Coluna Clio

Extensão do Jornal Delfos-CE: http://jornaldelfos.blogspot.com.br/
Clio é a musa da História na Mitologia grega.

Temer na Cadeia Aécio na Cadeia

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Copiem e colem em seus perfis

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

SONETO: O ESTUDO SOBRE AS SUAS RAÍZES HISTÓRICAS


INTRODUÇÃO:

Inicialmente descobri que o cara que diziam ter criado o soneto, um italiano chamado Petrus na verdade era um francês chamado Pierre e que ele simplesmente teria levado o soneto da França para a Itália e que o soneto viria da palavra "soniére" e que nascera cantado e sem um nome certo por ser uma das trovas inicialmente feitas de quadras que mais tarde foram acrescentado os tercetos, então, resolvi pesquisar novamente quando  me foi mostrado por um amigo professor de literatura o livro "Tratado de Versificação", de Olavo Bilac, então, resolvi concluir a ideia que tive ano passado de escrever sobre a origem do soneto; eis, então, este artigo, estudando esse livro de Bilac e a dissertação de mestrado de, Marisa Helena Simões Gontijointitulada  "Francisco Braga: uma análise poética e musical de sua canção Virgens Mortas, sobre o soneto homônimo de Olavo Bilac.", de 2006 pela Universidade Federal de Minas Gerais.

Disponíveis ambos os materiais na internet e pesquisar mais um pouco para contrapor e tentar chegar a alguma conclusão a respeito das raízes históricas do soneto.

CAP 1: A ORIGEM DO SONETO:

"(...) Encontramos nos tratados de literatura que o soneto teve sua origem na Sicília (...) na corte do Imperador de Roma Frederico II (1194-1250), onde era cantado da mesma forma que as baladas provençais tradicionais. Ali, na primeira metade do século XIII, Giácomo da Lentino criou o soneto como uma espécie de letra para música cantada ou espécie de canção.

Possuía um princípio par, o das quadras, seguido pelo por um princípio ímpar, o dos tercetos, que se adequavam à mudança da melodia na segunda parte. O número de linhas e a disposição das rimas, entretanto, permaneceram variáveis até que Guittone d’Arezzo, no final do século XIII, sistematizou sua forma, experimentada por Dante e Guido Cavalcanti e tendo Petrarca como seu maior difusor, com mais de 300 sonetos admiráveis. 

Mas, segundo Olavo Bilac (1905, p.71) o que parece estar averiguado como positivo é que a forma poética foi criada pelo troubadour francês, de Limoges, Girard de Bournenil (s.d. -1278) no século XIII. O soneto então passou à Itália e voltou à França no século XVI.

O soneto desenvolveu-se durante a Idade Média, na Europa, numa época de transformações sociais profundas, perturbadas pelas invasões bárbaras, mas que soube resguardar sua cultura e suas raízes históricas. Enquanto o Império Romano desintegrava-se em sua organização, a reconstrução em reparação à desordem na Europa preparava a Idade Moderna. Surgiram as línguas européias 
pela corrupção do latim (sic), pelo novo modo de poetar dos trovadores e pela constituição das nacionalidades. 

A forma soneto, levada à perfeição por Camões (1525-1580), Shakespeare (1564-1616; soneto inglês, com três quartetos e um dístico final, em decassílabos) e Petrarca (1304-1374), esteve presente no Renascimento e no período Barroco, resistiu ao desprezo dos iluministas e foi cultivada por românticos, parnasianos e simbolistas. A elaboração poética do soneto é fundamentada em 14 versos geralmente rimados, e dispostos em quatro estrofes: as duas primeiras de quatro versos e as duas seguintes de três versos e segue normas rigorosas retóricas quanto ao conteúdo e desenvolvimento do tema. Usualmente, o soneto contém reflexões sobre temas ligados à vida e é a forma fixa mais encontrada entre os poemas, considerada por Olavo Bilac 'a mais difícil e a mais bela das formas da poesia lírica'. 

No século XX, frente à revolução do verso livre modernista manteve-se na obra de modernistas radicais como Fernando Pessoa (1888-1935), chegando ao fim desse século intacto, tal como era praticado por Dante (1265-1321), Petrarca, Shakespeare e Camões. 
Alguns dos principais sonetistas brasileiros foram: Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711), Cláudio Manuel da Costa (1729-1789), Alphonsus de Guimarães (1870-1921), Cruz e Sousa (1861-1898), Vicente de Carvalho (1866-1924), Francisca Júlia (1874-1920), Manuel Bandeira (1886-1968), Carlos Drummond de Andrade (1902- 1987) e Vinícius de Morais (1913-1980)." 

(Gontijo, Marisa Helena Simões. Francisco Braga: uma análise poética e musical de sua canção Virgens Mortas, sobre o soneto homônimo de Olavo Bilac.- 2006 Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Música. Orientador: Prof. Dr. Maurício Veloso Queiroz Pinto pág. 57 a 59)

CAP 2: O VERSO ALEXANDRINO:

"(...) todos os versos (...) formados pelo mesmo número de sílabas, 12 sílabas métricas ou poéticas,[são] chamados versos alexandrinos. Esses versos longos, muito usados pelos parnasianos e clássicos, possuem um acento e uma cesura (divisão) na sexta sílaba, formando dois segmentos. Uma criação francesa, os alexandrinos foram empregados na composição do Roman d’Alexandre le Grand, poema começado por Lambert Licors, no século XII e continuado por Alexandre d’Bernay, trovador normando, no mesmo século. Seu nome é uma dupla alusão ao nome do conquistador e trovador (BILAC; PASSOS, 1905, p. 24). 

A feitura dos versos alexandrinos fundamenta-se em dois princípios básicos: quando o primeiro seguimento termina por uma palavra grave (paraxítona) (sic), o outro seguimento deve começar por vogal ou consoante muda, para que aconteça a elisão; a última palavra do primeiro seguimento nunca pode ser esdrúxula (proparoxítona). A cada uma das metades do verso dá-se o nome de hemistício que, ao se elidirem, geram um impulso ou pulso que movem o verso evidenciando nele a inflexão em thesis e arsis. A contagem das sílabas do verso faz-se enumerando da primeira sílaba do verso até a última sílaba tônica do mesmo (...)" (Idem pág. 61 a 62)



CAP 3: ELISÃO

"A elisão 



É a fusão de duas ou mais vogais em uma só, no final de uma palavra e no início de outra, formando ditongos ou tritongos e transformando assim duas sílabas distintas em uma só, ou seja, a vogal que termina uma palavra absorve-se na outra que começa a palavra seguinte. Segundo Silva (1999, p.73) os ditongos são tratados como uma seqüência de seguimentos, sendo um dos seguimentos interpretado como vogal e o outro interpretado como semivogal ou glide e este se refere às vogais sem proeminência acentual nos ditongos. No poema podemos citar como exemplo: palpitae resplandece. O A é a vogal e o E é o glide. Mas ao pronunciarmos o soneto devemos considerar que nem sempre elidir ou absorver é omitir. Omite-se a vogal, a exemplo, em Quando uma virgem, o O de quando, ficando a pronúncia da seguinte maneira: Quand’uma virgem. As elisões conferem impulso e movimento circular ao poema que induzem a leitura ou a escuta ao fim do verso." (idem, pág. 63)



CAP 4: O SONETO DA CONCEPÇÃO DE OLAVO BILAC:

"SONETO

É, apezar da guerra que lhe tem sido movida, e apezar do abuso que
d'elle têm feito os poetas mediocres, a mais difficil e a mais bella das fórmas da poesia lyrica, na metrica brasileira contemporanea.

O soneto é uma composição poetica, constituida por 14 versos, distribuidos em 2 quartetos e 2 tercetos. A tradição quer que o ultimo verso do soneto seja sempre uma «chave de ouro», encerrando a essencia do pensamento geral da composição: «si le venin du scorpion est dans sa queue, le mérite du sonnet est dans son dernier vers» — escreveu Théophile Gautier. 

Em muitos tratados de «Litteratura» e de «Versificação», se lê que o soneto é de invenção italiana. Mas o que parece estar hoje positivamente averiguado é que essa fórma poetica foi creada na Europa por Girard de Bournenil, trovador (troubadour) francez (de Limoges) do seculo XIII, morto em 1278. O soneto passou á Italia, e d'ahi voltou á França no seculo XVI. 

Todas as litteraturas da Europa têm cultivado o soneto. Na França, elle foi especialmente praticado por J. du Bellay, Desportes, Voiture, Benserade, Malleville, Desbarreaux, Scarron, Théophile Gautier, Sainte-Beuve, Sully-Pruddhome, Soulary, Banville, Heredia, etc.; na, Italia, por Petrarcha (mais de trezentos sonetos admiraveis), e por todos os poetas que lhe succederam; na Hespanha e em Portugal, por Garcilaso de La Vega, Quevedo, Santa Thereza de Jesus, Cervantes, Sá de Miranda, Camões (mais de quinhentos sonetos encantadores), Rodrigues Lobo, etc. 

No Brasil, o soneto sempre encontrou poetas que o estimassem e servissem. Desde o seu inicio até hoje, a nossa litteratura poetica usou e abusou d'essa fórma. Ultimamente, o «parnasianismo» brasileiro tem dado sonetos de uma perfeição admiravel, — honrando e restaurando o lindo poemeto, que inspirou a Boileau o famoso verso: Un sonnet sans défaut vaut seul un long poëme...» 
(Art Poétique, II, 94.)" 



(...)  Já dissemos que o soneto se compõe de quatorze versos, repartidos em dois quartetos e dois tercetos.



O soneto classico (petrarcheano e camoneano) é o soneto em versos decasyllabos ou heroicos. Mas nunca houve regras fixas para a collocação das rimas dos quartetos e dos tercetos, se bem que a collocação mais geralmente seguida tenha sido, entre os classicos, a que se observa no soneto acima transcripto, de Gregorio de Mattos:  o primeiro verso com o quarto, o quinto e o oitavo; o segundo com o terceiro, o sexto e o setimo; o nono com o undecimo e com o penultimo; o decimo com o duodecimo e com o ultimo.



Ha, porém, muitas variantes, geralmente admittidas. Eis algumas: Variantes nos quartetos: a)  o primeiro com o terceiro, o quinto e o setimo; o segundo com o quarto, o sexto e o oitavo; b)  o primeiro com o terceiro, o sexto e o oitavo; o segundo com o quarto, o quinto e o setimo; c)  o primeiro com o quarto, o sexto e o setimo; o segundo com o terceiro, o quinto e o oitavo. (...)



Variantes nos tercetos. 1ª  O nono verso do soneto com o decimo, o duodecimo com o penultimo, e o undecimo com o ultimo (...)


2ª O nono verso do soneto com o duodecirno, o decimo com o penultimo, e o undecimo com o ultimo (...)

3ª O nono verso do soneto com o undecimo, o duodecimo com o ultimo, e o decimo com o penultimo (...)

4ª  O nono verso do soneto com o undecimo, o de-cimo com o duodecimo, e o penultimo com o ultimo (...)

 No soneto classico, todos os versos são graves. Mas os poetas brasileiros costumam, ás vezes, ora entremeiar nos quartetos e nos tercetos rimas graves com agudas, symetricamente,  ora conservar nos quartetos todas as rimas graves, e terminar os dois tercetos com uma rima aguda. A segunda fórma é a mais frequente (...)

Ha, na poesia nacional moderna, sonetos compostos em versos alexandrinos, em redondilhas e em outros metros (...)

Alguns poetas têm invertido a collocação das quatro estrophes ou estancias, de que se compõe o soneto, antepondo os tercetos aos quartetos(...)

O soneto é uma composição lyrica por excellencia. Mas, não raro, tem sido empregado corno (sic) molde de outros generos poeticos. Assim, além dos sonetos lyricos, (...) ha sonetos (...) méramente descriptivos, (...) épicos,(...) satyricos, (...) humoristicos, (...)

Todos esses exemplos servem para demonstrar que o soneto não é hoje, como antigamente, uma composição poetica sujeita a regras immutaveis e severas, — «um pensamento de ouro num carcere de aço.» O soneto tem hoje uma liberdade folgada, — e é talvez por isso que os poetas o cultivam com tanta frequencia.

(BILAC, Olavo. PASSOS, Guimaraens. Tratado de Versificação. Rio de Janeiro:1905. Editoração Eletrônica: Ana Luiza Nunes/ Paula Mendes Abelaira)

CAP 5:A ETIMOLOGIA DA PALAVRA SONETO


Se o soneto tiver realmente sido criado na França, então ele vem da palavra francesa, então soneto na verdade não vem  do Italiano "sonnet" mas deo Francês "sonnet", pronunciado "sôné".

Mas, na internet achamos somente a origem italiana:

"A palavra soneto tem origem no italiano sonetto, termo surgido nos finais do século XIII para designar «[uma ]composição lírica formada de quatorze hendecassílabos, rimados variadamente, cujos oito primeiros formam duas quadras, e os outros formam dois tercetos» (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, versão brasileira). Por sua vez, a palavra italiana é adaptação do um termo do provençal, sonet, que significava «espécie de canção, de poema» e provinha do francês antigo sonet, «cançoneta», diminutivo de son, «som», que, ao que parece, por extensão semântica, assumia também a acepção de «ária de música que acompanhava um verso»." 
(https://www.google.com.br/search?newwindow=1&site=&source=hp&q=ETIMOLOGIA+DA+PALAVRA+SONETO&oq=ETIMOLOGIA+DA+PALAVRA+SONETO&gs_l=hp.3..0i22i30l2.1568.6263.0.6805.29.17.0.6.6.0.406.2005.2-5j1j1.7.0....0...1c.1.54.hp..17.12.1776.0.kQbFbgzao0A)



"Soneto (do italiano sonetto, pequena canção ou, literalmente, pequeno som) é um poema de forma fixa, composto por catorze versos, de origem atribuída a poetas da Sicília ou da Provença.


Estrutura:

Pode ser apresentado em três formas de distribuição dos versos:
Soneto italiano ou petrarquiano: apresenta duas estrofes de quatro versos (quartetos) e duas de três versos (tercetos); Soneto inglês ou Shakespeariano: três quartetos e um dístico; Soneto monostrófico (sic): Apresenta uma única estrofe de 14 versos:

Para além destas formas, pode haver o acrescentamento (geralmente de três versos) feito aos 14 versos de um soneto. Este acrescentamento é chamado de estrambote1 e o poema passa a chamar-se soneto estrambótico. O termo deriva do italiano strambotto ("extravagante, irregular"). Uma vez que o soneto é caracterizado exactamente (sic) como um poema de 14 versos — tradicionalmente dois quartetos e dois tercetos —, o acréscimo de um ou mais versos no final do poema (de acordo com a conveniência do escritor), faz da obra um soneto irregular — estrambótico, como usado por exemplo por Miguel de Cervantes 2 .

História:

Petrarca, um dos grandes sonetistas da literatura italiana medieval.

O soneto teria sido criado no começo do século XII, possivelmente na Sicília, onde era cantado na corte de Frederico II Hohenstaufen da mesma forma que as tradicionais baladas provençais. A invenção do soneto é atribuída a Jacopo da Lentini 3 - conhecido como Jacopo Notaro, após receber o título «Jacobus de Lentino domini imperatoris notarius» - poeta siciliano e imperial de Frederico II, e surgiu ali como uma espécie de canção ou de letra escrita para música, possuindo uma oitava e dois tercetos, com melodias diferentes. Outras fontes poderão atribuir tal invenção a outros poetas, majoritariamente provençais, embora sua difusão tenha se dado indubitavelmente através dos italianos.

O número de linhas e a disposição das rimas permaneceu variável até que o poeta toscano Guittone d'Arezzo(ou Fra Guittone), tornou-se o primeiro a adotar e aderir definitivamente àquilo que seria reconhecido como amelhor forma de expressão de uma emoção isolada, pensamento ou idéia: o soneto. Durante o século XIII criou o soneto guitoniano, padronizado, cujo estilo foi empregado por Petrarca e Dante, com pequenas variações.

Coube ao fiorentino Francesco Petrarca aperfeiçoar a estrutura poética iniciada na Sicília, difundindo-a por toda a Europa em suas viagens. Sua obra engloba 317 sonetos contidos no Il Canzoniere, a coletânea de poesiaque exerceu influência sobre toda a literatura ocidental. Os melhores poemas desse livro são dedicados a Laura de Novaes, por quem possuía um amor platônico. Destacam-se os recursos metafóricos e o lirismo erótico dos sonetos.

Dante Alighieri, o autor de A Divina Comédia, e também um seguidor de Guittone, em sua infância já compunha sonetos amorosos. Seu amor impossível por Beatriz (provavelmente Beatrice Portinari) foi imortalizado em vários sonetos em Vita Nuova, seu primeiro trabalho literário de grande importância.

Graças a uma viagem que fez para a Itália entre 1521 e 1526, o poeta português Sá de Miranda regressou com uma nova estéticapoética para Portugal, introduzindo pela primeira vez o soneto, a canção, a sextina, as composições em tercetos e em oitavas, e osversos de dez sílabas, conhecidos como decassílabos. Luís Vaz de Camões adotou esta estética, compondo diversos sonetos com oamor como tema principal e imortalizando o soneto em língua portuguesa.

William Shakespeare, além de teatrólogo, desenvolveu o soneto inglês, composto por três quartetos e um dístico, diferente da composição original de Petrarca. Desde o século XVI, o soneto adquiriu importância ao redor do mundo, tornando-se a melhor representação da poesia lírica.

Alguns casos notáveis são: o poeta russo Aleksandr Pushkin compôs Eugene Onegin, um poema repleto de sonetos adotado por Tchaikovsky para compor uma de suas óperas; o francês Charles Baudelaire ajudou a divulgar os versos alexandrinos em Les Fleurs du Mal. Vivaldi também usou-se de sonetos.

E por falar em versos alexandrinos, utilizados por muitos sonetistas, eles remontam - segundo alguns dicionários da língua portuguesa - a uma obra francesa do século XII chamada Le Roman d'Alexandre, versos de doze sílabas poéticas (dodecassílabos).

Porém, os dicionários da língua espanhola - apesar de apontarem para a mesma origem - insistem em afirmar que os versos alexandrinos são aqueles que contêm quatorze sílabas gramaticais.

Isso se deve ao fato de que na versificação espanhola (diferentemente do que ocorre nas versificações francesa e portuguesa) conta-se uma (e apenas uma) sílaba poética após a última sílaba tônica. Assim: "amor", em português possui duas sílabas poéticas (a / mor-) e em espanhol, três (a / mor / x); "amada", em português possui duas (a / ma-), e em espanhol, três (a / ma / da); e, por fim, "amássemos", em português possui duas (a / má-) e em espanhol, três (a / má / sse-). Dessa forma, o seguinte verso "é noite e a angústia toma o que há de bom em mim", que é alexandrino, terá, conforme a contagem portuguesa, dois hemistíquios de seis versos (é / noi / te e a an / gús / tia / to- // o / que há / de / bom / em / mim-), enquanto que na contagem espanhola terá dois hemistíquios de sete versos (é / noi / te a an / gús / tia / to / ma // o / que há / de / bom / em / mim / x).

Finalmente, após aderir ao humanismo e ao estilo barroco, o poema dos catorze versos acabou sendo desprezado pelos iluministas. No século XIX, ele voltou a ser cultivado, com mais fervor, por românticos, parnasianos e simbolistas, sobrevivendo ao verso livre domodernismo - que viria em seguida - até os dias atuais." (http://pt.wikipedia.org/wiki/Soneto)

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Temos algumas proposições contrárias:

1-Giácomo da Lentino ou Jacopo da Lentini criaram o soneto na Sicília. Mais são a mesma pessoa.

2-Bilac nos diz que o criador do soneto é o francês Girard de Bournenil, um trovador do seculo XIII, morto em 1278. O soneto passou para a Italia, e depois voltou à França no seculo XVI."

3-A origem do soneto é atribuída a poetas da Sicília ou da Provença.

4-Guittonne d'Arezzo, um dos predecessores de Dante na poesia toscana também é citado como autor do poema de 14 versos.

5- Já foi atribuído a um trovador francês com nome falseado de Pierre para Petrus.

6-Cruz Filho nos diz que com certeza veio da Itália e mais precisamente da Sicília e que o fato de ter vindo de Girard de Bourneil é um dos erros que se comete ao estudar a origem do soneto.

7- Ainda existe a palavra "sonê", que se aplica a diversos tipos de canto, assim como a palavra "trouvère" que também significava qualquer tipo de cantoria e daí o nome trovador. 

8-Pierre das Vignes ou de la Vigne (1197-1249), conselheiro de Frederico II, é citado também como criador do soneto pela "Enciclopédia Universal Ilustrada Europeu-Americana"

9-Petrarca é sitado como quem conseguiu unir melhor filigranas da poesia árabe, de onde também dizem vir o soneto

10-Augusto Dorchain e Guimarães Passos também acreditam assim como Olavo Bilac ter o soneto vindo da França. Talvez baseados no"Dictionnaire des Écrivains et des Littératures", de Frederico Lolié que também pensa ser o soneto francês.

11-Dorchain,em seu tratado "L'Art des Vers", dá apoio à hipótese de Colletet, dizendo que , teria o soneto passado à Itália, onde florescera com Dante e Petrarca, e de onde Mellin de Saint-Gellais e Clemente Marot o trouxeram para a França. Tento sido inventado no século XIII pelos trovadores provençais.


12- Jorge Pellissier, um crítico frâncer diz que o poema provençal não se originou da palavra "son" ou "sonnet", que para ele seria muito antiga na língua dos trovadores e aplica-se a qualquer espécie de canto e designa, sobretudo, as composições líricas que eram cantadas ao som de instrumentos musicais. 

A forma moderna do soneto seria invenção italiana e teria sido trazida à França, não por Du Bellay, mas por Saint-Gellais e Marot. 

Após muitos discípulos terem composto sonetos depreciado durante o domínio literário de Malherbe, teria reencontrado o soneto a sua antiga voga com Voiture, Benserade e outros. Tendo caído novamente em olvido, no decurso da última metade do século XVII e durante todo o século XVIII, e teria sido retomado pela escola moderna, cabendo a Sainte-Beuve "a iniciativa da restauração da antiga honra do poema"

Além dessas 12 (doze) teorias existem muitas outras, tornando o estudo sobre o soneto cada vez mais confuso e cansativo,mas em outra oportunidade voltaremos a aprimorar nossos estudos com o fim central de identificar definitivamente se foi Itália ou França que criou o soneto e se há de fato um só ou muitos criadores.


Portanto, é difícil dizer se foram franceses ou italianos. A conclusão possível é que ao que tudo indica era realmente um poema musicado, ou na França ou na Itália; talvez na Sicília, Provença ou Ligmoez, não sabemos, talvez de "sonetto" ou "sonnet", criador talvez por Jacopo da Lentini, Giácomo da Lentini, Girard de Bourneneil ou outro trovador francês ou outro poeta italiano o soneto foi criado e adaptado muitas vezes.


Parece-nos que realmente começa 4-4-3-3 depois vai para 8-3-3, para 8-3-3-3 ou 4-4-3-3-3 (estrambótico) e por fim 4-4-4-2 (Shakespeare), depois veio o alexandrino voltando para 4-4-3-3, mas com decassílabos e outras regras e foram-se aplicando novas regras e variantes, mas que a de Shakespeare o 4-4-4-2 seria o tido como "perfeito", porém, não podemos afirmar que ou se Shakespeare existiu, fica aí mais outro impasse.


Ainda não foi possível a este historiador uma conclusão definitiva até o presente momento. 


Ateu Poeta, O Historiador de Pacoti

03/10/2014

Fontes:



Gontijo, Marisa Helena Simões 

 Francisco Braga: uma análise poética e musical de 

 sua canção Virgens Mortas, sobre o soneto homônimo 

 de Olavo Bilac.- 2006  

Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de 

Minas Gerais, Escola de Música. 
Orientador: Prof. Dr. Maurício Veloso Queiroz Pinto

BILAC, Olavo. PASSOS, Guimaraens. Tratado de Versificação
Rio de Janeiro:1905
Editoração Eletrônica: 
Ana Luiza Nunes 
Paula Mendes Abelaira



http://www.sociedadehelenica.org.br/paginas_pt/netnews.cgi?cmd=mostrar&cod=5&max=9999&tpl=modelo2

https://www.google.com.br/search?newwindow=1&site=&source=hp&q=ETIMOLOGIA+DA+PALAVRA+SONETO&oq=ETIMOLOGIA+DA+PALAVRA+SONETO&gs_l=hp.3..0i22i30l2.1568.6263.0.6805.29.17.0.6.6.0.406.2005.2-5j1j1.7.0....0...1c.1.54.hp..17.12.1776.0.kQbFbgzao0A

http://pt.wikipedia.org/wiki/Soneto

http://www.sermelhor.com.br/espaco/como-aprender-a-ler-sonetos.html

http://books.google.com.br/books?id=LMYDAAAAQAAJ&pg=PA361&lpg=PA361&dq=soneto+vem+de+soniere&source=bl&ots=KheyMOn3ap&sig=_8ar4WeUz6vsL25HI1yrob5FUlY&hl=pt-BR&sa=X&ei=VRkvVKzzDeHGsQTB9YDwCg&ved=0CCYQ6AEwAQ#v=onepage&q=soneto%20vem%20de%20soniere&f=false

Cruz Filho, História e "Teoria do Soneto" anotado por Glauco Mattoso
http://www.elsonfroes.com.br/pag01.htm

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