Coluna Clio

Extensão do Jornal Delfos-CE: http://jornaldelfos.blogspot.com.br/
Clio é a musa da História na Mitologia grega.

Temer na Cadeia Aécio na Cadeia

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Copiem e colem em seus perfis

sexta-feira, 23 de março de 2012

O PAPEL DO HISTORIADOR

O PAPEL DO HISTORIADOR

A História começou literária, e como toda a boa literatura do entretenimento, está repleta de ilusões arbitrárias e falsificou sempre os homens em incríveis heróis; fazendo dos perdedores os malfeitores mais cruéis.
                
Os vencedores foram por demais endeusados e ainda o são pela nossa falsária História Oficial que se tornou mais científica e nem por isso menos cheia de erros grotescos que os grandes homens forjaram por um intuito político a que ela se deu.
                
O Positivismo de Augusto Comte por um lado ajudou as ciências a se focarem mas fomentou nelas a ilusão de um status de uma senhora dona da verdade em vez de seu devido lugar de aproximações, por que a real cientificidade se aproxima do que de fato ocorreu por que jamais será possível recriar o que já passou; no máximo se reproduz algo para o melhor entendimento por meio de padrões exigentes, fazendo as devidas comparações a que cabe o pensamento empírico.
                
A École dos Annales de Lucien Febvre, Marc Bloch e outros, deu um grande passo ao sugerir uma História feita ano a ano, por que, assim, diminuiria mais os anacronismos e a arbitrariedade documental agora poderia ser confrontada, tendo como documental obras não oficiais; como crônicas de época, fotos, poesias e outros elementos que deveriam ser confrontados entre si, formando um aparato para que o historiador possa tirar conclusões desses documentos analisados em conjunto, usando para complemento também a história oral.

O documento então deixou de ser portador da verdade depois dessa revolução documental e agora o historiador profissional dá o devido juízo de valor com critérios rígidos a se intercalar também com diversas ciências afins; como arqueologia, numismática, psicologia e mesmo de áreas nem sempre tão afins diretamente como mais importantes para o entendimento do processo.
                
O historiador, então, se firma na economia, biologia, neurociência e administração; por vezes também estuda filologia e outras línguas para fazer genealogia, e a cada área a qual ele vier a se focar precisará de ajuda de profissionais das mais diversas áreas para também validarem o que ele descobrir. Por que agora é uma questão de descoberta em conjunto.
                
Foi-se o tempo em que a História era uma ciência parada, hoje é dinâmica. As verdades de ontem não servem para hoje e nem as de hoje serão as de amanhã, no entanto, isso só é possível com trabalho sério, árduo e interação com a sociedade e uso de novos mecanismos tecnológicos como a internet e mesmo o uso sistematizado de documentários, filmes e livros como romances época, que podem por vezes também ajudar em um trabalho didático pegando em vista o professor de História que também precisa de novos recursos para a abordagem de melhor absorção por parte dos estudantes.
                
O historiador é um guia para o caminho do mais provável que ilumina esse vasto caminho de escuridão para a História, não é a única luz mas faz com ela uma ponte a fim de uma iluminação bem melhor. É fato que sempre existirá uma enorme diferença entre a ciência em si de laboratório e a de sala de aula. No caso da História, por ser uma ciência humana, não há para ela precisamente um laboratório em si e também não deve jamais caminhar isolada.

Uma diferença clara entre historiador e professor de História é que aquele busca conhecimentos de outras áreas ; tais como literatura, psicologia, numismática, heráldica, arqueologia, física, química, dança, astronomia, ciência da religião, neurociência, antropologia, etc., além do próprio afinco em descobrir algo novo e construir novas visões, cria formas de abordagens e desmente fatos antigos depois de devidamente estudado.
                
O professor de História não tem obrigação de descobrir algo novo mais de repassar o que já está oficializado pelos historiadores. Não tem uma obrigação de fazer trabalhos fora de sala que mudem a sociedade ou o mundo ao seu redor. Se caso consiga ser ambas as coisas terá o profissional uma responsabilidade dobrada por que além da didática há agora todas as exigências a suprir apesar de ser um grande feito.
                
Mas um papel em comum tanto do professor quanto do historiador é fazer o interlocutor se entender como sujeito ativo da História a qual estuda, repassar a noção de que a História é registrada por determinados homens com determinadas visões políticas formadas no contexto de cada época e localidade específica, sabendo que a cultura do historiador terá sempre peso na sua visão final, por que todo homem é um ser multifocal e o historiador é também, filho, pai, cidadão e, por muitas vezes, tem mais de um emprego e uma visão política pessoal que não será obrigatoriamente de engajamento; embora devesse mais do que ninguém ser engajado, pelo tanto de conhecimento ao qual alcança e produz.
                
Que as próximas gerações enxerguem a História como sua. Saibam que todos passam por ela enquanto ciência, e que toda ciência é falha, pois vive de aproximações, mas nós, historiadores, tentaremos sempre uma maior aproximação do real e é fato que a História muito se modifica por descobertas de várias ciências, principalmente por meio colateral; e ela, por sua vez, muda o mundo de modo direto através, principalmente, do trabalho dos historiadores engajados que tem como função explicar a História e “escolher um lado” como diria o historiador Bóris Fausto.

ATEU POETA
23/03/2012
22:40

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