uma história (desenhada por Steve Gerber) em Web of Spider-Man 29 e 30 que mostra as origens de Richard Fisk como o Rosa e Ned Leeds como o Duende Macabro, ao mesmo tempo em que Jason Macendale (o novo Duende) destroça a organização do Rosa e ficamos sabendo que Roderick Kingsley fornecia armas ao Duende e que Leeds era o informante de Keating durante a Guerra de Gangues. Os dois quase são mortos pelos homens do Rosa, numa tentativa de “queima de arquivo”, mas escapam. Além disso, os leitores são informados, através da confissão de Richard Fisk a um padre, como Ned Leeds teria se corrompido pelo poder que a identidade lhe dava. No final, o jovem Fisk desiste da identidade do Rosa e passa a trabalhar para o seu pai.


O mal estar nos títulos do Homem-Aranha estava instituído. Owsley continuou como editor assistente e passou a infernizar a vida de Peter David (talvez por discordar do que ele fez), constantemente reclamando da qualidade de seu trabalho. Enquanto isso, nenhum dos dois ficou em Amazing Spider-Man. Para assumir o principal título do escalador de paredes foi convocado o veterano escritor David Michelinie, que daria início a uma fase totalmente nova do Homem-Aranha, repleta de mudanças (editoriais, criativas e pessoais)."
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A bela capa de "Amazing Spider-Man 600" por John Romita Jr.

Esta é a terceira (e última!) parte da História do Homem-Aranha nos quadrinhos, um levantamento editorial e cronológico. Se você não leu as partes anteriores, siga os links da Parte 01 e da Parte 02.

O terceiro capítulo de nossa jornada vivencia o casamento do personagem, sua fase de maior sucesso comercial, uma grave crise criativa em meados dos anos 1990, um período de reinvenção, de polêmicas decisões editoriais e, agora, inicia uma nova fase que ainda deixa os leitores confusos se estaria tudo bem ou não. Vamos lá!

Estudos para o Duende Macabro por Alex Ross: polêmica em torno de sua identidade abalou o corpo editorial do Homem-Aranha.

Casamento e Vida Nova

Estamos em 1987 e o Homem-Aranha viveu uma espécie de “guerra civil” em termos editoriais. Uma disputa sem precedentes marcou os bastidores da revelação da identidade secreta do Duende Macabro, o vilão criado por Roger Stern e John Romita Jr. em 1983 e que, desde então, era o principal oponente do herói. Como Stern deixou o título Amazing Spider-Man por discordâncias editoriais acerca da adesão ao novo uniforme negro do Homem-Aranha, coube ao escritor Tom DeFalco dar prosseguimento à trama de mistério envolvendo o vilão. Contudo, as ideias de DeFalco entraram em choque o corpo editorial da Marvel, particularmente com o Editor-Chefe Jim Shooter e o editor assistente responsável pelas revistas do Homem-Aranha, Jim Owsley.

Assim, DeFalco também foi afastado do título e substituído pelo próprio Owsley. Contudo, o escritor também não pôde fazer a revelação do segredo do Duende Macabro e Jim Shooter encarregou Peter David (que escrevia a revista secundáriaPeter Parker: The Spectacular Spider-Man) de fazê-lo. Só que a revelação de David – de que Ned Leeds era o Duende Macabro – entrava em contradição com tudo o que havia sido planejado por Stern, DeFalco e Owsley apesar das enormes discordâncias entre todos eles. Como resultado, houve uma grande reformulação editorial nas três revistas do aracnídeo – a outra era Web of Spider-Man – e a identidade do Duende Macabro se tornou uma espécie de tema tabu, quase proibido de ser citado. 

Ajudava o fato de que Peter David introduziu um novo Duende Macabro, incorporado por Jason Macendale (ex-Halloween), o próprio mandante do assassinato do original.

Por pouco tempo, Peter David continuou nas revistas do Homem-Aranha. Apesar de ter escrito Amazing Spider-Man 289 (com a revelação do Duende Macabro), ele permaneceu em Spectacular, trabalhando com o desenhista Alan Kupperberg. Proibido de citar aquele vilão (o que diminuiu bastante o impacto da própria revelação), o escritor desenvolveu um arco de histórias , entre as edições 126 a 129, onde o romance do Aranha com a Gata Negra se encerrou definitivamente quando o herói soube que ela ajudou o misterioso Estrangeiro a criar uma armadilha para o cabeça de teia. 

Além disso, em outras das estranhas ideias de David, se revela que o capitão Thomas Keating nada mais era do que o próprio Estrangeiro disfarçado.
Edição especial do casamento do Homem-Aranha por Shooter, Michelinie e Paul Ryan. A capa é de John Romita (o pai).

Como parte da reformulação, Amazing foi ocupada pela nova dupla David Michelinie e John Romita Jr, a partir da edição 290. Romita Jr. voltava ao título após alguns anos e a dupla reprisava a parceria que levou ao cabo algumas das melhores histórias doHomem de Ferro no fim dos anos 1970. 

Entre Amazing Spider-Man 290 e 292, cansado e desiludido, Peter Parker decide pedir Mary Jane Watson em casamentomais uma vez. Ela novamente negou, afirmando que eram somente amigos, mas depois de uma visita ao seu pai (com quem sempre teve problemas) e ter sua vida salva, mais uma vez, pelo Homem-Aranha, a ruiva decidiu aceitar.

Momento histórico: Mary Jane finalmente diz "sim". Texto de David Michelinie e arte de John Romita Jr.

O casamento do Homem-Aranha foi um evento bombástico em 1987 e foi o principal fruto da tal reformulação editorial. Curiosamente, o evento teve sua origem em uma disputa entre as revistas regulares do personagem e uma nova série de tiras de jornal escritas pelo próprio Stan Lee, o criador do Homem-Aranha.

Nos jornais, Lee planejou uma história em que Peter Parker iria se casar com Mary Jane e, ao saber disso, o Editor-Chefe Jim Shooter decidiu que tal fato não podia ocorrer primeiro nos jornais e só depois nas revistas do cânone oficial.

Então, às pressas, foi produzida uma história que mostrasse o enlace matrimonial do casal, após as conseqüências do arco de Michelinie e Romita Jr. Assim, Peter e MJ se casaram nas escadarias da biblioteca nacional, com Harry Osborn e Flash Thompson como padrinhos em Amazing Spider-Man Annual 21, de 1987, escrita por Jim Shooter e David Michelinie e desenhada por Paul Ryan. Foi uma decisão polêmica que renderia muita confusão anos depois.
Página de "A última caçada de Kraven": épico sombrio por J.M. DeMatteis e Mike Zeck.

Enquanto ocorria o casamento, para não criar choques cronológicos, a Marvel ocupou todas as três revistas do Homem-Aranha com a publicação de um arco de histórias chamado Terrível Simetria, escrito por J.M. DeMatteis e desenhado por Mike Zeck, alternando-se entre Web of Spider-Man 31 e 32, Peter Parker: The Spectacular Spider-Man 131 e 132 e Amazing Spider-Man 293 e 294.

A trama mais tarde conhecida como A última caçada de Kraven era um trailler adulto, violento e sombrio no qual Kraven, o caçador, luta para destruir a imagem do Homem-Aranha.

O herói é baleado e enterrado vivo, luta contra Ratus (personagem trágico criado pela mesma dupla nas histórias do Capitão América) e termina com Kraven cometendo suicídio.

DeMatteis estava em ascensão como um dos principais escritores dos quadrinhos. Relativamente novato, começou na Marvel, já nos anos 1980, escrevendo as aventuras dos Novos Defensores, mas logo emplacou uma famosa (e polêmica ) temporada no Capitão América (Leia mais aqui).

Curiosamente, apesar da violência e seriedade da história, depois do arco com o Homem-Aranha, o escritor mudou-se para a concorrente DC Comics e criou um sucesso enorme com a versão cômica da Liga da Justiça, entre 1988 e 91.

Após o grande arco das três revistas, era preciso que os escritores adaptassem a rotina do Homem-Aranha à vida de casado. Quem mais se empenhou no assunto foi David Michelinie que escreveu uma história com a lua de mel de Peter e Mary Jane atrapalhada pelo Puma e a busca a um objeto valioso, entre Amazing Spider-Man 295 e 297, com desenhos de Alan Kupperberg.

A revista Web of Spider-Man, após aquele arco triplo, se transformou em mais uma revista “de linha” do Homem-Aranha e não mais um casa de “histórias especiais”. 

Quem foi convidado para inaugurar essa nova fase da revista, a partir da edição 33, foi o veterano Gerry Conway, um dos mais bem-sucedidos escritores do personagem em todos os tempos (leia a Parte 02). Com traços do ótimo desenhista Alex Saviuk, Conway mostrou o retorno triunfal do Dr. Octopus, após anos de ausência.

As capas de "Spectacular Spider-Man" 134 a 136: volta de Sal Buscema e fim da temporada de Peter David.

Já a revista Peter Parker perdeu o “nome real” do personagem e passou a se chamar oficialmente apenas The Spectacular Spider-Man. 


Peter David escreveu um arco em quatro partes que trouxe o retorno e a morte do Devorador de Pecados, o vilão que criara em sua primeira história. Nas edições 133 a 136, o ex-policial Stanley Carter sai do hospício e decide escrever um livro de memórias sobre sua carreira criminosa, mas tem que lidar com o fardo de seus atos. 

Ao mesmo tempo, o Homem-Aranha se sente absolutamente culpado porque a surra que deu em Carter (em Spectacular Spider-Man 107, de 1985) o transformou em uma pessoa fisicamente debilitada, quase um aleijado. 

O medo de machucar alguém da mesma forma termina levando o aracnídeo a ser derrotado por Electro e Parker tem que vencer os próprios medos e traumas para impedir a volta de Electro e do Devorador de Pecados.
As duas personalidades de Stanley Carter (ele mesmo e o Devorador de Pecados): drama psicológico de Peter David e a arte exuberante de Sal Buscema de volta.

A história de conteúdo excelente foi o marco de dois eventos: por um lado marcou o retorno do desenhista Sal Buscema às revistas do Homem-Aranha (leia a Parte 02). Seu traço expressivo de linhas retas e quadradas voltou a abrilhantar o universo do cabeça de teia.

Por outro, foi a despedida de Peter David. Como resquícios das rugas citadas acima, o editor Jim Owsley conseguiu com que David fosse demitido sob a alegação de que seu trabalho estava “abaixo do padrão” do Homem-Aranha.

É, no mínimo, curioso que Spectacular era, naquela altura, a melhor revista do personagem. David, que já vinha escrevendo a revista do Incrível Hulk de maneira absolutamente genial, ficou com o monstro por mais de 10 anos e, pouco depois, também assumiria a revista do X-Factor, grupo ligado aos X-Men.
Arte de Todd McFarlane para "Amazing Spider-Man 300", de 1988.

A chegada de Todd McFarlane e uma fase de grande sucesso

Há anos, quando ainda escrevia Web of Spider-Man, David Michelinie planejava criar um novo vilão baseado no uniforme negro e no alienígena simbionte.

Agora no comando de Amazing Spider-Man, o escritor decidiu por em prática suas ideias. O arco em que desenvolveu isso, entre os números 298 e 300, de 1988, também trouxeram um novo desenhista: Todd McFarlane.

Este canadense era um artista ainda novato, que tinha feito alguns trabalhos na DC Comics (como a minissérie Invasão e o arco Batman: Ano Dois) e, na Marvel, estreara na revista The Incredible Hulk escrita por Peter David.

O desenho cheio de traços de McFarlane caiu como uma luva no gosto dos leitores da época e fez tanto sucesso que começou a fazer capas e posteres para outros personagens. Suas ilustrações do Homem-Aranha chamaram a atenção e, logo, foi transferido para as revistas do escalador de paredes.
Eddie Brock e Venom na arte de Todd McFarlane.

Michelinie e McFarlane criaram uma história em que um repórter do Globo Diário encontrava o uniforme simbionte (que todos pensavam ter sido destruído) e se tornava um monstro chamado Venom. 

O alienígena queria se vingar de Peter Parker por tê-lo abandonado e Eddie Brock também nutria ódio pelo Homem-Aranha. Seu motivo era uma “história retroativa” que Michelinie criou dentro do famoso arco A Morte de Jean DeWolff, de Peter David: em sua investigação, Brock pensava ter descoberto a identidade secreta do Devorador de Pecados, mas quando o Homem-Aranha prendeu Stanley Carter arruinou a carreira do jornalista.
O estilo de McFarlane mudou o visual do Homem-Aranha e se transformou no principal referencial da década seguinte.

De posse do alienígena simbionte, Brock se transformou em um monstro com a mesma aparência do uniforme negro, só que com uma enorme boca, chamando a si mesmo de Venom.

Sabendo da identidade de Peter Parker, ele invade seu apartamento e assusta Mary Jane. O Homem-Aranha consegue derrotá-lo (novamente com a arma de raios sônicos do Quarteto Fantástico) e decide não usar mais o uniforme negro para não ser confundido com o novo vilão. Este arco fez um grande sucesso e tornou Venom o principal vilão do Homem-Aranha nos anos 1990.

O visual de Todd McFarlane para o uniforme clássico do Homem-Aranha mudou completamente o estilo do personagem: muitas linhas, traços grossos, olhos enormes, poses dinâmicas e uma teia muito mais detalhada.

Era um visual mais sujo do que o padrão de John Romita, resgatando algo de Steve Ditko. Logo, esse visual se tornaria a principal referência para todos os demais artistas do universo do aracnídeo.

Mesmo o veterano Sal Buscema aderiu a alguns desses elementos estéticos. E Mary Jane também foi afetada, deixando de ter cabelos lisos para um penteado mais volumoso e com cachos.
McFarlane também mudou o visual de Mary Jane: mais sensual e com mais cabelo.

No plano editorial, a Marvel passava por transformações. Após 10 anos de uma gestão muito polêmica, o Editor-Chefe Jim Shooter foi afastado do cargo e substituído por (que ironia) Tom DeFalco.

Este continuou escrevendo as histórias do Thor (e eventualmente dos Vingadores) e deu bastante atenção ao Homem-Aranha. Além disso, a gestão de DeFalco impôs um ritmo de muita interligação entre as revistas e não raro eventos de uma se transferiam para outra, como no caso dos três títulos do Homem-Aranha (Amazing, Spectacular e Web).

Iniciava-se a Era dos Crossovers, o que inicialmente deu certo e aumentou bastante as vendas.

Michelinie e McFarlane transformaram Amazing em um fenômeno de vendas como não era há muito tempo. Além da arte chamativa de McFarlane, David Michelinie também se destacava criando bons roteiros, recheados de ação e humor.

As histórias mostravam o desenvolvimento de Peter e Mary Jane como casados, não só sentimentalmente, mas profissionalmente, também. A carreira de modelo de Mary Jane ia entrando em ascensão, enquanto Peter lançava um livro com as fotos que tirou do Homem-Aranha, chamado Webs (Teias), o que lhe fez viver seus “15 minutos de fama”.
O estilo mais clássico de Alex Saviuk serviu de contraponto à mudança de visual.

Michelline e McFarlane construíam arcos de histórias específicos, como O Rapto de Mary Jane, uma aliança com o Capitão América contra o Caveira Vermelha, participações especiais da mercenária Silver Sable e do Homem-Areia (na época tentando viver do lado da lei) e confrontos com Escorpião, Camaleão e, claro, Venom.

Gerry Conway e Alex Saviuk criavam histórias muito boas em Web e a saída de Peter David de Spectacular fez com que Conway também assumisse essa revista, repetindo a parceria com Sal Buscema que haviam realizado nos primeiros números do título, lá no distante 1976. 

O primeiro arco foi uma história em que o Aranha se junta ao novo Capitão América (John Walker, que substituiu Steve Rogers por pouco tempo) contra o Tarântula, inclusive repetindo elementos referentes às minorias étnicas que tinham desenvolvido nos velhos tempos.
Duende Verde 2 vs Duende Macabro 2. Capa de "Amazing Spider-Man 312" por Todd McFarlane.

As ligações editoriais também pagaram um preço: os leitores eram obrigados a ver o Homem-Aranha tendo que combater os demônios que invadiram Nova York na saga Inferno dos X-Men. 

E os roteiristas aproveitaram a deixa para criar uma história em que o Segundo Duende Macabro (Jason Macendale) perseguisse Harry Osborn atrás da “fórmula de Mendell Stromm” que deu poderes a Norman Osborn, já que Macendale era apenas um homem comum.

Essa história prosseguiu pelas três revistas. Essa história permitiu a realização de um antigo sonho dos leitores quando colocou Harry Osborn vestido de Duende Verde contra o novo Duende Macabro, em Amazing Spider-Man 312, por Michelinie e McFarlane, em 1989. 

No final, numa história de Conway e Buscema, Macendale faz um pacto com um demônio e termina se transformando em um monstro.
Lápide foi o principal vilão da fase de Gerry Conway e Sal Buscema em "Spectacular Spider-Man". Capa da edição 142, de 1989.

Conway também desenvolveu arcos mais longos e independentes. Em Spectacular, ele e Buscema criaram uma história repleta de teor psicológico em que Joe “Robbie” Robertson é perseguido por um equivoco do passado transfigurado no novo vilão Lápide, um albino que foi seu amigo na infância e se tornou um temível assassino de aluguel.

Já em Web, Conway e Saviuk criaram uma nova guerra de gangues capitaneada pelos Irmãos Lobo, dois gêmeos mafiosos de origem latina e que se transformavam em lobisomens.

Mais sucesso ainda

Erik Larsen substituiu Todd McFarlane em "Amazing Spider-Man" mantendo seu estilo. Aqui, um confronto com o novo Sexteto Sinistro.

O sucesso de Todd McFarlane em Amazingera tão grande que a Marvel decidiu dar-lhe de presente uma revista do Homem-Aranha para ele “brincar”. 

Essa publicação traria histórias sem grande influência cronológica, mas em compensação, McFarlane assumiria também os roteiros. Seu lugar em Amazing foi ocupado por Erik Larsen, artista tinha desenhado um dos capítulos da Guerra de Gangues de Jim Owsley (veja Parte 02) e agora voltava com um novo traço diretamente inspirado em McFarlane. 

O principal arco dele na revista foi a volta do Sexteto Sinistro, com a substituição do falecido Kraven pelo Segundo Duende Macabro, agora em sua versão demoníaca.
Capa de "Spider-Man 01", de 1990, por Todd McFarlane: recordista de vendas.

Em agosto de 1990, o escalador de paredes passou a ter quatro revistas mensais: Amazing Spider-Man, com Michelinie e Larsen; Spectacular Spider-Man, com Conway e Buscema; Web of Spider-Man, com Conway e Saviuk; e Spider-Man, com Todd McFarlane.
Em seu primeiro arco solo, Todd McFarlane reformulou o visual do Lagarto.

Ainda assim, o número um de Spider-Man de McFarlane vendeu dois milhões de cópias, um recorde absoluto para a época. 

McFarlane desenvolveu a saga Tormento, evolvendo a viúva de Kraven (Calipso) e o Lagarto; depois, uma história com Wolverine e o Wendigo; um combate com o Duende Macabro demoníaco, juntamente com o Motoqueiro Fantasma; uma história contra Morbius, na qual o Homem-Aranha usava o uniforme negro uma vez mais; além de confrontos com o Hulk e o Fanático.

No entanto, a empreitada de McFarlane só durou 14 números porque o autor entrou em choque direto com a direção da Marvel, que se recusou a lançar uma revista nova com um personagem de sua autoria. 

Em resposta, se demitiu da Marvel e ainda levou consigo os desenhistas mais famosos da casa: Jim Lee, Marc Silvestri, Rob Liefeld e, pouco depois, Erik Larsen. 

Os desertores fundaram a editora Image Comics, onde cada um administrava um selo independente e criava o que quisesse. McFarlane criou o Spawn, que se transformou em um dos maiores sucessos dos quadrinhos da época. A Image chegou a ameaçar o domínio de Marvel e DC Comics por um tempo.

Sem McFarlane, Spider-Man foi ocupada por Erik Larsen, que também passou a escrevê-la e desenhá-la, mas por pouco tempo, pois ele também foi para a Image (onde criou o Savage Dragon). Spider-Man virou, então, uma revista para artistas convidados escreverem suas próprias histórias do Aranha, como havia sido Web of Spider-Man antes dela.
O fabuloso arco "A criança interior" marca o início da temporada de J.M. DeMatteis em "Spectacular Spider-Man". Capa da edição 180 por Sal Buscema.

Gerry Conway deixou a revista Spectacularem 1991 e seu lugar foi ocupado com a volta de J.M. DeMatteis, agora pela primeira vez em uma temporada completa. 

Os desenhos continuaram nas mãos de Sal Buscema. Com roteiros que sempre exploravam os aspectos psicológicos dos personagens, DeMatteis deu início com o arco A criança interior, entre as edições 178 e 184, de julho de 1991 a janeiro de 1992, no qual faz um paralelo entre as mentes conturbadas de Ratus e de Harry Osborn. Este, havia relembrado que tinha sido o Segundo Duende Verde e agora precisava lidar com isso. 

Mas, a mente frágil de Harry não consegue suportar a verdade, enquanto é atormentado pela herança de seu pai. Assim, volta a usar o uniforme do Duende Verde e ataca o Homem-Aranha (que ele lembra ser Peter Parker) para se vingar da morte do pai.

Adepto de temas polêmicos, mas tratados de maneira elegante e muito bem feita, DeMatteis revela que o principal problema de Ratus é ele ter sido abusado sexualmente pelo pai. Esta história é, sem sombras de dúvidas, uma das melhores do Homem-Aranha.
A morte de Harry Osborn em "Spectacular Spider-Man 200" por DeMatteis e Buscema.

O drama de Harry Osborn continuou a ser desenvolvido pelo escritor (sempre com os desenhos de Sal Buscema) resultando na edição comemorativa de Spectacular Spider-Man 200, de 1993.

Nesse número especial, com o dobro de páginas, Harry sai da cadeia e volta a atacar Peter, embora revele que não quer nenhum mal a Mary Jane. 

Dessa vez, Harry consegue o acesso à fórmula que deu superpoderes ao seu pai e fica mais perigoso, mas como efeito de uma superdosagem, o rapaz termina morrendo, não antes de tentar se redimir e salvar a vida de Peter, MJ e de sua esposa, Liz allen e do filho Normie.

Nas histórias seguintes, a morte de Harry traz a tona que ele era o Duende Verde para o grande público. O repórter do Clarim Diário, Ben Urich, publicaria um livro chamado A Dinastia do Mal na qual revela em uma reportagem bombástica que o falecido Norman Osborn era o Duende Verde original e que seu filho seguiu seus passos até a morte.

Um pequeno declínio
Mark Bagley manteve o estilo "mcfarlane". Capa de "Amazing Spider-Man 359".

Entre 1992 e 1994, o Homem-Aranha vive um período de declínio criativo. Curiosamente, após a saída de McFarlane, os roteiros de Michelinie começaram a perder força e depois da partida de Erik Larsen mais ainda.

Os desenhos de Amazing foram assumidos por Mark Bagley, um grande artista, mas as histórias em que esteve envolvido são lembradas como algumas das piores coisas já escritas sobre o cabeça de teia.

Destaque negativo para dois arcos em especial. O primeiro foi Maximum Carnage [Carnificina], uma longa história em que o alienígena simbionte dá origem a outro vilão: Carnage [Carnificina], uma versão vermelha e mais exagerada e sanguinária de Venom.

O roteiro encontra desculpas esfarrapadas para reunir um time contra o vilão, com o Homem-Aranha e Justiceiro, Capitão América, Deathlock etc. A história sem pé nem cabeça desagradou os leitores e mais ainda à crítica.

O segundo arco em destaque foi ainda pior. Michelinie e Bagley criaram uma história maluca em que os pais de Peter Parker reaparecem vivos. Os dois retomam uma velha história de Lee e Romita, dos anos 1960, em que Richard e Mary Parker eram espiões da CIA mortos em um acidente de avião. 

Mas, termina “revelando” que estão vivos. Os dois reaparecem e se envolvem em grandes confusões. No fim das contas, tudo termina em Amazing Spider-Man 388, de 1994, e o Homem-Aranha descobre que tudo não passa de uma farsa levada a cabo pelo Camaleão e que seus pais são, na verdade, dois robôs assassinos (isso mesmo!). Peter também fica sabendo que o plano todo foi uma criação de Harry Osborn antes de morrer e executado pelo Camaleão.
Ilustração da capa de "Amazing Spider-Man 400" por Mark Bagley. No interior, J.M. DeMatteis mostra a morte da Tia May.

Este arco foi o último trabalho de David Micheline à frente do título, em 1994, após sete anos no comando. Com isso, ele detém o título de escritor mais longevo de Amazing Spider-Man depois de Stan Lee, que permaneceu de 1963 a 1972.

O lugar do escritor no título foi ocupado por J.M. DeMatteis que foi “promovido” da Spectacular para Amazing, num trajeto raro, repetido apenas por Roger Stern dez anos antes.

Entretanto, o escritor não conseguiu repetir o êxito anterior na revista. Spectacular passou ao comando de Steven Grant, ainda com Sal Buscema nos desenhos.

Em Amazing, o único marco da fase de DeMatteis e Bagley foi a edição comemorativa número 400, em que a Tia May morre após décadas de doenças.

Enquanto DeMatteis foi para Amazing, seu lugar em Spectacular foi ocupado com a volta de Tom DeFalco aos títulos do aracnídeo e na época ainda Editor-Chefe da Marvel.
Logo no início de sua temporada, Howard Mackie decidiu dar um fim à história do Rosa (Richard Fisk). Capa de "Web of Spider-Man 88" por Alex Saviuk.

Outra mudança significativa em termos criativos foi em Web of Spider-Man, onde Gerry Conway encerrou sua longa contribuição com o desenhista Alex Saviuk.

O artista permaneceu, mas os roteiros passaram para Howard Mackie, a partir donúmero 85, de 1992, um escritor que chamava a atenção na época por sua nova versão do Motoqueiro Fantasma.

Porém, Mackie permaneceu pouco mais de um ano, sendo substituído por Terry Kavanagh, em 1993. Mackie foi para a Spider-Man que havia sido criada para Todd McFarlane e estava sem uma equipe fixa há vários meses. A partir do número 45 o artista a assumiu e o título foi rebatizado para Peter Parker: Spider-Man.

Enquanto isso, em Web of Spider-Man, Saviuk continuou nos desenhos até 1994, totalizando mais de 80 edições, sendo um dos recordistas em trabalhos com o Homem-Aranha. Foi substituído por Steven Butler.

Foi justamente nas páginas de Web por Kavanagh e Butler que se plantaram as ideias que levaram a um dos mais importantes eventos editoriais do Homem-Aranha, a segunda Saga do Clone, que ocupou as várias revistas do personagem durante os anos de 1995 e 1996, aumentou as vendas, irritou os fãs, produziu histórias idiotas e se transformou na mais controversa (e odiada) das fases do amigão da vizinhança e obrigou a Marvel a realizar uma série de mudanças.

A Saga do Clone
Mary Jane anuncia sua gravidez em "Spectacular Spider-Man 220". Arte de Sal Buscema. Textos de Tom DeFalco.

Em 1995, a Marvel vivenciava um momento crucial em sua história. A fase de vendas altíssimas que havia turbinado o mercado de quadrinhos dos Estados Unidos, iniciada em 1990, sofreu um rápido declínio, que os historiadores chamam de “estouro da bolha”. 

Grande parte das vendas era de colecionadores que compravam mais de um exemplar da mesma edição para depois revendê-la em preços maiores no mercado informal. 

O mercado especulativo levou as vendas ao patamar dos milhões de unidades – algo não visto desde os anos 1940 – mas pagou seu preço, pois não era um público real. Quando a prática esgotou, as vendas caíram. E caíram muito!

Seriamente preocupada, a diretoria da Marvel promoveu uma mudança radical: acabou com o cargo de Editor-Chefe e o substituiu por um colegiado de editores formado por, entre outros, o ex-editor Tom DeFalco (responsável pelas histórias do Homem-Aranha), Bob Harras (X-Men), Ralph Machio (Vingadores) e outros; todos submetidos ao Departamento de Marketing, que se responsabilizou por criar estratégias de aumentar as vendas. 

O resultado foi que o esquema de crossovers foi expandido à máxima potência e a liberdade criativa foi diminuída. A Saga do Clone é fruto direto dessa política e pagou por isso.

Terry Kavanagh havia criado uma trama em que envolvia consequências da velha Saga do Clone publicada em 1975 por Gerry Conway e Ross Andru (veja Parte 02). 

Peter Parker era acusado de um crime e preso; então, descobria que o clone de si mesmo que julgava morto (e tinha jogado dentro de uma chaminé industrial na história original. Como ele sobreviveu? Tom DeFalco sabe) estava vivo e tinha vindo ajudá-lo. 

O clone havia mudado para Nova York quando soube da morte da Tia May. A partir daí, a história foi “esticada” para se transformar em um grande crossover que tomaria todas as histórias do Homem-Aranha.
Ben Reilly se torna o Aranha Escarlate.

O clone, que passara a se chamar Ben Reilly (em homenagem ao Tio Ben e ao sobrenome de solteira da Tia May) assume a identidade de Aranha Escarlate e passa a ocupar inteiramente a revista Web of Spider-Man, escrita por Todd DeZago e desenhada por Steven Butler, que após a edição 129, de 1995, passa a se chamar Web of Scarlet Spider

A nova revista durou apenas duas edições porque um exame de DNA termina mostrando que Ben Reilly era o verdadeiro “Peter Parker” e o Peter Parker que encantou gerações de leitores nos 20 anos anteriores era, na verdade, apenas um clone. O resultado enfureceu os fãs, especialmente os da velha guarda.

Com isso, J.M. Matteis saiu de Amazing e foi substituído por Tom DeFalco, de volta à revista após nove anos, assumindo a partir da edição 407, de janeiro de 1996.

Nas histórias, Mary Jane descobre que está grávida e Peter aproveita isso e o fato de que é “apenas um clone” para se afastar de Nova York e viver uma vida mais tranquila, enquanto Ben Reilly pinta os cabelos de loiro para ninguém pensar que ele é Peter Parker e se torna (volta a ser?) o Homem-Aranha, usando um uniforme ligeiramente diferente, criado por Dan Jurgens.

A nova revista "The Sensasional Spider-Man" criada especialmente para Dan Jurgens.

Jurgens tinha sido o principal escritor da famosa saga A Morte do Superman, na rival DC, e foi convidado pela Marvel para assumir uma nova revista inteiramente para si: The Sensasional Spider-Man, que substituía Web of Spider-Man (Scarlet Spider).

O artista escrevia e desenhava a revista, mas permaneceu apenas por sete edições, entre os números zero e 06, de 1996, porque o plano original era de que Peter Parker seria revelado como o verdadeiro Homem-Aranha e Ben Reilly, o clone, mas a diretoria da Marvel decidiu “esticar” a história e adiar a revelação final. Sem concordar com isso, Jurgens deixou o título.

Seu lugar foi ocupado por Todd DeZago e Mike Wieringo, que permaneceriam na revista até seu cancelamento, em 1998. 

DeZago também escrevia Spectacular Spider-Man, ainda desenhada por Sal Buscema, que permaneceu no título até aquele momento em 1996. 

O desenhista completou, com isso, um recorde histórico de mais de 100 edições numa mesma revista (contando entre 1976 e 1996). 

Seu lugar foi ocupado pelo desenhista brasileiro Luke Ross, que apesar de inicialmente imitar a arte de Todd McFarlane, logo, encontrou seu próprio traço e fez um bom trabalho à frente do escalador de paredes.
O vilão Kaine é o segundo clone do Homem-Aranha. Clones e mais clones...

Outro desenhista recordista, Mark Bagley, também se afastou das revistas em 1996, após cinco anos e meio. Foi substituído por pouco tempo pelo ótimo Ron Garney, mas foi Steve Skroce quem se firmou em Amazing Spider-Man, embora o desenhista brasileiro Joe Bennett também tenha feito alguns números.

O que irrita os fãs em relação à Saga do Clone é que tudo foi exagerado no longo arco. Os clones surgiram de todos os lados: além de Peter e Ben Reilly, foi revelado que o vilão Kaine também era um clone do Homem-Aranha; o responsável original pelos clones, o prof. Miles Warren, o vilão Chacal, também foi clonado e, por isso, ainda estava vivo, e também tinha um segundo clone, o Carniça (vilão da fase Bill Mantlo, Al Migron e Frank Miller lá na distante Spectacular do fim dos anos 1970). 

O Mestre dos Robôs, o prof. Mendell Stromm – isso mesmo, aquele que criou a fórmula que deu poderes a Norman Osborn – também estava vivo, agora usando uma armadura e, pretensamente, também era um clone

O Dr. Octopus morreu e voltou dos mortos, talvez, também clonado!
"Peter Parker: Spider-Man 76" traz o fim da Saga do Clone. Arte de John Romita Jr.

Assim como a identidade secreta do Duende Macabro anos antes, a Saga do Clone se tornou uma coisa embaraçosa que precisava ser consertada rapidamente. 

Além disso, é preciso dizer que a crise nos quadrinhos era tão grande que a poderosa Marvel pediu concordata (uma antecipação de falência) em 1997! Por isso, terminou a era do colegiado e Bob Harras foi nomeado Editor-Chefe para coordenar a “volta por cima” da editora. O investimento foi simples: histórias melhores.

Então, ao fim de 1996, começou-se a articular-se o fim da Saga do Clone e para isso se articularam algumas mudanças. Criou-se o arco Revelações, que foi publicado seguidamente em Spectacular Spider-Man 240 por Todd DezZago e Luke Ross; Sensional Spider-Man 11 por DeZago e Mike Wieringo; Amazing Spider-Man 418 por Tom DeFalco e Steve Skroce; e termina bombasticamente em Peter Parker: Spider-Man 76 por Howard Mackie e John Romita Jr., mais uma vez de volta às histórias do Homem-Aranha, dessa vez após nove anos.

Na trama, Mary Jane e Peter voltam a Nova York para terem seu bebê, que é uma menina e se chamará May em homenagem à tia falecida; enquanto Ben Reilly seria o padrinho. 

Mas Ben e Peter se envolvem em uma briga com o Mestre dos Robôs, enquanto ficamos sabendo que há uma “mente criminosa” por trás de todas as desventuras da dupla nos últimos tempos. 

Peter não está no hospital quando Mary Jane tem o bebê, que é sequestrado por uma enfermeira e entregue a Kaine. 

Ben Reilly enfrenta um inimigo que se revela ser Norman Osborn, o Duende Verde original (pai de Harry e assassino de Gwen Stacy), a mente por trás de tudo.
Duende Verde e Homem-Aranha em épica batalha nas mãos de John Romita Jr. Textos de Howard Mackie.
Norman Osborn está de volta!
Ben Reilly é morto.
Peter Parker é o verdadeiro Homem-Aranha.

Osborn mata Ben Reilly e Peter é forçado a usar o uniforme do Homem-Aranha mais uma vez, para derrotar o seu velho inimigo. Ao mesmo tempo, Osborn sequestrou todo o elenco de coadjuvantes do Homem-Aranha (J.J. Jameson, Robbie Roberton, Ben Urich, Betty Brant, Flash Thompson, Liz Allen etc.) e os prendeu numa sala do Clarim Diário. 

No processo, Peter descobre que Ben Reilly era o clone e ele o verdadeiro Homem-Aranha. O Duende Verde e o herói têm uma luta violenta – magnificamente desenhada por John Romita Jr. – e o vilão desaparece ao final.

Para explicar a volta de Norman Osborn dos mortos, ficou estabelecido que o Duende Verde tinha um novo poder: fator de cura. 

Com isso, ele não morreu empalado em Amazing Spider-Man 122, de 1973 (veja Parte 02), acordando no necrotério, colocando um mendigo no seu lugar no caixão (e ninguém notou?); mudando-se para Europa e se tornando uma grande mente criminosa dedicada a atrapalhar a vida de Peter Parker das sombras. 

O motivo de sua volta após cinco anos (o tempo cronológico, pois editorial foram 23 anos!) foi a morte de seu filho Harry, que o teria levado a criar toda a confusão dos clones.

Uma fase de transição
A bela arte do brasileiro Joe Bennett em "Amazing Spider-Man 434", de 1997.

Embora a tática do “volta dos mortos” tenha sido algo banalizado nos quadrinhos desde o fim da Saga do Clone, embora trazer Norman Osborn de volta talvez não tenha sido a melhor das soluções, ela serviu para seu objetivo imediato: melhorar as histórias do Homem-Aranha. 

Inicia-se uma fase de transição que lida com as consequências da Saga da Clone, ou mais objetivamente, da volta de Osborn. 

Na verdade, os escritores e editores decidiram fazer o mínimo possível de referências àquela saga e algumas tramas ficaram inconclusas e nunca foram retomadas, como é o caso da filha de Peter e Mary Jane, May, que não ficou esclarecido se foi morta ou raptada, mas foi gentilmente “apagada” da cronologia.
Norman Osborn retorna com o nome limpo. Capa comemorativa de "Spectacular Spider-Man 250", de 1997 por John Romita Jr. A arte interna é do brasileiro Luke Ross.

As revistas continuaram mais ou menos com as mesmas equipes de Revelações, mas focadas no fato de que Norman Osborn estava vivo e sabia a identidade de Peter. 

O que isso significava? Nas histórias dessa fase, Norman Osborn reaparece para as autoridades e é preso, acusado de ser o Duende Verde, mas o vilão consegue convencer todo mundo de que, na verdade, havia sido vítima de uma “conspiração” armada pelo Homem-Aranha e pelo “verdadeiro” Duende Verde

Como era inocente, o empresário havia fingindo sua morte anos atrás para fugir. Enquanto o processo anda na Justiça, em liberdade, Osborn ameaça de morte o velho amigo J. Jonah Jameson (bem como sua família) e compra o Clarim Diário, o que aterroriza seus funcionários, que sabem muito bem quem ele é. E também lança um livro de sucesso com sua versão da história, rebatendo aquilo que Ben Urich havia revelado em A Dinastia do Mal.

Em meio a essa fase um evento histórico e curioso ocorreu em termos editorais quanto ao Homem-Aranha. O escritor Roger Stern, que tinha estado na DC escrevendo as histórias do Superman, voltou à Marvel e conseguiu convencer o Editor-Chefe Bob Harras a contar a sua versão da identidade secreta do Duende Macabro. Apesar de fazer 11 anos (!) que a identidade tinha sido revelada como sendo o falecido repórter Ned Leeds, Harras concordou em publicar uma nova versão e, ainda, incluí-la dentro da cronologia padrão do universo do teioso.
Na minissérie "Hobglobin Lives", Roger Stern conta a versão final da identidade do Duende Macabro, 11 anos depois.

Infelizmente, 11 anos era tempo demais e ninguém se importou muito com a “bombástica revelação”. Ainda assim, a minissérie em três capítulos Hobgoblin Lives é uma boa história trazendo, além de Stern nos roteiros, desenhos de George Perez e Ron Frenz. 

A trama tentou partir de uma constatação muito óbvia: como um vilão poderoso como o Duende Macabro, que saiu no braço com o Homem-Aranha, foi morto tão facilmente pelos agentes comuns do Estrangeiro, conforme Peter David, Alan Kupperberg e Tom Morgan mostraram em Amazing Spider-Man 289? A pergunta é feita por Mary Jane a Peter e o rapaz, após uma reflexão rápida, responde: “não podia”!
Roderick Kingsley (esq.) e seu irmão Daniel: subtrama corporativa.

O motivo disso vir à tona também foi interessante: Stern mostrava Jason Macendale, o Segundo Duende Macabro (já curado de sua versão demoníaca, mas agora numa versão cibernética), vai a julgamento e é condenado pelos crimes do Macabro original – afinal quase ninguém sabia que haviam tido dois. 

Após a condenação, o repórter Jacob Conover – personagem da fase de Stern que não aparecia desde então – pergunta a Macendale se era verdade que ele não era o Macabro original. Para surpresa de todos, Macendale responde que é verdade e que tinha matado o primeiro Duende Macabro e que ele era Ned Leeds, o marido de Betty Brant, que agora também era repórter do Clarim e que estava presente junto a Peter Parker cobrindo o julgamento. 

A revelação pública de que Ned Leeds era o Duende Macabro causa uma grande confusão, porque o repórter era famoso e sua morte tinha sido misteriosa. O Homem-Aranha se une a Betty Brant para fazer uma investigação sobre o caso, que envolve também Mary Jane e Flash Thompson (ex-caso de Betty quando ela ainda era casada com Leeds, lembram?).
O Duende Macabro original de volta. Mas por pouco tempo.

Ao mesmo tempo, se revela uma grande trama conspiratória envolvendo a compra de um leilão de ações da Indústrias Osborn, que estão meio à deriva desde a morte de Harry Osborn e cuidadas pela viúva Liz Allen. 

Entre os envolvidos na trama estão velhos personagens criados na época das histórias originais de Stern, como o executivo da Osborn, Donald Mecken; o empresário da Rochem George Vandergill; o corrupto Senador Martin; e Roderick Kingsley, que teve envolvimento com o Duende Macabro e, em Web of Spider-Man 29 e 30, escrita por Jim Owsley, foi revelado como o produtor das armas do vilão.
Roderick Kingsley é preso: Roger Stern conta a sua versão. Desenhos de Ron Frenz e George Perez.

Jason Macendale é morto na prisão pelo Duende Macabro original e o Homem-Aranha termina descobrindo que o vilão original é, na verdade, Roderick Kingsleye que aquele que “contracenava” com o vilão era seu irmão gêmeo Daniel Kingsley

Embora o clichê do “irmão gêmeo malvado” seja algo incômodo, de um modo geral, a versão de Stern para a história do Duende Macabro faz muito mais sentido do que Ned Leeds.
Agora, a vez das versões originais do Duende Verde e do Duende Macabro se encontrarem. Arte do brasileiro Luke Ross.

Os impactos da revelação nas histórias do Homem-Aranha foram bem pequenas, mas renderam pelo menos uma das melhores histórias do herói naqueles tempos: Globingate, publicada em Spectacular Spider-Man 259 a 261, em 1998, escrita por Roger Stern e Glenn Greenberg e desenhada por Luke Ross, que mostra o primeiro (e único) encontro de Norman Osborn e Roderick Kingsley, ou seja, o Duende Verde e o Duende Macabro, em suas versões originais. 

Osborn liberta Kingsley porque este teria provas de que ele seria o Duende Verde e isso arruinaria sua farsa, mas Kingsley havia perdido os diários de Osborn lá atrás em Amazing Spider-Man 251, de 1984. 

Assim, após uma briga, que envolveu o Homem-Aranha no meio, é claro, Kingsley foge do país e vai se refugiar no Caribe, não aparecendo mais desde então.

Este arco também introduziu um novo Duende Verde, que é chamado de “jovem” por Osborn. Seria Harry?

Um leve Reboot
O arco "Capítulo Final" traz o "decisivo" conflito com o Duende Verde, em um visual bizarro. Capa de "Spectacular Spider-Man 263" por John Byrne.

Embora as histórias tenham melhorado desde o fim da Saga do Clone, as vendas ainda não tinham atingido os patamares que a Marvel desejava, então, foi planejado um reboot do Homem-Aranha, uma espécie de reinício. 

Isso envolvia criar uma saga chamada The Final Chapter que encerraria parte da história do personagem e abriria espaço para uma “nova”. 

O principal intuito era zerar a numeração de todas as revistas do Aranha para tentar atrair novos leitores. Isso resultou no fim de duas revistas do herói: The Spectacular Spider-Man foi cancelada em seu número 263, em fins de 1998, após 22 anos de publicação; bem como The Sensasional Spider-Man em seu número 33.
Norman Osborn é derrotado pela primeira vez desde que retornou, mas foge da cadeia antes de ter a identidade comprometida. Arte de John Romita Jr.

Em Amazing e Peter Parker: Spider-Man se delineou o arco Capítulo Final, escrito por Howard Mackie e com desenhos de John Romita Jr. (de volta outra vez) e John Byrne, respectivamente. Byrne tinha sido uma das maiores estrelas dos quadrinhos dos anos 1980 (leia um post sobre a carreira dele aqui), mas apesar de ter realizado uma temporada em Marvel Team-Up (junto ao escritor Chris Claremont) nos anos 1970 e feito várias capas para Amazing ao longo dos anos, nunca tinha trabalhado com o Homem-Aranha dentro de seus títulos tradicionais.

Foi muito bom ver o velho Byrne e sua bela arte trabalhando o cotidiano do escalador de paredes.

Em Capítulo Final, Norman Osborn arma um plano para se livrar de Peter Parker de vez. No meio do conflito, o Homem-Aranha fica sabendo que sua Tia May está viva e que tinha sido mantida em cativeiro por Osborn durante esse tempo todo. 

Quem morrera em Amazing Spider-Man 400 havia sido uma atriz (!) que substituiu a idosa gentil – reminiscências das ideias bizarras da Saga do Clone? 

Um processo místico deixa Osborn totalmente maluco e um confronto selvagem entre o Aranha e o Duende resulta na destruição do prédio do Clarim Diário, da quase morte do herói e da prisão de Osborn.

Em "Chapter One" John Byrne reconta os primeiros tempos do Homem-Aranha: versão renegada.

Ao mesmo tempo, é publicada uma maxissérie em 12 capítulos chamada oportunamente Chapter One, na qual John Byrne (escrevendo e desenhando) reconta as 20 primeiras edições de Amazing Spider-Man, originalmente produzidas por Stan Lee e Steve Ditko, mas agora repaginadas para os tempos modernos. 

No geral, a obra de Byrne é bastante fiel ao material original (talvez até demais), mas inclui Norman Osborn como um agente das sombras manipulando a vida do Homem-Aranha sem ele saber. 

O arco é rejeitado pelos fãs por causa de algumas ideias estranhas, como o fato da existência de um parentesco entre Osborn e o Homem-Areia (simplesmente porque os dois têm o mesmo corte cabelo, pois ambos foram criados por Ditko); um novo visual para Elektro; e o fato de que o acidente com a aranha radioativa que deu origem aos poderes de Peter passa a ser o mesmo acidente que transforma o Dr. Octopus em um louco.
Peter Parker abandona a identidade do Homem-Aranha por pouco tempo. Texto de Howard Mackie e arte de John Byrne.

Em janeiro de 1999, as duas revistas restantes do Aranha são zeradas e Amazing e Peter Parker: Spider-Man voltam ao número 01, começando uma nova fase, nas mãos de Mackie, Romita Jr. e Byrne. A Amazing original é encerrada no número 441.

No início da nova fase, vemos Peter tendo abandonado a identidade de Homem-Aranha, por quase ter morrido no conflito com o Duende Verde; trabalhando num laboratório de ciências e vivendo em um novo apartamento com Mary Jane e a Tia May (de penteado novo).

Mas, um novo Homem-Aranha está nas ruas combatendo o crime. Peter vai atrás e descobre que o novo herói é na verdade uma mulher, que se torna uma nova Mulher-Aranha, e Peter termina voltando à sua velha identidade.

Essa nova fase durou 29 edições de Amazing, com algumas boas histórias, mas alguns eventos estranhos. Primeiramente, o Homem-Areia se tornou um criminoso de novo (após mais de uma década “do lado do bem”, tendo inclusive atuado como um membro reserva dos Vingadores); depois, o novo visual do Elektro foi incorporado às histórias temporariamente; o novo Duende Verde foi revelado como um ser artificial, criado por meio de engenharia genética (!?); e Mary Jane foi aparentemente morta em um acidente de avião.

Na época, na Marvel, começava a circular a sensação incômoda do fato do Homem-Aranha ser um homem casado e a maneira como isso, de algum modo, atrapalharia as histórias. 

Por isso, Howard Mackie afastou Mary Jane da maneira que pôde. Ninguém acreditou que a modelo ruiva havia mesmo morrido, mas quando o Homem-Aranha a encontra após meses desaparecida, ela estranhamente decide se separar de Peter.

Um grande Reboot
O Homem-Aranha atacado por Morlun. Arte de John Romita Jr.

Durante o comando de Bob Harras como Editor-Chefe da Marvel, entre 1997 e 2000, foi criado o selo Marvel Knights, dedicado a histórias de cunho mais adulto e sério.

A coordenação do selo coube ao desenhista Joe Quesada e a empreitada foi um sucesso, devolvendo uma áurea cult a muitos personagens, como o Demolidor escritor por Kevin Smith (e desenhado por Quesada) ou o Justiceiro de Garth Ennis e Steve Dilllon.

A sensação foi tanta que Quesada emergiu como o nome natural para se tornar o novo Editor-Chefe da editora, numa gestão que duraria 10 anos até 2010.

Uma das grandes atenções de Quesada foi quanto ao Homem-Aranha. O editor era do time que pensava que o casamento só atrapalhou suas histórias e durante anos falou publicamente que, se pudesse, removeria esse evento da cronologia do personagem, algo que realmente faria. Para isso, engendrou uma grande mudança no status quo do escalador de paredes, o que envolveu uma completa mudança de direcionamento.
Ezekiel, outro "homem-aranha". Arte de John Romita Jr.

Assim, em 2001, o escritor J. M. Straczynski – vindo da TV onde criou Babylon 5 – assumiu a revista Amazing Spider-Man a partir do número 30 com a missão de causar grandes mudanças. 

E neste quesito, ele não decepcionou. Trabalhando ao lado do desenhista John Romita Jr., o autor criou, logo de imediato, uma trama em que uma espécie de vampiro energético chamado Morluncaça impediosamente o Homem-Aranha. 

Ao longo da ação, Peter Parker desvenda uma série de segredos acerca de sua origem, como o fato de que a picada da aranha radioativa foi apenas o agente de um processo místico antiquíssimo que faz com que exista uma linhagem de homens-aranha desde os primórdios do tempo. 

A aranha seria uma espécie de totem místico e sua missão seria combater outros totens místicos, o que explicaria o fato da maioria de seus inimigos estar relacionado ao nome de animais, porque eles também seriam agentes totêmicos, mesmo sem saber, como Abutre, Dr. Octopus (polvo), Rhino etc. Entendeu? É, eu também não.

O Homem-Aranha encontra outro “homem-aranha totêmico” na figura de Ezekiele descobre que a única maneira de deter Morlun é sua própria morte, porque ele existe para o equilíbrio. O herói injeta em si um veneno radioativo e deixa-se ser pego por Morlun que, aparentemente, morre ao “sugá-lo”. (Ele voltaria depois). Muito debilitado, Peter volta para casa e tenta descansar. Enquanto dorme, sua Tia May entra no apartamento e vê o sobrinho todo quebrado, ensanguentado e dormindo com a roupa do Homem-Aranha em frangalhos. Isso mesmo: Tia May descobre sua identidade secreta.
Peter Parker se torna professor.

Segue-se uma edição inteira em que Peter e May têm uma longa conversa e a tia critica severamente o sobrinho por nunca ter contado o segredo. Ele defende-se dizendo que queria protegê-la e poupá-la, mas a velha senhora informa ser mais forte do que o sobrinho pensava.

A partir de então, May se torna uma das maiores defensoras do aracnídeo. Uma curiosidade: em uma passagem humorística, May diz que chegou a pensar que o sobrinho fosse gay, porque era visível que havia um “segredo” dentro do “armário”. É, a Tia May é uma mulher moderna mesmo!

Outra grande mudança de status quo: Peter assume seu lado “ciências” e vai trabalhar com professor na mesma escola onde estudou, a Middletown High School, a mesma onde Stan Lee e Steve Ditko situaram suas primeiras histórias, mas agora, uma típica escola de periferia, com paredes grafitadas, gangues juvenis, drogas, violência, bullying e minorias étnicas.
O Homem-Aranha se torna um vingador em "New Avengers", de 2005. Arte de David Finch.

Mas isso foi apenas o começo de um turbilhão de mudanças impostas pela dupla Quesada e Straczynski. Mais a seguir.

Ao mesmo tempo, quando a Marvel reformulou os Vingadores, na virada de 2004 para 2005, o escritor Brian Michael Bendis criou os Novos Vingadores, uma equipe que reunia membros tradicionais da equipe, como Capitão América e Homem de Ferro, juntos com outros que nunca foram membros oficiais, como Homem-Aranha, Wolverine, Luke Cage e a Mulher-Aranha original. A revista New Avengers se tornou rapidamente o maior sucesso da Marvel, desenhada por David Finch.

Por volta dessa época, a revista Amazing Spider-Man teve sua numeração revertida para o sistema antigo, de modo que o número 58 equivalia ao 499. 

Assim, em dezembro de 2003, a Marvel comemorou o lançamento de Amazing Spider-Man 500, com várias capas, a mais famosas por Scott Campbell (o herói com MJ nos braços cercado por seus inimigos clássicos). 

A história em si, envolvia uma viagem temporal na qual Peter podia ver o seu início como o Homem-Aranha e o seu fim, também, quando já velho é assassinado pela polícia.
Painel de "Amazing Spider-Man 500" conta a trajetória do herói. Arte de John Romita Jr.

No final, o herói ganha de presente do Dr. Estranho um encontro espiritual com o Tio Ben por cinco minutos. Os desenhos foram de John Romita Jr. O “filho do mestre” saiu da revista e foi substituído pelo desenhista brasileiro Mike Deodato Jr. como o titular da revista Amazing.Um "segredinho" entre Norman Osborn e Gwen Stacy. Textos de Straczynski e arte de Mike Deodato Jr.

Nunca o Homem-Aranha viveu uma fase tão polêmica! Entre as mudanças, uma das mais chocantes foi a revisão da personalidade da falecida Gwen Stacy, a mais querida “namoradinha” do personagem. Numa história revisionista, chamada Pecados do Passado, escrita por Straczynki e desenhada pelo brasileiro Mike Deodato Jr., publicada em Amazing Spider-Man 509 a 514, Peter Parker fica sabendo que, quando terminou o namoro com Gwen e ela se mudou para Londres (onde tinha parentes) – fato que ocorreu nas histórias de 1971 escritas por Stan Lee e desenhadas por John Romita (o pai) e Gil Kane – a garota teria sido seduzida por Norman Osborn, transado com ele, engravidado e dado a luz a um casal de gêmeos, Gabriel e Sarah. As crianças teriam ficado sob a guarda dos parentes e Gwen voltou aos EUA para reencontrar Peter. Mary Jane sabia do fato e teria escondido isso do marido desde então. Mas, no presente, as “crianças” já eram adultas, porque os superpoderes de Osborn as afetaram com crescimento acelerado e outras habilidades especiais.
Para piorar, Sarah Stacy é a cara da mãe. Arte de Deodato Jr.

Assim, a dupla ataca o Homem-Aranha. Sarah se redime, mas Gabriel se torna o Duende Cinza. E, segundo uma piada corrente entre os fãs, Gwen Stacy se tornou “a maior vadia dos quadrinhos”. Straczynski justificou-se afirmando estar criando um motivo para que o Duende Verde matasse Gwen na clássica história de 1973. Nem é preciso dizer que esse arco de histórias revoltou os leitores veteranos.
Peter renasce (de uma aranha) com novos poderes.

Num outro arco de histórias, Straczynski decidiu incorporar os elementos dos filmes do Homem-Aranha que faziam sucesso nos cinemas, fazendo Peter renascer de uma aranha gigante (isso mesmo!) e passar a ter alguns novos poderes, dentre eles, a habilidade de gerar a sua própria teia, sem necessitar mais dos lançadores mecânicos que usava desde o início da carreira.

Em outra decisão polêmica da Marvel, durante o arco de histórias Guerra Civil, uma minissérie dos Vingadores, Peter Parker anuncia ao mundo inteiro que é o Homem-Aranha, ou seja, tem sua identidade secreta revelada.
A minissérie "Guerra Civil" dos Novos Vingadores teria grande impacto na vida de Peter Parker.


Em Guerra Civil, escrita por Mark Millar (de O Procurado e Kick-Ass) e desenhada por Steve McNiven, os heróis de terceira categoria Novos Guerreiros terminam causando sem querer uma explosão que mata 600 pessoas, a maioria crianças. Daí, o Secretário de Defesa dos EUA, Tony Stark (o Homem de Ferro) em pessoa, é obrigado a defender o projeto de Ato de Registro de Superhumanos, na qual os superseres são obrigados a se inscrever, relvelar nomes e endereços ao Governo e serem treinados em suas habilidades. Parte da comunidade superhumana apoia, mas outra facção,liderada pelo Capitão América, entende isso como uma afronta aos direitos civis e vai contra. Os “a favor” são obrigados a perseguir os “contra”, porque estes se tornam foras da lei.

Peter Parker revela ao mundo que é o Homem-Aranha em "Guerra Civil". Texto de Mark Millar, arte de Steve McNiven.

Peter Parker fica do lado de Tony Stark e apoia o registro. Ele revela sua identidade, mas é tão perseguido que passa a usar uma armadura produzida pelo inventor. Porém, durante os conflitos, o Aranha começa a se questionar das decisões éticas de Stark e seu grupo, que envolvem criar uma prisão em outra dimensão (cortesia de Reed Richards, do Quarteto Fantástico) ou tentar clonar Thor (cortesia de Hank Pym, dos Vingadores), e por fim, termina mudando de lado e se juntando ao Capitão América, Wolverine e outros.
A armadura estilo Homem de Ferro. Arte de Ron Garney.

Como resultado, além de virar um foragido da Lei e todos saberem seu segredo, Peter vê o Rei do Crime contratar um atirador de elite para matar a Tia May e a velhinha é atingida, ficando à beira da morte. Peter fica de luto e volta a usar o uniforme negro, enquanto caça os responsáveis pela situação de sua tia, mas como ela está à beira da morte, não tem mais salvação.
O poster de "One More Day" já anunciava. Arte de Joe Quesada.

Entra em jogo a cartada final de Quesada e Straczynski: aproveitam a situação para criar uma desculpa para apagar o casamento de Peter e Mary Jane da cronologia do personagem. Vem então Um Dia a Mais ou One More Day, uma trama maluca em que Mefisto (a versão do Diabo no Universo Marvel. Lembram dele?) oferece a Peter a oportunidade de salvar sua tia e, de brinde, salvar sua identidade secreta. Mas, como em todos os contratos com o Demônio, há um preço: o amor por Mary Jane. O casal conversa e chega à conclusão que isso é o melhor a fazer, então, Mefisto usa seu poder para realizar o que prometeu. Isso ocorre principalmente em Amazing Spider-Man 544 e 545, de novembro e dezembro de 2007, escritas por Straczynksi e desenhadas por Quesada.
Mefisto pede o casamento em troca. Texto de Straczynski (oficialmente) e arte de Quesada.

Curiosamente, Um Dia a Mais também representou o fim da longa fase de Straczynski à frente do Homem-Aranha após mais de seis anos e foi da pior maneira possível. Além da polêmica trama, que irritou mais ainda os leitores antigos, o escritor ainda iniciou uma briga pública com o Editor-Chefe Joe Quesada, acusando-o de modificar o final de sua história. Chamuscado na Marvel, Straczynski ainda desenvolveu um arco de 12 partes com a volta de Thor (fase que inspirou o filme), mas saiu da editora depois disso e foi para DC fazer Superman e Mulher-Maravilha.
O início de "Brand New Day" em "Amazing Spider-Man 546". Capa variante por Steve McNiven.

A Marvel aproveitou o reboot do Homem-Aranha – ou seja o fim de seu casamento e o apagamento cronológico da identidade pública – para promover uma completa mudança no universo ficcional do cabeça de teia, num arco de histórias chamado Brand New Day ou Um Novo Dia, que começou em Amazinng Spider-Man 546. Agora, Peter Parker era novamente solteiro e vivia dividindo um apartamento em Nova York com um amigo policial chamado Vin Gonzales. Mary Jane estava “sumida do mapa”. Nem May, nem Norman Osborn, nem ninguém mais sabe que ele é o Homem-Aranha. E não para por aí: Harry Osborn está novamente vivo.

Não fica claro até que ponto Peter sabe das mudanças, mas fica evidente que ele percebe que algumas coisas mudaram, particularmente no que se refere à sua identidade secreta. Mas, a dúvida permanece quanto ao fato dele saber se já tinha sido casado com Mary Jane.
Norman Osborn se torna o queridinho da nação em "Thunderbolts" por Warren Ellis e Mike Deodato Jr. Note a semelhança com Tommy Lee Jones.

Várias mudanças menores também ocorrem: J.J. Jameson perde o controle do Clarim Diário para um empresário inescrupuloso, que muda seu nome para CD. A maior parte do staff do jornal – à exceção de Betty Brant – se demite e funda um novo períodico chamado Linha de Frentecomandado por Ben Urich, para o qual Peter também passa a trabalhar. Harry vive como um adicto em recuperação e administra o Grão de Café, o velho café que ele, Peter, Gwen e MJ frequentavam nas histórias dos anos 1960. E também vive à sombra do pai, já que Norman Osborn emerge como um dos homens mais poderosos dos EUA após a Guerra Civil, já que passa a comandar os Thunderbolts, um projeto do Governo que usa criminosos condenados em missões suicidas. A nova revista Thunderbolts, por Warren Ellis e o desenhista brasileiro Mike Deodato Jr. é um dos maiores sucessos da Marvel na época.


E Norman Osborn se torna ainda mais poderoso em seguida, quando os alienígenas0 Skrulls invadem a Terra na saga Invasão Secreta, dos Vingadores, por Brian Michael Bendis e Leinil Francis Yu, e Stark é considerado culpado pelo incidente ou pelo planeta não estar bem preparado para defender-se. Assim, Stark cai, a SHIELD é extinta e substituída pelo MARTELO que é comandado justamente por Osborn, que se torna a maior autoridade do país depois do presidente. E, claro, o vilão usa seu poder para se vingar sistematicamente do Homem-Aranha e de seus outros inimigos, como os Novos 
Vingadores, ainda fugitivos da Lei.

O Homem-Aranha enfrenta os Thunderbolts de Norman Osborn pela primeira vez. Ilustração da capa de 'Amazing Spider-Man 569" por John Romita Jr.

De volta às histórias do Homem-Aranha, as revistas The Sensasional Spider-Man e Friendly Neighborhood Spider-Man foram canceladas, nas edições 41 e 24, respectivamentea, e Amazing Spider-Man se tornou o único título a trazer histórias solo do Homem-Aranha dentro de sua continuidade regular, virando, então, uma revista com três edições mensais.

Para dar conta do recado, um verdadeiro time de escritores e desenhistas passou ao comando da revista, se alternando em arcos seguidos: a equipe de roteiristas é formada por Dan Slott, Bob Gale, Marc Guggenheim, Fred Van Lente e Zeb Wells. Já os desenhistas eram Chris Bachalo, Phil Jimenez, Mike McKone, John Romita Jr. e Marcos Martin. Algum tempo depois, outros escritores passaram a fazer algumas contribuições, como o veterano escritor Roger Stern (de volta outra vez) e o desenhista Barry Kitson, famoso por seu trabalho na DC nos anos 1990. A maior periodicidade logo disparou a numeração da revista, que chegou à edição 600 em 2009.

Quanto ao conteúdo, muito embora os leitores – especialmente os mais antigos – tenham reclamado das mudanças e da maneira como foram realizadas, todos concordam que a qualidade da revista melhorou muito, com histórias mais concisas, autocentradas e resgatando o velho humor do personagem, tão caro à fase de Stan Lee no passado. Novos inimigos, novos coadjuvantes e novas situações – Osborn no poder – também foram campo fértil para boas histórias e Dan Slott & Cia. O resultado foi claro: de imediato após a mudança, Amazing voltou a ser a revista de maior sucesso da Marvel, competindo mês a mês com New Avengers, também estrelada pelo amigão da vizinhança.

Há dois arcos de destaque nesse período que são realmente histórias muito boas. O primeiro é Novas formas de morrer, publicado entre Amazing Spider-Man 568 e 573, escrito por Dan Slott e desenhado por John Romita Jr. É o primeiro confronto entre o Homem-Aranha e Norman Osborn e os seus Thunderbolts (que incluem o novo Venom [o ex-Escorpião] e o Mercenário, arquiinimigo do Demolidor), bem como as consequências disso para a vida particular de Peter Parker, especialmente para Harry Osborn.
Ameaça, um novo vilão com ligações com Osborn. Arte de John Romita Jr.

O outro é o arco chamado Assassinato de um personagem, publicado em Amazing Spider-Man 584 a 587, escrito porMarc Guggenheim e também desenhado por John Romita Jr., em que o Homem-Aranha combate o novo vilão Ameaçaaté descobrir a identidade secreta do criminoso. O mistério em torno da identidade do Ameaça (que vinha se arrastando desde o início de Um Novo Dia) e o fato dele usar os equipamentos do Duende Verde prestam uma óbvia homenagem às histórias originais do Duende Macabro escritas por Roger Stern nos anos 1980. Porém, o arco passa longe da paródia e traz uma daquelas histórias simples, mas eficazes. O fato de trazer o mesmo desenhista da homenageada, John Romita Jr., ajuda a dar crédito.

Por fim, há uma terceira história muito boa dessa fase: aquela em que o Homem-Aranha se une aos Novos Vingadores para dar um golpe final em Norman Osborn e expor o líder do MARTELO como um criminoso antiético, que foi publicada na série de especiais chamada Norman Osborn: A Lista, com cada edição dedicada a um personagem diferente, como membros dos Novos Vingadores (Ronin), X-Men (Namor e Ciclope) e o Justiceiro. O capítulo do Aranha foi escrito por Dan Slott e desenhado por Adam Kubert.
O novo Duende Macabro e um dos uniformes reluzentes do Homem-Aranha. Arte de Humberto Ramos.

Em janeiro de 2011, a partir de Amazing Spider-Man 648, a revista passou a ser publicada “apenas” duas vezes ao mês, mantendo Dan Slott como o escritor fixo. O autor vem fazendo vários arcos, como Big Times, desenhado pelo mexicano Humberto Ramos, que traz um novo Duende Macabrona figura de Phil Urich, sobrinho de Ben Urich, que passa a agir como mercenário para o Rei do Crime. Nesse arco, o Homem-Aranha usa vários uniformes diferentes, de cores reluzentes.

Atualmente, corre a saga Spider Island, onde todos os habitantes de Manhattan ganham poderes idênticos aos do Homem-Aranha.
Para o universo Ultimate, Mark Bagley criou um visual mais cartunesto para o Homem-Aranha.

Enquanto isso, na sala ao lado…

Este post foi sobre a cronologia oficial do Homem-Aranha, mas não podíamos deixar de pelo menos citar que, desde 2000, há uma versão paralela do herói noUniverso Ultimate da Marvel. Este universo foi criado para contar histórias mais modernas dos velhos personagens, sem o peso da cronologia. Rendeu alguns bons momentos, como The Ultimates o arco de histórias dos Vingadores, com uma versão mais durona, cínica e realista da equipe e que é a principal influência para o filme que virá em 2012.

A estreia do Universo Ultimate se deu justamente com o Homem-Aranha, por meio do escritor Brian Michael Bendis (na época, um novato na Marvel) e o veterano desenhista do personagem Mark Bagley. Primeiramente, a dupla transformou as oito páginas do conto de Stan Lee e Steve Ditko sobre a origem do personagem em um arco de oito capítulos e 180 páginas, criando um novo universo com um Peter Parker mais jovem, no colegial, trabalhando como web designer (e não fotógrafo), já tendo as teias embutidas em seu corpo (e não artificiais), sendo vizinho de Mary Jane Watson desde a infância e tendo o acidente com a aranha (não mais radioativa, mas) modificada geneticamente na Oscorp, ou seja, por meio de experimentos comandados por Norman Osborn. Além disso, May e Ben Parker estão mais modernos, inclusive com ele tendo morado em um acampamento hippie na juventude (!) e usando rabo de cavalo (!).
O novo Homem-Aranha Ultimate...

Mas a essência do personagem era a mesma e Bendis e Bagley realmente contaram boas histórias, apesar de algumas decisões estranhas, como transformar o Duende Verde em um monstro no estilo do Hulk. A revista fez bastante sucesso em seus primeiros anos, mas depois decaiu. Ainda assim, Bendis e Bagley bateram o recorde de 100 edições ininterruptas à frente de The Ultimate Spider-Man. Isso deve servir para tornar Bagley o mais longevo desenhista do personagem em todos os tempos, pois soma-se aos mais de seis anos em que desenhou Amazing Spider-Man nos anos 1990....é Miles Morales, negro e latino.

Para recuperar os bons tempos, Bendis, que prossegue escrevendo as histórias há 11 anos, causou uma grande reformulação após o arco Ultimatum que resultou na morte de Peter Parker e sua substituição por Miles Morales, que é afrodescendente e latino. Esse evento chegou até ser divulgado na imprensa mundial com destaque."

Fonte:

https://sitetarjanerd.com.br/literatura/os-diversos-duendes-universo-homem-aranha/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Duende_Macabro

https://en.wikipedia.org/wiki/Ned_Leeds

https://aminoapps.com/c/homem-aranha-brasil/page/blog/quem-e-ned-leeds/3Pq8_0oFBugrL6nVPQG1qvWGaXRw0QoP6l

https://pt.wikipedia.org/wiki/Duende_Verde

https://pt.wikipedia.org/wiki/Duende_Verde#Outros_Duendes_2

https://pt.wikipedia.org/wiki/Harry_Osborn

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gwen_Stacy

https://pt.wikipedia.org/wiki/Goblin

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hobgoblin

https://spidermandatebase.fandom.com/es/wiki/Proto-Duende

https://pt.wikipedia.org/wiki/Duende_Cinza

https://translate.google.com/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=https://marvel.fandom.com/wiki/Sarah_Stacy_(Earth-616)&prev=search

https://cantogamer.wordpress.com/2011/10/01/a-historia-do-homem-aranha-nos-quadrinhos-parte-02/




https://marvel.fandom.com/wiki/Category:Sarah_Stacy_(Earth-616)/Appearances

https://marvel.fandom.com/wiki/The_Spectacular_Spider-Man_Vol_2_25

https://www.fandom.com/topics/movies

https://marvel.fandom.com/wiki/Amazing_Spider-Man_Vol_1_514

https://marvel.fandom.com/wiki/The_Spectacular_Spider-Man_Vol_2_24

https://marvel.fandom.com/wiki/Amazing_Spider-Man_Vol_1_509

https://marvel.fandom.com/wiki/Amazing_Spider-Man_Vol_1_512

https://marvel.fandom.com/wiki/The_Spectacular_Spider-Man_Vol_2_23

https://marvel.fandom.com/wiki/Amazing_Spider-Man_Vol_1_510




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